terça-feira, 29 de maio de 2012

Dois Amigos, Duas Pendências



Era uma vez dois bons amigos. O primeiro morava com a mãe de sua esposa há anos, numa boa e confortável casa. Lá o casal criou os filhos e viveu em harmonia sem perceber o tempo passar. Um dia a boa senhora teve que partir, e o casal, que há tantos anos a fazia companhia, viu-se na necessidade de se mudar com os filhos para um apartamento que compraram tempos atrás. Um ótimo apartamento, aliás.

O segundo, viúvo há anos, conheceu uma jovem de jeito simples, simpática e muito elegante. Aos poucos ele foi cedendo espaço e dividindo coisas do dia a dia com ela, também sem se perceber. A jovem cativou a amizade dos amigos dele, com os quais ele se encontra freqüentemente nos bares da vida. Chegaram a um ponto em que ou seguiam adiante formalizando a união, ou o relacionamento iria sofrer um desgaste continuado até se exaurir.

Especialista em fabricar móveis projetados, foi contratado pelo primeiro para mobiliar seu apartamento. Os móveis foram fabricados e instalados com todo esmero e carinho pelo amigo enamorado. Apartamento pronto, nada de mudança. As semanas foram passando, meses também. Talvez não tenha ultrapassado a marca de um ano completo, mas o fato é que a família não estava pronta para mudar. O experiente chefe da família deixou que o tempo passasse mais um pouco... Lentamente. A mudança somente se daria quando todos estivessem firmemente decididos.

Assuntos de família à parte, o que rolava nas mesas de bar freqüentadas pelos dois amigos eram suas pendências ou... Embromações. Um com a mudança, outro com o casamento. Brincadeiras de amigos, claro. Um dia o segundo disse ao primeiro: "No dia que você mudar, fico noivo e marco o casório!"

Passaram mais algumas semanas desde então, mas ambos percebiam dentro de si que o dia "M" (de Mudança) se aproximava silenciosamente, até que numa sexta feira o segundo recebeu um telefonema do primeiro que disse apenas: "Amigo, mudei!". E logo no sábado seguinte o segundo trocou alianças com a jovem, oficializando o noivado. Mas... Quando vai ser mesmo o casamento?


Pedro Altino Farias, em 05/10/2011
altino@pelosbaresdavida.com.br



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terça-feira, 22 de maio de 2012

Don't Stop! Keep Walking!


Não pare! Continue caminhando! Se estiver cansado demais, diminua o ritmo, mas não pare. O mundo se transforma à nossa volta em segundos. Paisagens e cenários mudam a todo o momento. Se você parar, quando for retomar a vida, pode ser que desconheça completamente quem é, onde está, o que faz ali, em qual direção deve seguir.

Não pare! Observe as pessoas. Absorva os sentimentos delas, processe tudo em seu íntimo, e depois exale os seus próprios. Não saber dos sentimentos alheios isola e aliena. Não externar os seus, torna-lhe um ilustre desconhecido, afinal, somos o que somos pelo que pensamos e sentimos, e se você esconder o que pensa e sente do mundo, ou será visto de forma equivocada pelos outros, ou não será visto de forma alguma. Esse processo é contínuo e interminável, portanto, não o interrompa, não pare!

Não pare! Não desista de tudo. Adapta-se às circunstâncias, mas não pare. Seja sempre solidário. Ser solidário fortalece o espírito. Agindo assim você estará seguindo a única lei verdadeira da humanidade, que é praticar a bondade. Por menos que tenha, por mais ocupado que seja, por mais magoado que possa estar, não pare... Pense, reflita... Continue. Se você parar, perderá mil sorrisos e sonhos, e quando quiser tê-los de volta eles já terão se evaporado no tempo... Porque o tempo não para!

Não pare! Continue sempre! Essa é a lei da vida. As águas dos rios correm para o mar incessantemente, o vento percorre toda a superfície do planeta em minutos, a Terra gira, constante e inconscientemente, em torno do sol. Em todo lugar a vida pulsa com vigor, se você parar estará em desacordo com tudo o que existe ao seu redor. Eu sei que às vezes cansa... Nosso mundo massacra e atordoa (e pensar que fomos nós mesmos que o construímos assim, que ironia!). Se estiver se sentindo esgotado e sozinho, essa é a hora de pensar, refletir, ajustar o corpo à mente, a mente aos sentimentos, inventar uma nova “moda” para você mesmo... E seguir em frente. Mas não pare!

Não estamos aqui para parar. Continue! Se nosso coração parar a vida se vai. Se nossos pulmões pararem de aspirar e expirar nosso organismo entra em colapso. Se você parar, terá que fazer um esforço descomunal quando resolver continuar. A inércia é enorme, acredite... E aí talvez esse seu coração não suporte, e seus pulmões não encontrem oxigênio suficiente para lhe saciar as necessidades... E talvez você já não esteja mais aqui nesse momento, e sim numa dimensão que não conhecemos. Estando lá, nesse lugar, você verá que, embora tenha tentado, não conseguiu parar, apenas inverteu a ordem natural das coisas... Quem sabe à custa de muita dor e sofrimento, por isso, não pare!

O tempo é este, estamos aqui, todos juntos. Essa é a hora, esse é o momento. Então, nada de maus sentimentos. Nada de rancorezinhos, invejinhas, desentendimentozinhos, intrigazinhas... Isso tudo diminui e atrasa. Não vale a pena...

Sendo assim, Relaxe! Vamos aproveitar para cantar e dançar, trabalhar e descansar, falar e ouvir, cair e levantar, amar e perdoar, chorar e sorrir, agradecer e ajudar, superar e construir, dar as mãos e caminhar juntos rumo a um futuro que somente é desconhecido e temido por quem não está preparado para ele.

Por tudo isso, desejo a você um bom presente, e que esse presente lhe conduza a um futuro de muita paz e amor. Mas lembre-se sempre: Não pare! Continue caminhando!


Pedro Altino Farias, em 21/05/2012


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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Mau Gosto - Opinião



Há algum tempo recebi um e-mal com vídeo de uma modelo (não lembro o nome) que se descontrola perante uma equipe de reportagem que foi à sua casa. Em estado de histerismo, ela se despe perante a câmera e dispara um desabafo comovente. Ela se despe mais de espírito que de corpo, embora tivesse ficado completamente nua por alguns minutos.

Outro dia recebi também um e-mail com um vídeo anexado em que uma jovem adolescente é surpreendida pelo pai quando curtia brincadeiras íntimas pelo msn com alguém. O pai a agride violentamente, com palavras e atos. Ela entra em desespero, e o vídeo acaba provavelmente com a quebra do computador pelo pai possesso.

Recentemente devo ter recebido uns trinta com fotos da Carolina Dieckmann. Nos três casos houve uma violenta invasão de privacidade, pois não era vontade de nenhuma dessas mulheres citadas se verem expostas a brincadeiras, comentários maliciosos e risos de gente de toda espécie. Isso é o que podemos chamar de SACANAGEM, bem diferente da pornografia usual, na qual as pessoas se mostram nas situações mais extravagantes por vontade própria, quer seja motivadas pelo dinheiro, quer sejam por tesão mesmo. Os antigos filminhos da Xuxa, por exemplo, são públicos, ela ganhou dinheiro para fazê-los e achou bom quando ficou famosa, então...

Sem querer ser moralista ou piegas, considero que repassar e-mails dessa natureza é um ato de mau gosto e falta de respeito. É corroborar, e mais que isso, é ser cúmplice do mau caráter que praticou essa sacanagem. É fazê-lo obter êxito em sua falta de respeito ao próximo. Pessoal, o mundo tá cheio de gente a fim de se expor. Tem de tudo para todos os gostos. Vamos deixar quietas as pessoas que querem ficar quietas.




Altino Farias, em 15/05/2012

domingo, 13 de maio de 2012

Sopa de Palavras


Há algum tempo participei de um treinamento profissional desses cheios de lugares comuns, que unem o nada a coisa nenhuma, o óbvio ao deduzível, o inútil à conversa fiada. E pensar que perdi umas duas ou três quintas feiras com a turma do bar por isso...

Mas acabei me divertindo um pouco com a coisa. Escrevi um texto cheio de palavras, mas que não dizia absolutamente nada e assinei como sendo de um certo Piter Small. Levei para a sala e li para o grupo. Todo mundo ficou voando, como sempre, mas o instrutor elogiou muito minha “pesquisa”. Com vocês...


O Auto Conhecimento no Desenvolvimento de Competências


Para que consigamos nos desenvolver individualmente necessitamos trabalhar nosso auto-conhecimento, identificando nossas carências e deficiências, de modo a direcionar nosso aprendizado e treinamento ao que nos interessa de fato. Ocorre que, como premissa para que saiamos desse ponto de partida, é condição que estejamos bem com relação à nossa auto estima, pois, caso contrário, qualquer tentativa de alterar a ordem das coisas esbarrará numa inércia muitas vezes intransponível.

Uma vez vencida essa primeira etapa, trabalhos e treinamentos direcionados, desenvolvidos em grupo e/ou individuais, focados no desenvolvimento das habilidades nas quais estejamos deficientes, necessitam de um feed back como forma de atestarmos a nós mesmos os resultados esperados. Para tanto devemos ter uma postura pró-ativa para que provoquemos os indivíduos com os quais mantemos relações interpessoais, complementando e encerrando essa etapa do aprendizado.

A partir de então temos que ter a consciência que nos mantermos na zona de conforto, tanto acomoda como reprime nosso desenvolvimento de uma forma geral. Ter uma visão sistêmica numa ocasião dessas muito auxilia o indivíduo a saber identificar o momento presente para, a partir de então, procurar esse aperfeiçoamento de competências que lhe permitirá desenvolver um maior potencial pessoal e profissional.

Desnecessário dizer que em tudo devemos ter em mente que a gestão de pessoas é um dos alicerces primordiais do bem gerir qualquer negócio. É através dessa gestão que elementos como liderança, autoridade, feed back, habilidades e competências irão fazer a diferença entre o sucesso e o insucesso de um gestor, tendo este que ser plenamente capaz de, mais que enfrentar mudanças, sugeri-las e promovê-las, pois é através de mudanças que gira essa imensa engrenagem do conhecimento e das relações corporativas.

Mas como identificarmos essas nossas deficiências em algumas competências? Ora, a auto avaliação é um dos instrumentos que deve ser largamente utilizado pelos bons gestores, pois o dia-a-dia, e as necessidades da equipe e da empresa como um todo, vão nos indicar esses fatores, cabendo a nós sabermos identificá-los. Outro bom dispositivo é seguirmos as diretrizes da corporação em se tratando de aperfeiçoamento de métodos e sistemas, pois essa evolução acarretará, necessariamente, na evolução de seus gestores em paralelo.

Agora só nos resta ficarmos sempre atentos a quando formos chamados a empreender e absorver mudanças, sejam de sistemas, relações interpessoais ou de atitude. SEMPRE!


Autor: Piter Small
Tradução: Simone Vernner


domingo, 6 de maio de 2012

O Grito - Comentário de Reginaldo Vasconcelos



Caro confrade Altino,


Li teu texto várias vezes, para analisar a profundidade da mensagem. Ao final, pude decodificar a linguagem lírica que utilizas na tua prosa poética, vazada em linguagem conotativa.

Especulas principalmente sobre a vida não biológica, portanto metafísica, exatamente o objeto do estudo que faço no meu livro Euthymia, de cunho denotativo, que está no nosso blog (http://www.academiacearense.blogspot.com/).

Então, é como se teu texto fosse a descrição, sentida e real, de uma tempestade, por quem a vivenciou diretamente, e o meu texto fosse a análise fria de um meteorologista, expondo os comos e os porquês do mesmo fenômeno natural.

Por outra, tua crônica seria a descrição, feita por um gourmet, rica e pormenorizada, de um prato gastronômico já produzido, com suas cores e sabores, e a minha análise fosse a formulação da receita, com seus ingredientes, quantidades, sua ordem e seu tempo de cocção, relatada pelo chefe de cozinha.

Dizes tu que a vida metafísica está centrada no trabalho, para alguns, para outros na profissão de fé, e, para terceiros, na família. O meu estudo indica que todos esses fatores são essenciais ao ser feliz.

A família está no pé do afeto, e sobre este está a perna da “transcendência”, na estrutura do nosso corpo metafísico. A religião é a transcendência, assim como para outros a transcendência é o partido político, e ainda, para outros, seria a paixão futebolística.

E o trabalho? O trabalho está na outra perna, a perna do “engajamento”, que se firma sobre o pé da vocação. Claro que quem não é feliz no amor conjugal mais se apoiará na transcendência (religião, ideologia, futebol...), ou até na outra perna, trabalhando loucamente. Mas o fato é que falha em qualquer desses membros metafísicos enfraquece o corpo sutil do indivíduo como um todo, de modo a tornar mais pesada a maromba representada pelo estresse normal da vida, o que torna difícil ser feliz.

Não sei se me fiz entender.

Reginaldo Vasconcelos
Membro da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo - ACLJ

terça-feira, 24 de abril de 2012

O Grito



Alguma vez você já perdeu a vida? Será que não mesmo?
Outro dia ouvi “Sangue Latino”, música dos Secos e Molhados que diz num trecho:

“Quebrei a lança, lancei no espaço
Um grito, um desabafo...
E o que me importa é não estar vencido...
Minha vida meus mortos, meus caminhos tortos,
Meu sangue latino,
Minh’alma cativa...”


E comecei a pensar... De um modo geral, consideramos como vida somente a atividade biológica, mas há outras formas de vida. Há indivíduos que consideram seu trabalho como sendo sua própria vida. Outros, têm por vida um sólido patrimônio. A fé religiosa é a vida de muitos. O mais comum é termos em nossos entes queridos nossa vida. Por eles se morre, se mata. Sem eles “não dá pra ser feliz”, disse Fagner noutra canção. Passei então a ordenar as ideias mentalmente. Depois transferi tudo para o “papel”. Após poucos retoques, o resultado foi o pequeno texto que segue. Depois de lê-lo, pense novamente... Talvez perceba que em algum momento você já perdeu a vida.



O Grito


Lancei um grito de desespero: socorro, estou cansado, minha vida corre perigo! Fui atendido em minha súplica, mas, por ironia, acabei ficando à deriva. Perdi o rumo, quase a vida. Meu norte se confundiu com o sul; leste ou oeste, não fazia diferença, todas as direções levavam ao mesmo lugar: um abismo profundo, frio, vazio, e escuro. Difícil sair sozinho.

Mas não foi logo assim. Quando cai, esperneei, gritei de novo, mas desta vez não fui ouvido. Ninguém do lado de fora entendia onde eu estava, o que passava. Não ouviram meus apelos. Não ouviram minha vida, que ainda pulsava.

O cansaço me levou mais ao fundo. O que me parecia luz era, na verdade, escuridão, ilusão; e eu desci mais um pouco nesse imenso fosso sem fim.

Como num filme de suspense, fui salvo pela mocinha no último segundo... Talvez até um instante depois dele. Enquanto ela me segurava firme pelo coração, o que me sustentava até então desabou sob meus pés, pois era pura ilusão de fato.

O caminho de volta ao topo não está sendo fácil. Tempestades, vendavais. Pedras rolaram sobre mim, às vezes me machucando profundamente, mas continuei seguindo em frente, subindo, sempre levado pelo coração. Queria vida!

Depois de muito, vi o Sol e a Lua e as estrelas. Senti uma brisa fresca e suave tocar meu rosto suado, e toda a verdade de um sorriso ingênuo, um abraço amoroso. Embora esteja infinitamente melhor que ontem, ainda sofro pela minha vida, ainda grito: quero minha vida de volta!

Pedro Altino Farias, em 23/12/11

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domingo, 15 de abril de 2012

Não Sobrou Um Segundo


Quando não resta um segundo sequer, a atitude e a vontade traduzem mil sentimentos, em todas as suas verdades e intensidades. (Altino Farias)


Não Sobrou Um Segundo


A notícia surpreendeu. Ficaram felizes. Muito felizes. Radiantes. A correria foi grande para prepararem tudo. Quase não deu tempo. A distância que se estabeleceria entre eles preocupava e doía, mas aquela chance não poderia ser perdida.

Recomendações, telefonemas, despedidas, esquecimentos últimos. “Será que ainda dá tempo?”, perguntou um. “Estamos em cima da hora!”, foi a resposta. Às vezes é melhor não arriscar. Prudência!

Desejariam correr mais ainda, mas o trânsito caótico frustra e desespera. Em certas ocasiões leis e regras viram pó diante de algo maior, mesmo que este “algo” seja uma necessidade ou interesse particular e imediato. Tudo o mais é automaticamente ignorado nessas circunstâncias.

Ela foi, ele ficou; separados pela geografia e a obrigação de uma oportunidade única. Na despedida não sobrou um segundo sequer para uma troca de beijos... Mas se beijaram mesmo assim. Um beijo inesquecível!


Pedro Altino Farias, em 11/04/2012
altino.frs@gmail.com

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terça-feira, 10 de abril de 2012

Um Velho Sofá





Um dia já foi um dia brinquedo de menino. Numa fantasia, foi feito de pula-pula... Até que a mãe soltasse um berro lá da cozinha chamando sua atenção e mandando-o parar com aquela algazarra.

Foi também alcova de namorados. Na penumbra da meia luz, entre suspiros e gemidos, eles se acariciavam e se tocavam com malícia e desejos inocentes, mas ruídos vindos lá de fora denunciavam: chegaram!

Os convidados se acomodavam no sofá para drinques, petiscos e boas prosas. Confortáveis, os casais, anfitriões e visitantes, não sentiam as horas avançarem pela madrugada, e quase sempre eram necessários braços para erguer do estofado um que ultrapassara um pouco a fronteira da sobriedade.

Para o marido, expulso do quarto em momentos de ira, foi porto seguro no exílio. Depois de uma noite mal dormida pela mágoa, acordava sempre doído e incomodado, mas agradecido pela acolhida que tivera daquele bondoso sofá, sabendo que ele havia dado o melhor se si para confortá-lo.

Também serviu para aquela simpática senhora, misto de mãe, sogra, irmã, avó e... Filha teimosa. As tardes assistindo TV a pouparam de passar horas e horas no vazio de um tempo perdido no passado. E o conforto daquele mesmo sofá, que parecia abraçá-la carinhosamente, fazia com que ela se sentisse protegida e segura.

E agora? Agora ele jaz, insolitamente abandonado, no meio da rua, sem entender o porquê daqueles carros e pessoas desconhecidas, que passam de uma lado para o outro sem nem lhe perceber...

Pedro Altino Farias, em 10/04/2012
altino@pelosbaresdavida.com.br

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terça-feira, 27 de março de 2012

O Ratto e o Queijo de Cem Contos



Tratam-se carinhosamente por Rattos: Ratto Pai, Ratta Mãe, Ratta Filha e Ratto Filho. Rattinho e Rattinha são diminutivos inevitáveis. É assim porque fazem ratices como, por exemplo, abrir parcialmente potes de requeijão sem retirar completamente o lacre, deixar farelos de pão na mesa, ou comer o último pedaço de pudim e guardar a forma vazia na geladeira como se ainda contivesse alguma coisa. Além de todos gostarem de queijos, claro. O “T” dobrado é para diferenciar dos roedores comuns.

Pois bem, naquele dia, Ratto Pai foi ao centro da cidade desbloquear o cartão magnético de sua conta bancária, que, de uma hora para outra, negava-se a realizar saques e depósitos. Restabelecidas a funções do cartão, fez uma retirada de cem reais para atestar que estava tudo certo. A operação foi realizada com sucesso! Na sequencia, aproveitou a viagem e passou num tradicional comércio especializado em queijos da terra, onde comprou uma peça de quilo e meio de coalho, pagando a despesa com a nota de cem, que pouco tempo passou no bolso de sua camisa.

Chegando em casa à noite, fez um balanço dos gastos do dia, dando por falta de certa quantia. Refez as contas, fez de novo. O saldo não fechava com o que deveria ser. Depois de muito pelejar com a calculadora, percebeu que lhe faltava o troco do queijo, algo em torno de setenta e cinco reais. Primeiro ficou chateado com o prejuízo, mas, depois, resolveu curtir a situação.

Assim, quando a Ratta Mãe chegou do trabalho, deparou-se com uma cena inusitada: o Ratto Pai estava sentado solenemente à cabeceira da mesa da sala de jantar, com uma garrafa da melhor cachaça posta à sua frente. Acompanhavam dois pequenos cálices de cristal, talheres finos, azeite de boa qualidade, prato de porcelana onde repousavam cubinhos de queijo e guardanapos de linho. Tudo isso sobre uma delicada toalha e com uma música suave ao fundo.

“Mas quediabeisso, Rattinho?”, quis saber a esposa, curiosa e já rindo da marmota. “Mulher, é precioso muita pompa e circunstância para degustar um queijo coalho de cem contos!”, respondeu ele, explicando em seguida, tim-tim por tim-tim, o que ocorrera naquele dia. Como havia um segundo lugar posto à mesa, ela resolveu lhe fazer companhia naquela ratice, e saborear, também, o tal “queijo de cem contos” com uma boa cachacinha. Dizem que estava uma delícia!


Pedro Altino Farias

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terça-feira, 6 de março de 2012

Mulher é Muito Mais!



Mulher não é somente luz, é brilho.
Seus olhos mais que veem, adivinham.
Tem um coração sempre pronto para o perdão,
E um corpo que aquece, salva e dá vida.

Possui mãos delicadas, mas sempre prontas para o trabalho pesado;
A capacidade de acalmar uma furiosa tempestade;
Ou transformar-se, ela mesma, num verdadeiro furacão.
E quando repreende ou nega, é quem mais sofre.

Necessária? Não, imprescindível!
Caridosa? Não, sensível!
Sonhadora? Não, romântica!
Perfeita? Não. Muito mais que isso: SUBLIME!

Pedro Altino Farias
altino@pelosbaresdavida.com.br




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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A Enjoadinha


A viagem continuou, apesar das náuseas e vômitos. Cada solavanco da camionete por aquela trilha esburacada produzia nela uma revolução: a vista escurecia, a cabeça doía, o estômago embrulhava, a saliva inundava sua boca. Mal estar? Que nada, ela queria era morrer!


A cada curva, a cada lombada, renovavam-se as esperanças dela de encontrar trecho melhorzinho, mas o que se via eram estradas precárias a ponto de fazer mula empancar e espantalho se assustar.


Nessa época, e já se vão longos anos, a única orientação nas estradas se dava através de mapas nem sempre precisos, por isso o próximo povoado, onde se poderia socorrer a enjoadinha a bordo da Rural, era uma grande interrogação. Voltar, nem pensar. Nem havia para onde. O jeito era seguir em frente, fugindo do anoitecer, quando o que já estava ruim poderia ficar bem pior.


Para completar o quadro de desolação, estava quente, muito quente. Quente ao ponto de confundir as ideias do mais resistente dos super heróis dos quadrinhos. E a cada lufada de vento quente, subia aquele poeirão. Um suspiro, um gole d’água e... Mais um solavanco. Nem recostar a cabeça, podia a coitada. Quando conseguia falar, dizia somente: “Ainda tá longe, papai?”. Dava era pena de responder.


Chegaram ao próximo lugarejo já à noitinha. Procuraram uma estalagem para passar a noite, porém, sem sucesso. Findaram por dormir de favor numa casa de família, todos apinhados na sala.


No ambiente reinava um cheiro forte de urina e fezes de animal, pernilongos em profusão e mais alguma coisa que incomodava, provocando coceira e vermelhidão na pele. Eram pulgas, descobriu-se depois.


Um barulho vindo de um clube, bar, cabaré ou coisa semelhante, incomodou até tarde. Naquela noite ninguém dormiu, além da nossa doce enjoadinha, que, enfim, pode ter um descanso merecido de tanta chacoalhada.


Logo cedo, o chefe da família cutucou todo mundo e pegou a estrada novamente. Queria ir embora daquele lugar pulguento, onde não arriscara nem tomar a água. Ainda bem que o pior passara no dia anterior. Graças.



Com a aproximação da cidade destino, grande centro urbano, as estradas melhoraram substancialmente, e a camionete agora deslizava de modo suave sobre um pavimento mais regular, que permitia ao veículo desenvolver maior velocidade ainda com conforto considerável. E nossa menininha, antes tão enjoadinha, agora sorria e brincava com os irmãos sob o olhar atento da mãe. Distraída, nem perguntava mais: “Ainda tá longe, papai?”




Pedro Altino Farias, em 21/01/2012
altino@pelosbaresdavida.com.br


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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Postagem de Carnaval

Dias de folia. Música, suor, cerveja... Frevos, marchinhas e sambas antigos resistem ao tempo, provocando sempre muita animação e trazendo boas recordações de outros carnavais, quando tudo era mais puro, mais ingênuo, sendo toda brincadeira de carnaval encarada como o que realmente é: uma brincadeira.

Em comemoração ao carnaval segue reprodução da letra de "Camisa Amarela", de Ary Barroso.




Camisa Amarela



Encontrei o meu pedaço na avenida
De camisa amarela
Cantando a Florisbela, oi, a Florisbela
Convidei-o a voltar pra casa
Em minha companhia
Exibiu-me um sorriso de ironia
Desapareceu no turbilhão da galeria

Não estava nada bom
O meu pedaço na verdade
Estava bem mamado
Bem chumbado, atravessado
Foi por aí cambaleando
Se acabando num cordão
Com o reco-reco na mão
Mais tarde o encontrei
Num café zurrapa
Do Largo da Lapa
Folião de raça
Tomando o quarto copo de cachaça
Isto não é chalaça

Voltou às sete horas da manhã
Mas só na quarta feira
Cantando A Jardineira, oi, A Jardineira
Me pediu ainda zonzo
Um copo d'água com bicarbonato
O meu pedaço estava ruim de fato
Pois caiu na cama
E não tirou nem o sapato

E roncou uma semana
Despertou mal humorado
Quis brigar comigo
Que perigo, mas não ligo!
O meu pedaço me domina
Me fascina, ele é o tal

Por isso não levo a mal
Pegou a camisa, a camisa amarela
E botou fogo nela
Gosto dele assim
Passada a brincadeira
E ele é pra mim
Meu Sinhô do Bonfim

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Verdade ou Mentira?


O contexto no qual está inserida a verdade é a própria projeção dela. Mas não aquela verdade verdadeira à qual estamos acostumados, falo da verdade absoluta mesmo, aquela que se encerra por si só, plena, auto-suficiente, rigorosa.

Mas de que vale uma verdade contra tantas mentiras, pergunto eu. Ora quem tem ciência de que algo é realmente puro tem tudo... Até mesmo algumas mentiras em seu emboço, não é verdade?

Mas o fato é que somos o que somos. Produtos do meio ou não. Produzidos por verdades ou por mentiras, tanto faz como tanto fez.

Mas o que tudo isso tem a ver com a Lua cheia, afinal? Quanta bobagem...!! Claro que a Lua cheia tem tudo a ver, pois ela já inspirou muitas verdades... E outras tantas mentiras. Lembrem-se de que até hoje há quem duvide que o homem já pisou o solo lunar, que ache que essa estória toda não passa de uma grande mentira.

Mas no fim tudo dá certo como numa novela “das antiga”, quando o mocinho casava na igreja com a mocinha providencialmente no último capítulo. Mas por que no último capítulo? Ora, para gente não ficar vendo os dois brigarem o tempo todo, entenderam? A verdade às vezes dói... Até em novelas da TV.

A verdade é que esse negócio de mentira é puro papo furado. Tudo depende do referencial (não sei onde vi isso, mas achei legal!).

Descendo para minha verdade pessoal, tenho evitado biritar em escala industrial enquanto estou em tratamento de saúde. É aquele negócio de “é melhor evitar”, mas acho que essa falta de álcool no sangue está me trazendo outros males, como, por exemplo, estado de confusão mental. Será mesmo verdade? Ou apenas uma grande mentira?

Pedro Altino Farias, em 07/02/2012
altino.frs@gmail.com

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domingo, 5 de fevereiro de 2012

Tô Voltando


Depois de longo período de tempo, o viajante, enfim, retorna à sua cidade, à sua casa. O comandante da aeronave em que ele viaja avisa pelo alto falante que iniciará o procedimento de pouso. A ansiedade, que já era grande, aumenta.


Feito a anúncio, a chegada em si ainda demora. O avião começa a perder altitude e velocidade gradualmente, aproximando-se do destino. Uma curva aberta para a esquerda, pouco depois uma bastante fechada à direita. Prédios, antes pequenos pontos visuais, começam a ganhar formas definidas. Depois é a vez dos automóveis. A chegada continua.


Na aproximação final ele vê pela janela construções, carros e homens desfilando quase ao seu lado. Flaps acionados, um vento cruzado exige uma pequena e rápida correção no curso. O comandante empina o nariz do avião, e ele aguarda o toque do trem de pouso na pista. Está quase lá.


A aeronave taxia na pista completando a aterrisagem e dirige-se ao ponto de desembarque. Tudo pronto, abrem-se as portas e, enfim, ele chega. Mas as lembranças dos dias passados longe começam imediatamente a enfeitar seu pensamento. Momentos, imagens, pessoas. Serão lembranças para nunca mais esquecer. Vivemos disso. Sendo o futuro incerto, somos o que somos pelo que já vivemos.


Estou na mesma posição do passageiro retornando de viagem. Depois de mais de seis meses de reforma em meu apartamento, estou voltando... Aos poucos. Os serviços vão se encerrando em sequencia. O todo vai tomando forma. Chegando, já se vê aquela paisagem conhecida... Porém renovada. Todos da família estão ansiosos para voltar. Falta pouco, mas o pouco é muito. A expectativa é enorme.


Quando chegarmos, as lembranças da temporada em que fomos acolhidos na casa de Dona Concita, minha mãe, estarão presentes no pensamento de todos. Uma ótima e agradável acolhida. Pena que a correria do trabalho não tenha permitido desfrutar melhor esses momentos (Ah, vida!). Depois que a porta do apartamento for aberta, tal qual a da aeronave, poderei dizer: cheguei! E cheguei melhor do que fui, mais maduro, mais sereno, mais filho, mais pai, mais companheiro.


Moradia renovada, almas renovadas, vidas renovadas. Virá, então, um novo começo. A expectativa continua!



Pedro Altino Farias, em 18/01/2012





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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Prof. Rui Martinho Comenta BBB em Perspectiva

Ao comentar o texto "Big Brother Brasil em Perspectiva" que publiquei aqui, o professor Rui Martinho, que é meu confrade na Academia Cearense de Literatura e Jornalismo, foi buscar as causas e explicações para termos chegado a este estado das coisas, com valores sociais totalmente invertidos... Ou mesmo, pervertidos.



O resultado foi o texto que segue, que publico no "Opinião" com sua dvida anuência. Ao final ainda faço breve comentário de fechamento. Com vocês, Rui Martinho:




Caro Altino,



O que a sociedade brasileira está discutindo, a propósito do BBB, é a moralidade dela mesma. Nós, e de certa forma o ocidente todo, nos tornamos uma sociedade amoral e hedonista.

A dança da garrafinha, já há alguns anos, era estimulada por certos pais que se divertiam vendo filhas, ainda crianças, praticando a dança sensual.

As drogas alucinógenas reinam em todo o ocidente. A explicação é simples: tornamo-nos uma sociedade amoral e hedonista, como dito. É "proibido proibir". Duas guerras quentes e uma fria (com alguns episódios quentes), inflaram a propaganda, dos dois lados, baseada em liberdade e libertação, ao longo do século XX.

O avanço da democracia levou a uma vulgarização e ao alargamento dos conceitos de liberdade e de democracia. Autoridade foi confundida com autoritarismo.

A psicologia e a pedagogia, formas de conhecimento extremamente inexatos e nebulosos, prenhes de ideologia, difundiram a ideia ridiculamente falsa segundo a qual o diálogo é única e infalível forma de resolver todos os problemas enfrentados por educadores. Isso afastaria toda e qualquer forma de disciplinamento, agora estigmatizados como "violência", "desrespeito", ou ação "deformadora e traumatizadora do educando".

Pais, clérigos e professores irresponsáveis, anciosos por mostrarem-se "modernos" (de fato seriam "pós-modernos") e "esclarecidos", movidos pela comodidade (enfrentar rebeldia de filho é desgastante e trabalhoso), aderiram sofregamente aos modismos "politicamente corretos".

A par disso, os aludidos educadores cometeram suicídio moral, adotando condutas que fazem corar até o "frade de pedra" da serra de Uruburetema.

Desmoralizados ou neutralizados os tradicionais gestores da moral, a onda pós-moderna entregou a missão de educar aos artistas, intelectuais e ativistas políticos. Estes "novos gestores da moral" empenham-se em demolir todas as referências morais. Alegam que tais referências "neurotizam", contrariam a "natureza humana", não encontram fundamento em "verdades científicas", invocando ainda o "relativismo" gnosiológico e ético.

O teocentrismo (Deus no centro de tudo) foi substituído pelo antropocentrismo (o homem no centro de tudo), para uns; e pelo cosmocentrismo (a matéria cósmica, com supostas "leis naturais", no centro de tudo), para outros.

Quando o homem "é a medida de todas as coisas", nos termos da filosofia sofista, temos o findos limites. Historicamente isso não deu certo na civilização grega nem na romana. Artistas e intelectuais nunca cultivaram os bons costumes, sendo "gestores da moral" não odem criticar o BBB, salvo quando tenham interesse político em implantar o controle dos meios de comunicação, nos termos da "vontade de potência" (de poder), denunciado por Nietzsche. Aí o temos é um projeto de ditadura dos "politicamente corretos".

O relativismo frouxo, tanto no campo moral quanto epistemológico (teoria do conhecimento), não pode reclamar do BBB, como de resto, não pode reclamar de nada. O homem não seria a "medida de todas as coisas", consagrando a arbitrariedade e a irresponsabilidade?

Os "novos gestores da moral" não sabem como conciliar o relativismo radical com a afirmação das suas próprias "verdades". Quando nenhum conhecimento merece crédito, quando nenhum valor moral tem valor em si mesmo, o relativismo moral e cognitivo também perde o status de verdade, já que tal não existe. Os alegados efeitos deletérios das medidas disciplinadoras, "produzindo neuroses e traumas" também são afirmações mortas (pela doença do relativismo radical).

A alegação de que a educação contraria a natureza, já que estaria em franca contradição com as "pulsões de vida" a que se referiu Freud. Isso, porém, não é relativo? Quando se diga que certas condutas havidas como imorais, pela moral tradicional, contrariam a natureza, não mais ouviremos que o homem não pertence à natureza? Que não existe "natureza humana"? Que o homem é inteiramente "construtuído" historicamente?

Quem está corrompida é a sociedade, não apenas a TV. Médicos fazem intervenções desnecessárias, advogados charfurdam na lama do crime, juntamente com policiais e demais agentes da lei; clérigos; estudantes (que praticam corrupção na UNE e fraude nos trabalhos escolares), fazem lembrar a declaração de Paulo: "todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (está numa das cartas, não lembro no momento em qual delas).

A expansão do "bem público" ou "interesse público", submetendo-nos todos ao controle do Leviantã (Estado hipertrofiado) não será solução. Os agentes do Estado também estão corrompidos.

Veja o caso das drogas alucinógenas: a repressão é inteiramente falha, apesar do comércio de drogas, como qualquer outro comércio, ser necessariamente público, do conhecimento de todos.

O nome disso é "corrupção generalizada".

Os "novos gestores da moral", não obstante se declarem relativistas, defendem violentamente dogmas pétreos, em nome dos quais querem regulamentar as relações entre pais e filhos, com a famigerada "lei da palmada"; querem controlar o que nós comemos, proibindo o consumo de frituras; querem nos proibir de ter meios de defesa, alegando que armas são perigosas para quem as tem (isso não é relativo?), declarando-nos incapazes de tomar decisões, de exercermosa guarda de armas e de utilizá-las criteriosamente.

Os "novos gestores da moral" podem ser "politicamente corretos", mas estão muito longe da coerência. Talvez se pautem pela frase atribuída ao Assis Chateaubriand, segunda a qual "a coerência é um atributo dos imbecis". Isso também lembra uma outra frase muito conhecida, esta do meu homônimo Rui Barbosa: "de tanto ver triunfarem as nulidades (...) o homem sente vergonha de ser honesto" (agora seria: de ser coerente). Entre uma e outra, eu prefiro a frase do grande baiano, embora ande me sentindo imbecil.



Prof. Rui Martinho Rodrigues
FACED - UFC
Tel: (85) 3256-2044

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Caro professor Rui Martinho,


Excelente comentário! Você buscou o "X" da questão, a causa de tantas bobagens que rolam impunes por aí, algumas até como coisas corretas e benéficas para a sociedade (vide "lei das palmadas" e outras preciosidades).

Concordo inteiramente com você em suas posições e fundamentações. O problema é bastante complexo, a tal ponto que envolve praticamente todas as sociedades ocidentais em seus vários aspectos.

Gosto de comentar assuntos no blog tendo em mente que meu público leitor é formado por pessoas esclarecidas e de bom gosto (isso é sempre relativo, não é mesmo?). Nesse caso, não cabe discutir o mérito da questão, pois pressuponho que a grande maioria concorda conosco.

Visto que o problema “Big Brother” e congêneres não têm solução à vista, melhor empurrar o lixo para baixo do tapete exibindo-o madrugada adentro e fim. Que os admiradores daqueles “heróis”, os quais invariavelmente aparecem no vídeo seminus e carentes de ideias, fiquem de vigília à espera do seu besteirol diário.

De resto cabe-nos torcer para que essa onda de grandes pensamentos e filosofias idiotas se mostre ineficaz e até mesmo errônea, e o que tem valor de fato volte a ser reconhecido como tal. Tomara que o mundo não acabe antes disso.

Altino Farias

domingo, 29 de janeiro de 2012

Big Brother Brasil em Perspectiva


Nós, os freqüentadores legítimos dos bares da vida, somos preservadores da cultura, da ética e da causa humanitária. Nossas mesas são constantes fóruns de discussão, onde opiniões divergentes convergem na intenção do melhor para nossa sociedade.

Essa troca de pontos de vista se estendeu à internet, ambiente virtual no qual muitas vezes os debates iniciados nas mesas e balcões são continuados e evoluem com uma intensa troca de e-mails entre amigos.

Esta semana recebi e-mails repudiando o BBB, e resolvi entrar na conversa. Uma mensagem dava conta de que a CNBB divulgou nota condenando o baixo nível do programa. Soube também que a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, por sua vez, disse haver várias ações contra a Globo em relação a veiculação de práticas de violações de direitos humanos, tais como tratamento desumano ou degradante, preconceito, racismo e homofobia.

Na melhor das hipóteses o BBB deveria ser exibido na alta madrugada, no entanto esse horário é reservado a bons programas como o do Serginho Groisman e ótimos filmes nacionais, mas há motivos para isso: o IBOPE. Se fosse veiculado às 3:00 horas da madrugada, por exemplo, haveria uma seleção de espectadores, excluindo os de menor idade, mas, nesse caso, acredito que o resultado seria um aumento significativo no número de trabalhadores que chegam atrasados ao trabalho.

Emissoras de rádio e televisão necessitam de concessão governamental para operar, pois são meios de comunicação de massa, e se pretende que tenham também função social. Sob essa perspectiva, o BBB é um desserviço à sociedade, mas não podemos cair na ideia fácil de querer tirar o programa do ar. Isso seria censura, e está completamente fora de questão. E se proibissem o BBB, surgiria um PMP - Programa Merda Pura, e voltaríamos à estaca zero. Desse modo, sou de opinião que basta não assistir ao programa que ele morre de inanição "ibópica", digamos assim.

O fato é que nosso povo gosta, então o erro não está propriamente na Globo, que apenas explora o filão da audiência idiota, e sim, numa cultura oficial de produzir gente alienada em número suficiente para perpetuar esse estado de consciência anêmica crônica.

Concluindo: vamos todos ao bar tomar umas e outras que é muito melhor! E, por favor, que não me venham falar em BBB!


Pedro Altino Farias, em 26/01/2012
altino.frs@gmail.com




ATENÇÃO
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Os Brasileiros, a Rede Globo e o “Brado Retumbante”


“Brado Retumbante”, a nova mini-série que está em curso na Rede Globo, tem atraído a atenção dos espectadores e provocado fios de esperança. A trama, de ficção com inserções de fatos reais maquiados, conta sobre um bom deputado que inesperadamente assume Presidência da República. De conflitos em fronteiras a conspirações da oposição e problemas familiares, o homem está conseguindo se sair das situações sem precisar apelar para a maldita “governabilidade”, tão em moda nos últimos anos.

Previsível, o enredo, se não chega a emocionar, agrada pela mensagem patriótica que trás embutida em si. Mas por que a Globo resolveu abordar essa temática? Ai, sim, temos uma boa notícia, pois, como é sabido, a Globo não costuma “dá murro em ponta de faca”. Ela está apenas repercutindo o anseio do povo brasileiro, principalmente da classe média tradicional, sempre sofrida e sacrificada. Sofrida, porque percebe todas as mazelas desse grande país, e pouco ou nada pode fazer; sacrificada, porque enquanto o rico fica mais rico e o pobre está indo além de seu horizonte histórico, ela permanece na corda bamba, ora tentando subir, ora lutando para não cair.

Desorganizada, acomodada e com objetivos múltiplos e difusos, a classe média até pouco tempo atrás não vinha conseguindo ser ouvida, fato que a internet, com seus diversos canais sociais de divulgação, tratou de corrigir, fazendo ecoar toda a insatisfação e indignação dessa boa parcela da população num sutil, porém sonoro, brado retumbante.

Necessário, agora, que este seja apenas o primeiro brado de muitos. E que a classe política e o judiciário tomem a frente de profundas mudanças na administração pública, sob o risco de serem atropelados por valores tão simples, elementares e antigos quanto a ética e a honra.


Pedro Altino Farias, em 23/01/2012
altino.frs@gmail.com

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

30 Anos Sem Elis

Vez por outra as águas de março, que fecham o verão, pegam-me desprevenido, e tomo aquele banho! Coisa assim me deixa louco, mas claro que não é a mesma sensação de quando sinto que teus braços se cruzaram em minhas costas, fazendo desaparecerem as palavras... Aí tu me abraças, a noite passa e... Me deixas louucooooo...

Loucuras à parte, outro dia falaram de Madalena lá no bar. “Uma fascinação!”, exclamou um coroa enxerido. "Upa, neguinho, deixa a Madalena fora desse papo", reclamou um admirador da moça. Daí para o papo derivar para romances foi um pulo, e alguém lembrou daquela dança de corpos coladinhos na base do dois pra lá e dois pra cá. Claro que rolava um uísque, mas não tão bom assim, tanto que se tomava com guaraná. Eca!!

Mas nem todos os romances acabam bem. A hora do adeus é barra, né? Tem gente que arranha, se arrasta e acaba reclamando baixinho num tapete atrás da porta. Depois sai por aí maldizendo o ex-amor, tentando se vingar a qualquer preço, mesmo o adorando pelo avesso. Ah, se aquela tal saudosa maloca falasse!

Vocês ouviram falar de uns caras bons que sumiram pelas estradas da vida, pelos labirintos do idealismo? Todos, imaginando serem bêbados ou equilibristas, foram heróis de si mesmos. Somente alguns poucos foram heróis de fato e, de súbito, nem sei por que, lembrei do Betinho, o tal irmão do Henfil.

Mas o fato é o tempo passou e crescemos. Deixamos o lance de sermos jovens contestadores para sermos senhores de nada, pois nossa geração amadureceu assim, igual aos mais jovens, igual aos mais velhos, universal. Não somos senhores de porra nenhuma... Nem nunca quisemos ser. Mas, em certos aspectos, os de caráter, por exemplo, devemos ser, sim, como os nossos pais, que viveram na época da honra e da dignidade acima de tudo.

Outro dia passou uma romaria bem em frente ao bar. Os romeiros pisavam em cima de folhas secas espalhadas na rua pelo vento, quando alguém gritou: "Maria, Maria!!". Olharam para um lado e para o outro, mas ninguém descobriu quem gritou. Um bêbado do bar disparou: "Deve ser coisa de outro mundo... Alô, alô, marciano!!"

Haja paixão!! Haja emoção!! Haja Elis!!

Ela se deu aos seus momentos com extrema paixão para nos deixar apaixonados. Durou pouco... Mas... Quem disse aí que o “sempre” é pouco?? Elis é pra sempre!! Elis é eterna!!

Aquele abraço, Elis!!


Pedro Altino Farias, em 19/01/2012
altino.frs@gmail.com

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Conteúdo

Viver o absurdo,
Ser diferente.
Sorver o conteúdo,
Dizer o que sente.

Saber ser mudo,
Também ser decente.
Analisar o conteúdo,
Fingir ser demente.

Sempre me desnudo,
Ante o que você sente.
Do seu conteúdo,
Eu sou o mais crente.

Pedro Altino Farias, em 18/01/2012
altino.frs@gmail.com


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Desistência


Desistiu. Surpreendeu a todos e desistiu. Com este “simples” ato cessaram seus tormentos. Nenhuma expectativa mais, nenhuma esperança. Tudo foi sepultado de uma só vez. O cansaço, por fim, o abatera.

Desistência: palavra não nobre, evoca o sentido de perda, entrega, capitulação. Covardia, freqüentemente, também é associada ao verbo desistir. Mas há casos e casos, e para ele a desistência foi um ato de coragem e abdicação. Antes do “desistir”, mil possibilidades passaram em seu pensamento, todas considerando causas, conseqüências, pessoas (queridas ou não), passado e futuro. Dias de angústia.

E mesmo sabendo o que enfrentaria, desistiu. Depois se sentiu leve com sua decisão, desobrigado, aliviado, renovado. Problemas, claro que continuariam a existir, mas “aquele” havia ficado para trás em definitivo. Alívio!

Mas, afinal, por que desistira? Receio? Cansaço? Desencanto? Falta de meios para ir em frente? Consideração com outrem? Responsabilidade? Toda desistência trás consigo um pouco de cada coisa agregado a um motivo maior, e foi assim com ele também. Nem vale aqui comentar.

No dia seguinte, logo cedo, olhou-se no espelho do banheiro. Prestou atenção em suas rugas, em seus cabelos grisalhos. Num instante viu o tempo passar... E quanto tempo! Mas viu também que seus olhos ainda brilhavam, o coração batia forte, o corpo emanava o calor da vida, e que seu espírito estava pronto para outras conquistas... Ou novas desistências. Tendo consciência disso, percebeu que nada perdera, ao contrário, ganhara uma nova chance. Mais uma vez.


Pedro Altino Farias, em 09/01/2012
altino.frs@gmail.com




* A ilustração é uma pintura do genial Salvador Dali