quinta-feira, 26 de março de 2026

Um dia a casa cai (Os Gaiatos): Episódio 3 - Perfume de Mulher

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"Perfume de Mulher" é baseada em fatos reais, e a terceira da série "Um dia a casa cai (Os Gaiatos)". As ideias dessa crônica e das outras da série são até boas, mas não tentem fazer igual, porque... Um dia a casa cai!

Era um namorador incorrigível. Com o tempo desenvolveu uma técnica para resolver o problema da incompatibilidade de perfumes. Simples: logo que arranjava uma nova namorada, presenteava-lhe com um frasco de perfume idêntico ao que sua mulher usava. Bingo! Mais um gênio surgia!

O sistema funcionou bem por um bom tempo, mas... A mulher dele mudou de perfume, e ele, simplesmente, não percebeu. Ah!

Certa tarde, saiu do trabalho mais cedo, como fazia com certa frequência, e foi brincar nos braços da namorada de então. Chegou em casa, com aquele ar de cansado, porém, perfumado, e a mulher logo estranhou, mas ele argumentou que esse era o perfume dela, e que ele mesmo o usara antes de sair, pois gostava mais desse do que o dele próprio. “Mas meu perfume acabou faz duas semanas e estou usando o que a mamãe me deu!”, argumentou a sem sorte. E foi aí que... A casa caiu!

Pedro Altino Farias, em 26/03/2026


sexta-feira, 20 de março de 2026

Um Dia a Casa Cai (Os Gaiatos): Episódio 2 - O Viajante

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"O Viajante" é baseada em fatos reais, e a segunda da série "Um dia a casa cai (Os Gaiatos)". As ideias dessa crônica e das outras da série são até boas, mas não tentem fazer igual, porque... Um dia a casa cai!

Naqueles anos pré internet, um representante comercial fazia roteiro de visitas a clientes pelo interior do estado mensalmente. A rotina se repetia sem problemas até que ele arranjou uma namorada, e as ideias para encontrar uma oportunidade para dar uma fugida com ela começaram a surgir.

Certo dia, agraciado por forte inspiração, bolou um plano fantástico. Organizaria sua rotina de forma a poder folgar por uns três dias, simularia um defeito no carro na véspera de uma viagem “inadiável”, e faria seu roteiro de buzão. A mulher o deixaria na rodoviária na partida, e o apanharia quando de seu retorno. A grande sacada era que o indivíduo saltaria do ônibus na saída da cidade, em local onde a feliz namorada o aguardaria para passarem esses dias juntinhos, só no love! No retorno se daria o inverso, ele tomaria o ônibus na entrada da cidade, desembarcando na rodoviária, onde a esposa o aguardaria. Diariamente daria notícias de onde estava e como corriam as coisas, como de costume. Perfeito, simples, genial!

Porém, o ônibus no qual embarcou naquela noite fatídica não chegou ao seu destino. Numa curva perigosa o motorista perdeu o controle do veículo, que desceu uma ribanceira. O acidente fez várias vítimas com ferimentos de leves a graves. O acontecimento foi notícia cedo da manhã em telejornais locais, rádio e jornal. A esposa ficou doida do juízo atrás de notícias do marido e nada! O pânico se abateu sobre ela. Ficou desorientada sem saber a quem recorrer, dando como certa a morte do marido, mas lá pelo meio dia...

Eis que o artista liga para casa de um telefone público alegre e faceiro para dar notícias à esposa. Quando ela atendeu à ligação, ele, ansioso, foi logo falando as boas novas: a viagem foi ótima, chegou cedo, já visitou um cliente e fechou uma boa venda! Foi aí que... A casa caiu!

Pedro Altino Farias, em 20/03/26

sexta-feira, 13 de março de 2026

Um Dia a Casa Cai (Os Gaiatos): Episódio 1 - Dose Dupla

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"Dose Dupla", é baseada em fatos reais, e a primeira da série "Um dia a casa cai (Os Gaiatos)". As ideias dessa crônica e das seguintes são até boas, mas não tentem fazer igual, porque... Um dia a casa cai!

Tinha algumas camisas em duplicatas. Enquanto uma ficava oficialmente em seu guarda roupas, sua cópia jazia no porta malas do seu carro para alguma “eventualidade”. E ele saía por aí sem se importar com manchas de batom ou cheiro de perfume. Quando dava a farra por encerrada, trocava a camisa “bichada” por uma igual, zerada, retirada do porta malas do carro, antes, porém, dava uma amassada de leve nela para conferir-lhe um ar de usada. Ele se achava um gênio por ter inventado esse esquema, e gabava-se contando aos amigos de sua genialidade com orgulho. 

A ideia era boa e por um tempo funcionou bem, um dia, porém, o que era solução se transformou em problemão, pois a bateria do carro de sua mulher amanheceu descarregada. Ela estava atrasadíssima, e ele, ainda na cama de ressaca, disse-lhe: “Vá no meu e deixe o seu aí que eu resolvo mais tarde”. Logo no instante seguinte se tocou: “Putz, me lasquei!”. Mas aí já era tarde, e a vaca já estava atolada no brejo, porque durante o dia a esposa precisou guardar algumas compras no porta malas e... A casa caiu!

Pedro Altino Farias, em 13/03/26



sexta-feira, 6 de março de 2026

Ensinando a comer caranguejo

Meados da década de 80, mês de dezembro, meu irmão mais velho, que à época residia em Belém, estava de férias na capital alencarina, hospedado na casa de nossa mãe. Aparentemente sério, lança mão de muita sutileza e fina ironia para sacanear os amigos. Esse seu período de férias coincidiu com a vinda de um gaúcho, então casado com uma prima nossa radicada em Porto Alegre há anos. Ele veio participar de um congresso de sua área profissional e resolveu ficar o fim de semana para aproveitar mais a cidade e nossa companhia.

Entre "bahs" e "tchês", as conversas com o “primo” se davam sempre sobre o ponto certo do chimarrão, cortes nobres de carne e o jeito gaúcho de fazer churrasco. E tome a falar das tradições da região, da origem do povo e da excelência do padrão de vida deles. Quando começávamos a falar das coisas boas do Nordeste, ele cortava e fazia logo uma comparação com as coisas de lá. Um ciço, como se diz aqui no Ceará. Então...

Convidamos o gaúcho para saborear uns caranguejos na tarde do sábado no Chico do Caranguejo, uma barraca da Praia do Futuro, em Fortaleza, que começava a ficar famosa exatamente pelos seus caranguejos, sempre preparados com capricho. Ele não tinha familiaridade alguma com os “peludos”, então, meu irmão assumiu a função de ensiná-lo como degustar a iguaria, e logo começou seu “tutorial” ao vivo e a cores. Pedimos a primeira bacia com uns cinco bichos bem graúdos e apetitosos, àquela época servidos num caldo ralo e amarronzado, nada gourmetizado.

Meu irmão começou pelas patinhas pequenas, comendo a papa pelas beiradas, como se diz no popular. “Primeiro você parte assim e depois chupa. Se a carne não sair, aí você dá uma batidinha de leve com o pauzinho”, ensinou. “Agora é a vez da patona. Batendo assim, a carne sai inteirinha!”, demonstrou ao gaúcho, deixando-o com água na boca.

Até esse momento tudo ia bem. Era meu irmão demonstrando, o gaúcho fazendo igual, e eu assistindo a marmota para ver aonde ia dar, enquanto apreciava aquelas delícias. As cervejas e cachaças corriam soltas, e o papo também. 

O gaúcho já se sentia um verdadeiro expert na arte de comer caranguejos, quando meu irmão disse: “Agora vamos comer a ‘cabeça’ e depois preparar o casquinho”. Então ele retirou a carapaça do bicho, deixando-a de lado e ensinou: “A gente limpa aqui...”, referindo-se às brânquias do bicho, que fazem as vezes de pulmão, “... e lava no caldo”. O primo começou a não gostar da estória, mas continuou fazendo igual... Então, só de sacanagem, meu irmão deu a dica de ouro, que fez toda a diferença: “Aí você prova. Se estiver amargando, é porque ainda tem merda, aí você lava mais um pouco e...”. Ficamos só nesses cinco primeiros caranguejos mesmo, porque o gaúcho travou, não tomou mais um gole de cerveja sequer, e, sacrilégio, dispensou até a sagrada saideira! Um saco! 

Pedro Altino Farias, 06/03/26