Opinião em Perspectiva
Neste espaço veiculo crônicas e textos diversos com idéias e opinões pessoais sobre os mais variados assuntos do cotidiano. É uma maneira simples, direta e eficiente de chegar ao internauta, e também de receber comentários sobre o que escrevo sob a perspectiva do leitor. Democraticamente. Espero sua participação em breve!!
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
terça-feira, 28 de julho de 2026
sexta-feira, 17 de julho de 2026
Eternidade
Se o universo está aí desde sempre,
e na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma,
porque a consciência, o "ser", teria um fim?
Pedro Altino Farias, em 17/07/2026
quinta-feira, 16 de julho de 2026
Verdade, verdura é bom demais, sim!
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Mago véi, o menino era só pele e osso! Ruim de garfo e bom de pegar uma infecção na garganta e uma bela de uma gripe com frequência, não havia jeito de criar marra e se fortalecer. Não era o tipo bonitinho, mas era feliz, muito feliz! Os pais sofriam pra caramba, faziam de tudo para o filho comer, mas a mesa era sempre uma tortura para ele. Não gostava de comer e ponto, porém, ninguém o entendia.
Xaropes fortificantes e para abrir o apetite eram rotina, castaniôdo e biotônico Fontoura eram titulares, com resultado zero no garfo da criança, afinal, sabe-se hoje, eram só xaropes, e o fastio seguia impune.
Refeições sempre feitas em família, cada um tinha seu lugar à mesa. Ele ficava em uma das cabeceiras, ladeado pelo pai e pela mãe. Esse foi o modo que seus pais encontraram para que, isolado dos irmãos, não se distraísse tanto durante o almoço e o jantar. Mesmo assim ele só embromava. Se carne, arroz e feijão já era quase impossível, verduras e legumes nem pensar! O que aparecia no seu prato era catado com precisão e descartado em um canto. O que lhe sustentava era o leite, o leite condensado e a geleia de mocotó Colombo. E ovos. Sua cuidadosa mãe colocava uma gema de ovo em cada copo de leite. A gema ficava inteira e boiando na superfície do leite, e ele sempre imaginava que não a conseguiria engolir. Um terror! Coitada da criança!
Mas nada como o tempo, ah, o tempo! Naquela época, um garoto de onze anos já circulava de ônibus e zanzava pelas ruas de Fortaleza sozinho. Pelo menos uma vez no mês ia ao centro da cidade para cumprir mandados de sua mãe ou para passear com amigos da rua e do colégio. A obrigatória merenda ao fim do programa era o ponto alto. Estava no início de sua puberdade, e muitas mudanças ocorreriam dali em diante. Pois bem...
Passava férias em Recife todo ano, berço da família de sua mãe. Ficava hospedado na casa que seu avô construíra, herdada por sua genitora e mais três irmãs, na qual residiam duas delas, solteiras. No início dos anos 70, o centro de Recife, com seus prédios e igrejas históricas, suas pontes, grandes edifícios, letreiros de neon, cinemas e largas avenidas eram a visão de outro mundo para ele, um mundo de progresso! E um excelente passeio, então...
Onze anos, essa era a idade, e sentia-se um rapazinho. De férias na capital Pernambucana, certo dia saiu sozinho para o centro batendo pernas, olhando vitrines, cruzando pontes, visitando grandes magazines como Mesbla e Sloper, repletos de novidades. Mas já era de tarde e a fome bateu. Chegara a hora da esperada merenda, que seus primos pernambucanos chamavam de lanche.
Escolheu uma lanchonete bacaninha, mas sem sofisticação, afinal, os dinheirinhos eram contados, e não havia espaço para luxo nem desperdício. Um cachorro quente resolveria bem a parada. Bom e barato. Fez seu pedido, junto com uma óbvia coca cola. Sem que ele soubesse, sequer imaginasse, esse pedido foi um divisor de águas em sua vida. Depois dele, tudo mudou. Explico.
Ao chegar seu pedido, deparou-se com um pão aberto ao meio, recheado de uma carne moída fumegante e muita, mas muita, mas muita verdura mesmo. Ele não sabia, mas essa modalidade variante de cachorro quente era comum em terras pernambucanas naquela época, e se o freguês quisesse com salsicha, tinha que especificar.
Mas e agora, o que fazer frente ao inesperado e intragável desafio? Com fome, sem grana para desperdiçar, sem possibilidade de separar as verduras da carne moída, só havia uma possibilidade: comer! E foi isso que fez, comeu, e para sua própria surpresa... Gostou!
Esse foi um ponto de inflexão na sua vida, o momento que separou o menino do homem. Sem perceber, ele sentiu-se mais adulto, mais responsável, e mais capaz de superar as dificuldades da vida. Desse dia em diante passou a comer de tudo, inclusive verduras e legumes fossem cruas, refogadas ou cozidas.
Dois anos depois esse rapazinho perdeu o pai. No mesmo ano tomou seu primeiro porre. Tornou-se homem e assumiu responsabilidades em casa. Aos vinte e três se formou engenheiro e começou uma vida dois. Criou bem dois filhos, e desde que começou a trabalhar, aos dezoito, não passou um dia sequer sem ter o que fazer. Mas será que mesmo que a verdura daquele cachorro quente influenciou tanto na vida dele dessa forma? Bem, se passados mais de cinquenta anos ele me contou essa história, é porque esse foi realmente um fato marcante, muito importante e decisivo na vida dele.
E convenhamos, aquele menino de onze só atestou uma verdade: verdura é muito bom, sim!
Pedro Altino Farias, em 16/07/26
sábado, 25 de abril de 2026
O Bloco da Retenção
O casal não perdia um Carnaval da Saudade, tradicional festa realizada pelo Clube Náutico Atlético Cearense, em Fortaleza. O evento acontece sempre no sábado magro, e esse ano de 2026 teve a sua 58ª edição. Como o nome sugere, a programação musical do evento é composta de frevos, sambas, sambas-enredo e marchinhas “das antiga”, bem tradicionais, com aquelas letras gostosas que todo mundo sabe cantar. Fantasias e blocos de amigos são bem vindos.
Com o ambiente bem decorado, os foliões recebem logo na entrada um pequeno caderno com a relação completa das músicas a serem executadas pela banda por ordem de apresentação. Três músicas que o casal adora estão sempre na lista: A Filha da Chiquita Bacana, A Turma do Funil e Bloco da Solidão, esta última de autoria de Jair Amorim e do cearense Evaldo Gouveia. Sempre que elas são executadas, o casal deixa os papos e as biritas da mesa de amigos de lado e vai para a folia do salão.
Em determinado ano, com a festa correndo solta, ela chegou ao marido dizendo que precisava ir ao toalete. Especialmente para esses eventos é instalada uma bateria de banheiros químicos, separados por masculino e feminino, então ele disse “Vá lá!”, mas como ela estava sentindo cólicas abdominais, pediu que ele a acompanhasse, pois a questão era sólida e não líquida, e exigia um tempo maior de operação, e uma logística mais complexa, digamos assim.
Ele consultou o caderninho para ver se estava perto das “preferidas”. A Turma do Funil já havia sido executada e ainda faltavam umas tantas músicas para Bloco da Solidão e Chiquita Bacana, que estavam quase vizinhas. Ele concordou e a acompanhou até a área dos toaletes. Ela entrou num banheirinho e mais rápido do que ligeiro, saiu. “Já?”, perguntou ele estranhando a ligeireza do serviço. “Não saiu nada!”, respondeu ela. Sim, em situações assim é normal que o organismo se encabule e não cumpra suas funções.
Passado algum tempo as cólicas voltaram, e ela acionou novamente o maridão para acompanhá-la ao toalete. Caderninho consultado, faltavam duas músicas apenas para as preferidas. Então ele lhe disse: “Peraí... Aguente firme que não perco o Bloco da Solidão nem a pau!”. E foi o jeito ela segurar a barra...
Anos depois o marido teve a oportunidade de conhecer o grande Evaldo Gouveia, e em uma conversa descontraída contou-lhe esse episódio. Ele e todos que faziam parte daquela grande e farta mesa riram bastante daquela situação inusitada, e o autor de Bloco da Solidão se declarou honrado pela deferência em relação à sua música. Seguiu-se um brinde a Evaldo, ao Bloco da Solidão e à cagada que não aconteceu.
Pedro Altino Farias, em 25/04/26
quinta-feira, 16 de abril de 2026
Um dia a casa cai (Os gaiatos) - Episódio 6: Pendências
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Solteirão incorrigível, enfim, parecia ter encontrado em Glória, uma morena clara bonita e simpática, a mulher da sua vida. O romance já colecionava meses, e Glória logo se entrosou com o mulherio da turma. Certa tarde de sábado todos estavam no bar de um amigo, quando, ainda cedo da noite, o casal se despediu e partiu.
Outro casal que lá estava saiu bem mais tarde, e resolveu passar num bar antes de ir para casa. Música ao vivo, boa bebida, estava tudo bem até que o solteirão apareceu no pedaço com outra, uma moça alta, loura, vestida e maquiada com extremo bom gosto, elegante e insinuante. Logo que viu, a esposa tomou as dores da amiga. “Eu sabia! Esse cara é um safado! Tá fazendo sacanagem com a Glória!”. O marido contemporizou, argumentado que isso era problema deles e que não cabia a eles julgar. “Deixe isso pra lá e vamos aproveitar nossa noite”.
Tudo já estava tranquilo com o caso dado como resolvido, quando o solteirão resolveu vir à mesa do casal para se explicar. Disse que tinha tido um relacionamento anterior com a moça que o acompanhava, e alguns assuntos haviam ficado pendentes. Para fechar com chave de ouro, disse que seu advogado o orientou a tratar desses assuntos em local público. Honestamente, era melhor ter ficado calado, afinal, não dá para acreditar que tratavam de assuntos litigiosos às onze horas de uma noite de sábado, num dos bares mais movimentados da cidade, barulhento e lotado, ele todo arrumado e cheiroso.
A mulher seguiu a opinião do marido e deixou o ocorrido para lá, mas na segunda feira metade da cidade dava conta da presença dele naquele bar com a moça elegante. Na terça, a outra metade tomou conhecimento. Talvez o “manto da invisibilidade” tenha caído sobre ele naquela noite, talvez, mas não funcionou e o fato é que... A casa caiu!
Pedro Altino Farias, em 16/04/26
sexta-feira, 10 de abril de 2026
Um dia a casa cai (Os Gaiatos) - Episódio 5: OPS!
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Comentário do autor:
"OPS" é baseada em fatos reais, e a quinta da série "Um dia a casa cai (Os Gaiatos)". As ideias dessa crônica e das outras da série são até boas, mas não tentem fazer igual, porque... Um dia a casa cai!
Solteiro, tranquilo, namorador, tinha um emprego apenas razoável. Certa época, tinha duas fixas. Garotas “de família”, como se dizia antigamente, que poderiam perfeitamente ser efetivadas como esposa. Obviamente, uma não sabia da existência da outra, e vice e versa.
Mas como as despesas de motel para os momentos íntimos são altas, tentava controlar os gastos e sempre levava oito latas de cerveja para serem consumidas durante, as quais colocava no frigobar da suíte para manter a temperatura, tendo o cuidado de não ultrapassar a cota. Porém, certa vez lhe cobraram uma lata de cerveja ao encerrar a conta. Ele pagou, para não fazer confusão, mas ficou intrigado, pois tivera o cuidado de não beber além do seu limite.
Passaram-se umas duas semanas do episódio quando, numa freada brusca, uma lata de cerveja lacrada rolou até seus pés, deduziu que naquele dia realmente bebera somente as oito, só que uma das que levara havia se desgarrado das demais e ficado debaixo do banco do carro, daí consumiu uma do motel. A cobrança foi justa!
Encontro marcado com uma delas, quando a moça entrou no carro ele foi logo contando: “Sabe aquela cerveja daquele dia? Pois é... A conta do motel estava certa, a lata estava aqui no carro!”. “Que cerveja? Que dia? Que motel?”, inqueriu ela, inocente, curiosa e já furiosa. Ops! Namorada errada! Ele tentou explicar, mas só fez complicar ainda mais a situação, então ela o interrompeu, sentenciando: “Eu não quero saber de mais nada! Me leve para casa, por favor!”. E foi assim que, por conta de uma mísera lata de cerveja ... A casa caiu!
Pedro Altino Farias, em 10/04/26
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