sexta-feira, 3 de abril de 2020

Episódios de Chico Litro - resumo V



-Chico Litro,tu sabe matemática?
-Marromeno...
-Pois quanto é 51 dividido por dois?
-Meio Litro pra cada!

*****

- Ciribá tú vai tomar uma?
- Vou não seu Chico!
- E tu veio aqui só ser Testemunha, foi?
(colaboração Assis Nildes)

                                                 *****

- Ô dô lascada no meu dedão do pé!
- Chico, eu acho que tu tá é com a gota!
- Que gota o que, Santinha, meu negócio é dose!
  (colaboração Assis Assisnildes)

*****

- Tu vai pedir à Santinha pra ela deixá tu ir lá no churrasco do João?
- Num tenho qui pedi nada a ela, não. Se eu quiser eu vô e pronto, ela qui se lasque!
- É, mas naquele dia tu qui se lascô purque ela num deixô tu ir, tu foi, e depois ela deu na tua cara.
- Deu, mas num doeu...

*****

- Cadê as batata qui eu mandei tu comprar, Chico Litro?
- Tava prestando não, tudo pôdi...
- E cadê o dinhêro qui eu lhe dei?
- Valha-me Deus, Santinha, perdi os dinhêro!!
- Perdeu porra nenhuma, seu fí duma égua! Tu fez foi bebê! SSPLASCHH!

*****

Chico Litro filósofo:
"Quando a amizade é feita bebendo leite é mais fácil azedar".

*****

- Chico Litro, responda rápido: seriguela ou cajá?
- VIXE!!

*****

- Ei, Chico Litro, tu qué rachá uma garrafa de vodka comigo?
- Bebo isso não, Zé Siriguela... Sô proibido...
- É? Por quem? Pelo médico ou pela Santinha?
- Por mim mermo... Da última veis qui bebi essa desgraça perdi o juízo e só fui achar depois de um mêis... 

*****

SANTINHA, A SÁBIA
- Chico Litro, tua cachaça tá acabando, é? Peraí que vô ali na venda trazê ôtra.
- Diabeisso, Santinha, tá doente, mulhé? Qui bondade é essa uma hora dessa?
- Meu fí, já ouvi tanta estóra de homi qui saiu pra comprá cigarro e num voltô nunca mais, qui é milhó e ir logo buscá essa pinga só pra garantir...
(Colaboração Luis, no balcão da Embaixada) 

*****

- A humanidade sempre se pergunta: e nós, aonde vamos? O que você acha disso, Chico Litro?
- Rapaz, vocês eu num sei não, mas eu tô indo pru bar do Toim tomar a premeira do dia... E já tô atrasado! 

*****

Chico Litro filosofando no uatizápi:
"Não existe mulher mandona, existe é muito homem que diz sim, senhora'".
-EI, CHICO LITRO, LARGA ESSE TELEFONE DE MERDA E VEM LOGO LAVÁ AS LOUÇA SUJA!!
-Tô indo, Santinha, tô indo...

*****

- Rapaz, acho qui vô passá o dia no cimitero hoje.
- Pur que, Chico Litro, vai visitar teus parente morto?
- Não, é que a ressaca tá tão escrota, qui tô mais morto do que vivo... 

*****

- Ei, Chico Litro, tu tá sabendo qui o Valmar foi papai?
-Tô, sim.
-Intão vamu cobrá o mijo do minino pra nóis bebê, né?
- Zé Siriguela, do jeito qui aquilo é seguro, capaz d'ele trazer é o mijo do minino mermo pra gente bebê... Milhó deixá queto...
(Colaboração Júlio Augusto)

*****

Santinha interrogando Chico Litro:
- Chico Litro, eu num intendo... Pur quié qui aqui im casa tem cachaça de todo jeito e tu vai bebê lá no Bar do Toim?
- E pur quié que aqui em casa é chei de estauta de santo e tu vai rezar na igreja?
(Colaboração Marcão, no balcão da Embaixada)

*****

Num domingo desses, Chico Litro foi com Santinha almoçar na casa de um compadre. Ao fim da refeição o anfitrião observou:
- Mas tu come bem poquim, né cumpadi?
Então, num misto de ingenuidade, distração, sinceridade e sarcasmo, Chico Litro respondeu "na lata":
- É... Mas só quando o comê é rúim...

*****

- Chico Litro, tu vai bebê hoje?
- Bebê eu vô, só num sei quantas...

*****

- Tu viu ônti a briga do Agenor c'ua Jerusa, Chico Litro?
- Vi.
- E tomô partido di quem?
- Eu num tomei nada di ninguém, tomei foi minha cachaça mermo...

*****

- Zé Siriguela, eu acho qui tô doente, desda hora qui acordei hoje inda num sinti vontade de bebê, ó.
- Vixe! Se tu acha qui tá doente, eu tenho é certeza, Chico Litro. E é grave, viu??

*****

- Ei, Chico Litro, tu lembra daquela atriz, a Sandra Bréa?
- Vixe! Muitas veiz fiquei todo breado por causa dela...

*****

- Óia, Santinha, vô logo avisando.., Se um dia eu chegá aqui em casa e tu tivé cum ôtro macho aqui dendicasa, volto pru bar na merma hora e só venho pra casa quando tivé bebo bosta, viu?

*****

- Olha, Chico Litro, tu num bebe nadinha hoje, viu? Se tu bebê eu te lasco em banda quando tu chegá em casa!
- Tá certo, Santinha, tá certo. Intindi.
Aí, lá pelas 2 da manhã, chega Chico Litro em casa mais melado que espinhaço de pão doce...
- E tu chega melado às duas da manhã, Chico Litro? Eu num te disse qui num era pra tu bebê, seu fi duma quenga?
- Di... Di... Disse, Satinha...
- E purquiê qui tu bebeu?
- É... É... Qui eu se isqueci...

*****

- Tava sumido, doutor?
- Trabalhando, Chico Litro. Eu sou assim, se não trabalhar, adoeço.
- E eu sô assim, se trabalhá é que fico doente... Ei, Toim, traz mais uma aí!!
(colaboração Romeu Duarte e Roberto Paiva no balcão da Embaixada)

*****

- Chico Litro, a Santinha te deu alvará pra tu bebê hoje?
- Deu não. Hoje ela deu um ALVARENGA.
-Alvarenga? Quidiabeisso?
- Mistura de alvará com arenga. É osso!!

*****

- Ei Chico Litro, tu num disse à Santinha qui num ia bebê hoje? Tá quebrando a palavra, homi?
- Zé Siriguela, o pobrema num é quebrá a palavra, o pobrema é a Santinha quebrá minha cara...

*****

- Ei, Santinha, qui pancadaria é essa aí na cunzinha?
- É qui eu tô rachando um côco seco, Chico Litro.
- Facisso não, mulhé!
- Pur que? Tá cum pena do côco, é?
- Do côco, não, tô cum pena é da quenga!

*****

- Chico Litro, essa cachaça é forte?
- Só para os fracos!

*****

- Dr, tu bebe é muito de uísque cum gelo, né?
- Chico Litro, eu bebo tanto, que acabei enjoando o gelo...

*****

A conversa no bar do Toim estava acalorada. O assunto era sério e estavam todos estressados, então, Chico Litro, o filósofo, lá do canto do balcão diz:
- Pessoal, vamu levá a bebida a sério e conversá só besteira, vamu?
(colaboração Roberto Paiva, no balcão da Embaixada)

*****

- Ei, Chico Litro, meu zap tá sem funcionar direito, e o teu?
- Rapaz, nas minha calça eu só uso é zip mermo...

*****

- Ei Chico Litro, tu vai hoje ou amanhã?
- Depende, né, macho véi. Se for para a casa da minha sogra, é nunca; Se for pra ir trabalhar, sei nem quieisso...
- E se for pra bebê?
- Ah, aí é todo dia o dia todo!!

*****

- Ei, Chico Litro, telefone pra tu.
- Diz aí qui num tô.
- Mas tu tá!
- Mas tô muito ocupado...
- Ai vai, ocupado cum quê?
- Tô bebendo, porra!! Tá vendo não, abestado?? 

*****

CHICO LITRO NA RESISTÊNCIA
Um sobrinho cabeça do Chico Litro chegou e perguntou ao tio:
- E aí, Tio, tamu junto na resistência?
- Meu fí, resistência pra mim é ficá até o mei dia sem bebê...

*****

Chico Litro no prego de álcool:
- Chega, Toim, tô ficando no prego de álcool, cadê a meiota que pedi, macho véi?? Açulera aí, vá lá!
(Colaboração Ana Paula Goes)

*****

Ir ou não ir, eis a questão, segundo Chico Litro (depois de umas tantas):
"Eu só não fui purque num tinha ido mermo, sinão eu num tinha ficado aqui".

*****

- Quidiabeisso, Chico Litro, cê's vão todo dia qui Deus deu praquele bavéi, e todo dia cê's bebe cachaça... Nãnhh...
- Santinha, minha fia, ONDE TEM CORRIOLA A CACHAÇA ROLA! (Colaboração balcão da Embaixada) 

*****

- Tu viu o jogo ônti, Chico Litro, nosso time só num ganhô pur azá... Perdeu uns sete gol feito, rapaiz! E aquele juiz FDP ajudando o ôtro time... Ai que raiva...!
- Zé Siriguela, no próximo jogo vô assistir na tua casa..
- Pur que?
- Purque lá na tua televisão nosso time jogo muito mais melhó do que na televisão lá de casa...
(colaoboração Sérgio Simonetti e Roberto Paiva)
Obs: qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência.

*****

Filosofia do Chico Litro
"É milhó perdê o juízo do que perdê dinheiro, e é milhó achá dinheiro do que juízo"... (do balcão da Embaixada)

*****

- Vamu tomá umas hoje, Zé Matuto?
- Vô não, Chico Litro... Se eu bebê na sexta, num bebo no sábado.
- Baitolage é essa, macho?
- Né baitolage, não, é ordem da patroa mermo..

*****

- Tá cum dois dia qui tu tá encangado cum esse bode véi... Larga esse bicho, Chico Litro!
- Arreégua, Santinha! Tu passa quatro dia cum teu bode e eu num digo nada, agora só purque tô passeando cum meu bode tu fica encrencando...

*****

- Tu vai pra onde, Chico Litro?
- Vô pra Imbaxada tomá umas cana...
- Cum esse chuvueiro? Tá um chuva lascada lá fora!
- Sô feito de açúcar não, Santinha!

*****

- Tu viu a notícia no jornal, Chico Litro? Teve 70 tremor de terra no sertão do Ceará de domingo até quarta...
- Setentá? Em quatro dia? Só? Ô bestêra! Rapaz eu tremo é o tempo todo, todo dia, até tomar a primeira...

*****

- Santinha, tô indo pru bar do Toim, viu?
- E vai mermo cum essa mão machudada, Chico Litro?
- É por isso qui tô indo cum meu segurança...
- Segurança? Que segurança é esse?
- O Chico Matuto...
- Ha, ha, ha! Como é que um mago véi, amarelo e desdentado desse é teu segurança, hômi? Ha. ha, ha, ha...
- É que ele vai segurando meu copo...
(Colaboração Zé Mineiro, dia desses na casa do Cumpade Inoldo)

*****

A reportagem abordou Chico Litro na praça:
- Qual seu nome?
- Chico Litro, pois não?
- Seu Chico Litro, o senhor acha que esse ano o inverno vai pegar?
- Eu tenho é certeza que ele já ME pegô!

*****

- E aí, Chico Litro, tá gostando das chuvinha?
- Rapaz, esse inverno inda vai acabá comigo...
(colaboração Romeu Duarte, no balcão da Embaixada)

*****

- Tomaí, Chico Litro, um litrão de cachaça pru teu carnaval! Será que dá pra se melar pelo meno um dia?
- Que dá, dá... É só a Santinha deixar!
(Colaboração Júlio Augusto, no balcão da Embaixada)

*****

- Chico Litro, o Zé Matuto tá te esperando lá no bar pra bater papo, tu vai não?
- Eu não...
- Mas pur que não, ômi? Ele gosta é muito de tu.
- É, mas ele tem umas conversa de fundo de abismo qui num dá não, ó!!
(Colaboração Galileu, no balcão da Embaixada)

*****

Chcio Litro no caranaval 2019
- Chico Litro, tu devia se fantasiá de garrafa de cachaça pra brincar o carnaval. Tudo mundo ia achá legal!
- Dá certo não, Zé Siriguela.
- Pur que não, ômi?
- Purque eu ia ficá cum vontade de me beber todim...

*****

Chico Litro no carnaval 2019
- Ei Chico Litro, tu tem coragem de dizer pra Santinha qui nóis vamu lá no carnaval da Zefinha?
- Zé Siriguela, coragem eu tenho, o qui eu num tenho é vontade de morrê agora.

*****

- Ei, Chico Litro, tu disse qui ia milhorá em 2019... Hoje já é oito de janeiro e até agora nada!
- Calma, Santinha. Eu disse que ia milhorá em 2019, mas num disse o dia... Hehehe...
- Tá gaiatiim, né? Apois tome!
(SPLAAAASH!!)

*****

- Chico Litro, o calor tá di lascá hoje... Tira esses'ovo do sol, sinão eles num vão servir mais pra nada...
- É mermo, Santinha. Vou tomar minha cachaça é ali na sombra qui é milhó.

*****

- Ei Chico Litro, os marginal tão butando fogo na cidade, tu num tá cum medo não?
- Eu não! A briga deles é cum os guvernadô e que guverna lá em casa é a Santinha... Eles qui se entendam cum ela... Aí vão é si fudê tudim... hehehe... Ei, Toim, bota mais uma meiota aqui. vá lá!

*****

- Chico Litro, amanhã vamu lá naquela churrascaria nova que te falei?
- Rapaz, amanhã vô tá notro estado.
- E tu vai viajar, é?
- Não. Vô tá no estado de embriaguês...

*****

- Chico Litro, vamu lá visitá o Ze Coroinha?
- Rapaz, o Zé Coroinha num bebe... será qui ele vai dá uma boa "alcoolhida" pra nóis?
(colaboração Gabriel Targino, no balcão da Embaixada)

*****

- O governador foi preso dentu do palaço? Vixe, doido, isso é muito pior do qui a mulhé tirar a gente de dentu do bar na frente dosamigo tudim...
- É mermo, Chico Litro... É mermo...

*****

Plena terça feira, 10 da manhã, Chico Litro no Bar do Toim tomando umas...
- Tudo bem, Chico Litro?
- Rapaz, marromeno...
- Marromeno purque, ômi?
- É esse governo, qui num dá condição...

*****

Filosofia chicolitrense:
O ruim não é ser mandado pela mulher, o ruim é obedecer!

*****

Toim, tu tem cravo aí?
- Cravo? Tem lá cravo porra nenhuma aqui, Chico Litro! Pra qui é qui tu qué cravo, homi?
- É pra disfarçá o bafo de cachaça pra Santinha num notá qui eu bebi...
- Marrapaz, e tu acha mermo qui um cravozim de merda vai desfazer o bafo de um litrão de cachaça? Te alui, homi, e se prepara pra apanhá qui é milhó!!
- Valha-me Deuso!

*****

- Snif, snif, snif...
- Qui foi, Chico Litro, que churumingo é esse, ômi?
- Snif... Eu e a Santinha briguemo e ela mandou eu se lascar... Snif...
- Mas mandou se lascar de que?
- E eu sei lá, Zé Siriguela...Snif...
- Intão pur que tu num se lasca de bebê, porra?
- Rapaz, é mermo! Ei, Toim, baixa um litrão aqui por conta da Santinha!

*****

- Chico Litro, amanhã é feriado, tu sabia?
- Rapaz, pra mim num tem moleza, feriado é um dia ingualzim ûsôtro e amanhã vô fazê o qui faço todo dia: BEBER!!

*****

Chico Litro adolescente, vendendo laranjas na rodoviária para defender o da cachaça:
- Olha a laranja, olha a laranja! Uma é trezento, três é mil; uma é trezento, três é mil!
E o povo...
- Ei me dá três aí!
- Eu quero três também!
- Ei, minino, me dá três aí...! 

*****

No almoço do Dia dos Pais...
- Chico Litro, meu filho, você num tem vontade de trabalhar, não?
- Pai, vontade eu tenho, mas eu me controlo!!
(Colaboração Figueiredo, no balcão da Embaixada) 

*****

- Chico Litro, o Sol hoje tá de lascar, tira essesovo da cadeira quente, sinão vão se estragar e num vão serví mais é pra nada!
- É mermo, Santinha, vou tomá minha cachaça é bem ali, debaixo da sombra castanhola...

*****

- Chico Litro, a Mundinha tá chamando os casal pra fazê retiro espritual no carnaval. Vamu também, Chico?
- Conversa é essa de retiro espritual, Santinha? Nois vamu lá o que, mulher? Se tirarem os espritu da gente a gente morre, criatura!

*****

- Ei seu Eufrásio, paga uma cachaça aí pra mim, vá lá...
- Chico Litro, só pago bebida pra quem usa saias.
- Pois peraí que eu volto ja, viu? É bem ligeirim!

*****

- Chico Litro, tu tem medo de sê assaltado?
- Zé Siriguela, se minha garrafa tiver pra mais de meia, tenho sim! Se não, o cara pode levar que não faço impeim..

*****
Parodiando Che:
Hei de perder a sobriedade, mas o copo, jamais!
(Chico Litro)

*****

- Chega Dona Santinha, Seu Chico caiu na calçada!
- Caiu não, esse fí d'uma égua fez foi capotar! Quando ele ficar bom ele se alevanta sozinho...
- Mas Dona Santinha, Seu Chico Litro caiu e quebrou a garrafa!
- Valha me Deusu! Chega, esse mininu, corre lá que o negócio é serio!!

*****

- Come aí um tiquim desse mungunzá salgado, Chico litro.
- Rapaz, gosto de milho não...
- Apois ao meno belisca da linguiça.
- Também num gosto, não. Pra dizê a verdade, num gosto muito de comê não, ó!
- E de bebê, tu gosta?
- VIXE!!

*****

- Ei, Chico Litro, baxa essa música aí, macho! Tá moco ou tá cum cera nosovido?
- Cera porra niuma... Eu tô muito é bebo!! 

*****

Chico Litro Politizado:
- Ei, Chico Litro, tão dizendo qui o povo vai elegê um ditador, ó.
- Vixe, tô é lascado! Fui péssimo em ditado na escola...

*****

Chico Litro politizado:
- Ei, Chico Litro, tão dizendo qui o Andrade virou, tu acha qui é verdade mermo?
- Rapaz, numa coisinha qui num me meto é na vida alêa...

*****

- Ei, Chico Litro, qui cachaça diferente é essa qui tu tá bebendo? De onde ela vei?
- Zé Siriguela, eu num quero nem sabê de onde ela vei, eu quero é sabê pra donde ela vai me levá...

*****

Depoimento sincero de Chico Litro:
"Cachaça? Não gosto dessa bicha, não, mas bebo por penitência, purque tenho um ruma de pecado pra pagar..."
(colaboração Luiz Almeida

*****

- Ei, Chico Litro, atende aqui o celular, é pra tu.
- Cadê meu óculos, Santinha? Tu sabe qui num escuto direito sem óculos, num sabe?
(Colaboração Clóvis Neto, no balcão da Embaixada)

*****

- Toim, tô c'uma fome lascada, o qui é qui tem aí pra comê?
- Pão cum mortadela, qué?
- O pão é novim?
- Não, de ônti... Tem coxinha também...
- É de quando?
- Veio de manhã cedo...
- Rapaz, me dá uma talagada de cachaça e uma banda de limão mermo, vá lá!

*****

Alta estação, um gringo pergunta ao Chico Litro:
- What's your name?
- Ai dentu, alma fresca!
- Do you speak english?
- Fala direito, porra, tá pensando qui num sô abestado não, é?

*****

Dia desses, na hora do almoço...
- Taí teu almoço, Chico Litro.
- E cadê o refresco? Tu sabe qui eu fico cum secura na boca e me ingasgo se num tivé refresco, num sabe, Santinha?
- Ah, tem hoje não.
- Arrégua, Santinha, lai vai eu tomá cerveja fora de hora di novo...

*****

- Tu viu, Chico Litro, a eleição pra presidente foi pru segundo turno, e o segundo turno é outra eleição...
- Rapaz, ainda bem, porque aqueles candidatos do primeiro turno... Nãnn!.

*****

Chico Litro sendo entrevistado em pesquisa:
- Eu sou do IBOPE e estou fazendo uma pesquisa para eleição de presidente. Por ordem alfabética, o senhor vota em Haddad ou Bolsonaro?
- Peraí, fala di novo qui num intendi nada!
- O senhor vota em Haddad ou Bolsonaro?
- Essa parte eu intendi, eu num intendi foi quando tu disse qui é do IBOPE...

*****

- Ei, Chico Litro, qui banquete é esse?
- Esse torresmo foi o Romildo lá do Bar Camocim quem mandô pra mim; esses "cara se lasca" foi o Sílvio, o Rocha e o Régis qui pescaro e me dero pra tira gosto; e essas linguiça foi o Matuto qui troxe de Itapajé. Vô pedi pru Toim pra torrar as linguiça e os peixe e aproveitá o óleo pra fazê uma batatinha pra nóis... O Altino tá chegando c'uma cana da boa e o Romeu cum a vontadade de comé. Senta aí, macho véi, vamu inchê o buxo...
- Rapaz, tu já ouviu falar em colesterol? Sabe o qui é?
- Sei sim, craro! Colesterol é aquele negoço qui eles botam na comida pra ela ficar gostosa, né? 

*****

- Chico Litro, com quantas doses de cana tu fica alto?
- Rapaz... Vou te dizer... Eu tenho é bebido, viu, mas continuo da merma altura de sempre...

*****

- Chico Litro, há quanto tempo! Conte as novidades!
- Deixei de bebê depois d'amanhã faz dois dias... Vamu comemorá?

*****

- Chico Litro, tu tá sabendo qui no dia eleição é proibido consumir álcool?
- E beber, pode?
- Porra, Chico, tá frescando cum minha tela? Beber e consumir é a mesma coisa!
- Ah, sim, entendi. E vai ter bafômetro na hora de votar?

*****

Sem noção do ontem, do hoje e do amanhã, numa ressaca danada, Chico Litro conversa com seu Tio Pìtú e Zé Matuto:
- Perdi o pagode na Embaixada ônti, ó Tio Pitú.
- Mas o pagade é hoje...
- E hoje é sábado?
- É, sábado.
- Valha, e eu pensei que ônti tivesse sido sábado... E o pagode da Embaixada é hoje?
- É.
- E hoje é sábado?
- É.
- Ei, Zé Matuto, vamu lá no pagode da Embaixada mais tarde que o pagode é hoje, num é domingo não.
(colaboração Tio Pitu) 

*****

- Ei, Chico Litro, tu vai votá em quem?
- Rapaz, o voto é secreto.
- Mas nois semo amigo, homi... Diz aí pra quem tu vai votá.
- Tá bom... Meu voto é pra tu, Zé Matuto.
- Pra mim? Mas eu num sô nem candidato, Chico...
- Meu voto é pra tu me pagá uma meiota agora, e num aceito não como resposta! Ei, Toim, uma meiota aqui por conta do Matuto vá lá!

*****

- Ei Toim, arranja aí uma faca pr'eu lascá aqui esse quejo!
- Chico Litro, cê sabe que faca aqui tá proibido, num sabe?
- Arreégua, macho véi, num vô furá ninguém, não, porra, é só pra lascá um quejo curado...
- E nem me venha falar de doença aqui, não! 

*****

- Ei, Chico Litro, tu tá bebendo de segunda a segunda, é demais, viu! Vamu vê si tu manera, sinão num vai dá certo!
- Tá bom, tá bom, Santinha. Agora vou começar na quinta, tá legal?
- Ah, assim tá bom!
- Pois é... vai ser intão de quinta a quinta... hehehehe...
- Caba safado!!"
SPLASSHH!! 

*****

Atenção! Chico Litro acaba de se posicionar politicamente, declarando ser totalmente a favor da LIBERDADE DE INGESTÃO!

*****

- Ei, Chico Litro, amanhã de noite é o aniversário da minha patroa e a gente vai fazer uma comemoraçãozinha lá em casa e queria que tu fosse cum a Santinha.
- Vai ter uma biritinha?
- Claro!
- Ah, intão eu vou.
- Tá bom, mas vê se chega legalzinho, tá?
- Rapaz, num bote catinga nu negóço não! 

*****

- Chico Litro, cadê o Zé Siriguela?
- Deve tá bebo pelaí...
- Faz falta o Zé aqui no bar.
- Apois é... O Zé, ou faz falta, ou faz raiva.
(colaboração: Júnior no balcão da Embaixada) 

*****

Chico Litro capota no sofá da sala, prato de sopa sujo, emborcado no chão. Vestido de ontem, boné na cabeça, inclusive, é acordado de manhã pela Santinha que esparra:
- Parece um retardado mental dormindo assim, todo vestido! E quase derrama a sopa no chão! Você acha isso bunito?
- Se é bunito num sei... só sei qui foi muito foi bom!
SPLAAASCHHH!!
(Colaboração: balcão da Embaixada)

*****

- Chico Litro, parece qui a safra de caju esse ano vai ser boa... Vai ter castanha pra danar!
- Porra de castanha, vai ter muita é cachaça! 

*****

- Ei, Chico Litro, arrumei um serviço ali no domingo pra gente descolar uma grana.
- Rapaz, no domingo num trabalho nem pra minha mãe!
- Então tu topa fazer na segunda?
- Na segunda é o Dia do Profissional lá na Embaixada.... Num vai dá.
- E qual e o dia qui dá pra tu? A grana é boa!
- Pra falar e verdade, Zé Siriguela, num me leve a mal, mas esse ano eu tô de férias.
(Inspirado nas brincadeiras do amigo Chico Pio) 

*****

Bar lotado, o Toim anuncia:
- Ó, pessoal, o bar tá lotado e num tem banco pra tudo mundo, não, então vamu fazê um rodízio de bunda e cada um fica sentado um pedaço. Ai um papudim pega o caneco de pinga do Chico Litro e bebe pensando que era o dele, e Chico Litro reclama:
- Peraí, rodizio de bunda, tudo bem, mas de copo, tô fora!
Nesse momento iam entrando dois forasteiros no bar e um diz pru outro:
- Rapaz, vamu vazar desse bar que isso aqui é coisa de viado!

*****

- Ei, Chico Litro, ganhei uma garrafa de vodka, vamu tomá?
- Eu não!
- Mas pur que não, macho véi? Tu num gosta de vodka, não?
- Eu, heim? Saporra vem misturada com amnésia...!!!
(Colaboração Carla Almeida ao balcão da Embaixada)

*****

De pai para filho:
- Chico Litro, meu filho, você num tem vontade de trabalhar, não?
- Papai, vontade eu tenho, mas eu me controlo!

*****

- Tu num tá vendo o debate,não, Chico Litro?
- Rapaz, gosto de confusão, não, ó...!
- Né confusão, não, homi... É debate dos presidenciavi...
- Apois num gosto de mintira também não, ó...!

*****

Filosofias Chico Litrenses:
- Hei de perder a sobriedade, mas o copo, jamais!
- O melhor despertador que existe é a vontade de mijar!
- Todo jogo é bom, só depende do lado qui tu tá! 

*****

- Chico Litro, tu é comunista?
- Quidiabeisso, macho véi?
- Dizem qui o comunista divide o que tem cus'ôtro
- Nem vem qui num tem! E pode tirar logo a mão da minha cachaça, seu fí d'uma quenga! 

*****

- Chico Litro, tu tem medo de viajar de avião?
- Tenho lá nada! Sendo por terra e a estrada for bem larga, tudo bem....

*****

- Chico Litro, quando é teu oniversaro?
- Rapaz, pelo qui minha mãe sempre falô, é no dia qui eu nasci, mas comemoro todo dia... Paga uma pra aí, vá lá! 

*****

- Chico Litro, pur quê tu gosta tanto de côco?
- E eu sei lá... Acho que é pur causa das quenga...! 

*****

Chico Litro e a Copa:
- Chico Litro, sexta feira vamu pegá a Bélgica!
- Rapaz, ela num tem uma prima bunitinha não? Esse negoço de dois homi e uma mulhé comigo num dá legal não!

*****

- Chico Litro, responda rápido: copa ou copo?
- Garrafa!!

*****

- Chico Litro, esses dias meu coração tá verde e amarelo!
- Vixe, Santinha, apois corre lá na UPA qui é capaz de tu tê um troço!!!

*****

Dia desses, na Embaixada...
- Chico Litro, é verdade qui tu já foi jogador de futebol?
- É, Zé Siriguela.
- E tu fez muito gol?
- Muitos.
- E pur que tu parô de jogá?
- Tava atrapalhando minha cachaça... Mais uma aí, Altino, vá lá...! 

*****

- Chico Litro, onde tu vai vê o jogo do Brasil?
- No Bar do Toim.
- Mas como tu vê !á si lá num tem nem televisão?
- Mas tem cachaça! 

*****

- Chico Litro, quanto tu acha qui vai sê o jogo do Brasil amanhã?
- 3 a 2.
- Pru Brasil ou pra Sérvia?
- Nem um, nem ôtro... 3 meiota pra mim e duas pru Zé Siriguela nos 90 minuto. 

*****

- Chico Litro, Vamu cumê lá Mazé amanhã? Disse que lá tem uma comida caseira boa demais!
- Zé, de cumida caseira pra mim basta a Santinha mermo... 

*****

- Tu tá sabendo, Chico Litro, o Roberto Carlo morreu!
- Rapaz, diguissonão, eu adoro o Roberto e as música dele...
- Foi esse Roberto não, macho réi, é o que bebe lá no bar do Jacaré...
- Arreégua, fulerage! Quase me matou de susto... Fiquei foi bonzim... Agora vô tê qui bebê tudo de novo... Fí dumaégua! 

*****

- Chico Litro, me disseram qui tu tá com ferrentina alta, qui diabo é isso, homi?
- É muito ferro no sangue.
- Égua!
- Um bucado de amigo nosso tem também... Tô até pensando em fazer um bloco de carnaval...
- E qual vai sê o nome do bloco?
- FERRO VELHO!!
(inspirado em papos no balcão da Embaixada) 

*****

- Ei Chico Litro, tu qué qui eu pague uma pra tu?
- Não! Eu quero qui tu pague é 10! Aliás, quanto é qui tem mermo no bolso, heim? 

*****

- E aí, Chico Litro, tu vai tumá vacina hoje?
- Nem hoje, nem nunca! Eu bebo todo dia,meu amigo. Não como lá essas coisas e os copos aqui do bar do Toim são mei seboso... Inda aguento as bronca da Santinha...E tô aqui, vivim, pra que quê porra de vacina?

*****

Toim:
- Chico Litro, a Santinha acabou de ligar pra sabê se tu tava aqui... ela disse que tá vindo pra cá, viu?
Zé Siriguela:
- E ônti a Maria Meiota falou qui vinha aqui pra te vê...
Mundim:
- Vixe! Aquela tua "prima" também disse que vinha também...
Chico Litro:
- Êita, Toim, eu tô é lascado! Bota pra rodar aquela música do Roberto Carlo... "Querem acabar comigo..."
(colaboração: balcão da Embaixada) 

*****

- Ei, Chico Litro, tá na moda mudá de nome, tu vai mudá o teu também?
- Rapaz, se'u pudesse eu trocava era de mulhé... 

*****

- Chico Litro, tu bebi tanto qui se tu pará de bebê agora teu figo vai demorar uns dez ano pra se recuperá, sabia?
- E nem precisava saber... 

*****

- Êita, Chico Litro, o qui é qui tu vai fazê cum esse litrão de cachaça, hein?
- Vô bebê todim!
- Vixe, bebê todim mermo? Tu é doido homi?
- Sô, sim... POR CACHAÇA!
(Colaboração Roger, no balcão da Embaixada) 

*****

- Gente boa aquela mulhé do Nonato, viu, Chico Litro? Ela só é ruim na hora de liberá o homi pra bebê...
- E isso lá é gente boa coisa niuma, Zé Siriguela! Isso é o cão em forma de gente!

*****

Toim:
- Zé Siriguela, o Chico Litro taí desde de cedo só bebendo... Vê se leva ele pra cumê que o hômi tá só a grade!
Chico Litro:
- Ôpa, Toim! Tá me desconhecebdo, rapaz!? Me cumê mermo não, viu? Olha o respeito! 

*****

- Tu viu, Chico Litro, a ressacona do mar?
- Até ele? Ônti foi demais... Eu também acordei todo lascado!

*****

- Ei, Chico Litro, vamu visitá um museu? Morro de vontade de conhecer um...
- Museu? E o qui é qui tem lá dento, ZÉ Siriguela?
- Coisas antigas, velhas, que fazem parte de alguma história. Tem obras de arte antigas também... Deve ser legal...!
- Mas tu intende de tudo mermo, Zé... Mas rapaz, carece d'eu ir nesse tal museu não purque de coisa velha lá em casa tá cheim, a começá pela Santinha... Vamu lá intão? Aí a gente aproveita e toma umas cachaça...

*****

- Tô indo lá pru bar do Toinho, viu Santinha?
- Já lavô os prato da janta?
- Lavo quando eu chegá.
- Não sinhô! Tu chega melado e num lava bem os pé pra durmi quanto mais a louça da janta. Se num lavá num sai!
- Arre égua! (sussurrando baixinho) 

*****

- Ei seu Eufrásio, paga uma cachaça pra mim, vá lá...
- Chico Litro, só pago bebida pra quem usa saias.
- Pois peraí que eu volto ja, viu? É bem ligeirim! 

*****

- Ei, Chico Litro, vai pra aonde no carnaval?
- Lençóis...
- Lençóis Maranhenses? Que chic! Coisa de rico, heim, Chico?
- Que Maranhão porra nenhuma, Zé Siriguela! Lençóis da cama mermo, fidumaégua! a Santinha me proibiu de botar os pés fora de casa no carnaval todinho!

*****

- Olhaí, Chico Litro, eu truxe uma sardinhazinha pra tira gosto.
- Rapaz, me dêxe cu'minhas siriguela mermo qui tá bom... 

*****

- Chico Litro, se tu fosse condenado a 12 anos de cana o qui era qui tu fazia?
- Nada. Ia ficá tudo na merma...
- Na merma?
- É, eu tô na cana a uns quarenta ano... mais doze num vai fazê diferença niuma.

*****

- Chico Litro, a Mundinha tá chamando os casal pra fazê retiro espritual no carnaval. Vamu também, Chico?
- Conversa é essa de retiro espritual, Santinha? Nois vamu lá o que, mulher? Se tirarem os espritu da gente a gente morre, criatura! 

*****

- Ei Chico Litro, tu vai brincá o carnaval?
- Rapaz, eu acho é que o carnaval é qui vai brincá comigo... 

*****

- Mulhé, tava conversando no bar do Toim cuns minino, e acho que quando eu morrer vô querê sê cremado...
- Cremado? Hahahaha... Coitado do dono do cimitéro...
- Pur quê tu diz isso, Santinha?
- Purque com esse álcool todo dentro de tu, vai demorar uns oito ano pra terminá de queimá... Hahahaha... (colaboração Valtinho, no balcão da Embaixada)

 *****

- Chico Litro, pur que tu nunca pede uma meiota?
- E pur que tu acha qui meu nome é Chico Litro? Abestado... 

*****

- Chico Litro, o pessoal tão perguntado se tu é coxinha ou mortadela.
- Rapaz, pra mim uma banda de limão ou um píper já resolve... 

*****

- Vai comê o tira gosto qui eu truxe não, Chico Litro?
- Eu não, Tio Pitú... Num é carne de lata? Se eu cumê vou cortar minha língua toda.
(colaboração balcão do Gentilândia bar) 

*****

- Chico Litro,eu vou fechar o bar mais cedo hoje?
- Porque macho?
- Tá dando no rádio que vai faltar energia às oito horas aqui no bairro!
- E eu tenho nada com isso, eu vim aqui foi beber, num foi levar choque, não!

*****

- Chico Litro,eu vim aqui pedir teu voto pra deputado!
- Pois diz aí três propostas tua?
- Vou aumentar o imposto da bebida alcoólica!Obrigar a colocar no rótulo da garrafa que a bebida mata!
- Peraí..peraí, macho,tu veio aqui pedir voto ou foi jogar praga!

*****

- Chico Litro, tu pode me ajudar?
- Diga lá meu chapa?
- Chico,rapaz,eu tirei umas férias e me excedi na bebida,tomei cachaça,vodka,rum,cerveja,misturei Campari com caipirinha....
- Perai!!..perai rapaz! Tu veio aqui pra me pedir ajuda ou foi pra me fazer inveja? (colaboração Assis Nildes)

 *****

- Chico Litro,vai cimbora senão a Santinha ti dá um gelo hoje?
- Se ela me der eu boto no Dreher. (colaboração Assis Nildes)

*****

- Chico Litro,tú vai pro batizado do neto do Toin?
- Tem cana lá!
- Tem não!
- Não,vou não!Eu estou assim meio gripado!
- E porque tu perguntou se tinha cana lá?
- É porquê a negrada diz que chupar cana é bom pra gripe! (colaboração Assis Nildes)

 *****

Chico Litro chega no bar do Toin e diz:
- Toim, amigo, bota uma pra mim pra ver se passa essa vontade de morrer!
- Que é isso Chico!
- É a ressaca Toin! Aassis

*****

- E esse queijo curado, Chico Litro?
- Apois é, tava doente, ficou bom, e agora vai morrer com uma cachaçada...



Pedro Altino Farias, em 03/04/2020

segunda-feira, 23 de março de 2020

Coronavírus - O Dia Seguinte




Sou cético quanto a voltar a ser tudo como dantes depois do Covid-19. Jamais será, acredito eu. Se de um lado teremos mais solidariedade, de outro aumentará o individualismo e a intolerância numa proporção bem maior. No fim, restaremos nós, os bons bêbados, a desafiar essa nova ordem e nossa própria existência, enquanto o resto do mundo aceitará seu destino complascentemente. Será? Oxalá eu esteja errado...

Pedro Altino Farias, em 23/03/2020, ano da pandemia do coronavírus

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

O Dia Que Mudou Tudo - Crônica de Natal 2019



Ele não sabe precisar o ano em que tal fato ocorreu, apenas que o Natal estava próximo. Caminhava normalmente pela rua quando tudo parou. Pessoas, máquinas, natureza. Assustou-se. O tempo parara completamente e, aparentemente, somente ele não sofrera tal efeito. Se não tinha uma explicação para o fenômeno dessa pausa temporal, tampouco imaginava o porquê de sua imunidade.

Num segundo momento percebeu que fitando os olhos inertes daquelas pessoas podia desvendar-lhes os sentimentos, tanto positivos, quanto negativos: alegrias, conquistas, angústias, frustações, decepções. Com um simples olhar passou a entendê-las e, mais que isso, a descobrir a vida de outra forma. 

Num instante pensou nos seus amigos e entes queridos, e movimentou-se para aonde estava cada um deles como se tele transportado fosse. Todos com os olhares congelados, porém, com suas almas expostas. Ficou chocado com o que “viu”. Mesmo tendo uma vida inteira de convivência, não imaginava a torrente de sentimentos que irrigava aquelas vidas, e lhes tirava a água também. Parou e olhou para si percebendo-se, ele próprio, imerso num emaranhado de sentimentos, positivos e negativos.

De súbito ouviu o choro de um bebê, sem distinguir de onde veio, ou se ouviu de fato. Imediatamente após percebeu nitidamente um homem com seus trinta e poucos passar por sua mente. Calmo e bondoso, parecia ser o guia a lhe apresentar a vida e as pessoas dessa outra forma, nuas, com todos os seus íntimos revelados.

Fim do transe, tudo voltou ao normal, numa movimentação urbana frenética. Agora sabendo como as pessoas são realmente, passou a compreendê-las, aceitá-las e ajudá-las no possível. Sentiu que todos agiam da mesma forma em relação a ele, e perguntou-se se elas não teriam passado pela mesma experiência surreal que ele. Talvez.

Enfim, noite de Natal. Família reunida para a grande ceia do ano, foi instado a dizer algumas palavras. De novo ouviu, ou pensou ter ouvido, aquele choro de bebê. Então se ergueu lentamente, olhou no olho de cada um e disse: O Natal chegou, não deixemos que ele se vá! E todos se abraçaram e dividiram o pão e o vinho postos à mesa numa grande comunhão, e a partir daí passaram a viver uma nova vida. Para eles e para os outros, a quem Alguém um dia chamou de próximo.



Altino Farias, em 16/12/2019 


terça-feira, 5 de novembro de 2019

Oração de Sexta Feira


Que a semana tenha sido abençoada,
E a cachaça não seja malvada;
Que o tira gosto seja saudável,
E o dono do bar, afável;
Que a sexta seja de alegria.
E ninguém chore, somente ria;
Que a noite não seja fugaz,
E o sábado, de muita paz.
Assim seja!

Pedro Altino Farias, em 18/10/19 

Lamento de Sexta Feira


                                                         

Ah, Sexta feira, 
Por que tens apenas as vinte e quatro horas como todos os dias?
E dessas mais de vinte 
Apenas umas poucas se aproveitam à boemia?
Por que não és eterna como o Sol, a Lua e a poesia?
Ah, Sexta feira dos meus sonhos, 
À qual sempre sucede um sábado de luz,
O dia passa, arrastado, mas à noite o copo reluz,
Trazendo com ele amizades e sorrisos, 
Que a outros mundos nos conduz.
Ah, Sexta Feira, amiga efêmera e fugaz,
Faz de ti a minha paz,
Para que de enfrentar uma nova semana eu seja capaz!

Altino Farias, em 01/11/2019

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Olhar e Ver

A pressa, o desinteresse e a distração pura e simples, fazem-nos cegar ante mil coisas bacanas que desfilam frente a nossos olhos diária e continuamente. Verdadeiras maravilhas. É preciso calma, interesse e um pouco de poesia para nos darmos conta do mundo real que nos envolve, caso contrário teremos uma visão seletiva, composta somente das imagens que satisfazem nossas necessidades no momento, criando um “mundo virtual” só nosso.



Toda terça feira vou ao Mercado São Sebastião e percorro seu entorno fazendo compra de insumos para a cozinha do meu comércio, a Embaixada da Cachaça, rotina repetida religiosamente nos últimos dois anos e meio. A pressa é grande, a lista de tarefas, enorme, e a cabeça totalmente ocupada com projetos e pensamentos que vão até o ano de 2035. Nunca dá tempo para ver além do olhar.

Terça última, no entanto, foi diferente. Amanheci a segunda com o propósito de entrar num ritmo mais lento, dando mais atenção a pequenas coisas do dia a dia, e deixando que as grandes questões percorram seu curso mais naturalmente. O universo parecia em sintonia comigo, porque naquele dia tudo estava, também, mais calmo: pessoas, trânsito, e o movimento habitualmente frenético do mercado e lojas, uma tranquilidade só.

Foi dentro desse panorama que, ao sair pela lateral do Mercado, consegui ver uma bela e antiga construção camuflada atrás da testada comercial de uma loja de ferragens. Parecia até que eu nunca estivera ali, que nunca saíra por aquela mesma porta lateral. Ah, como é boa a sensação de olhar e conseguir ver além dos olhos!
          

           
Não resisti e atravessei a rua. Fiquei por ali, olhando as ferragens expostas à venda, mas, na verdade, estava sondando o ambiente. A fachada da casa estava perfeitamente visível (para quem estivesse disposto a vê-la). De longe podemos ver detalhes em alto relevo e a inscrição “Laboratório”. Conta com recuo frontal, pequena área de acesso à porta principal e três janelas altas com vitrais. Pedi licença a um funcionário e fui entrando.

                     

                     

                     

Embora utilizada com depósito de ferragens e materiais pesados, o imóvel se encontra em estado de preservação bastante razoável. Piso mosaico na entrada e madeira corrida na parte interna, portas, bandeirolas trabalhadas, forro em lambri num pé direito alto, vitrais. Estão todos lá. Ainda. Fiz uma viagem no tempo voltando aos anos 40, talvez. Imaginei que funcionou como um laboratório de análises clínicas, com balcão de atendimento, sala de espera, salas da coleta de material e a parte laboratorial em si. É possível que tenha sido ocupado originalmente como residência. Uma bela residência, com todas as nuances de uma família completa: idosos, adultos, jovens, parentes, criados. No quintal, animais e fruteiras. Portas e janelas sempre abertas durante o dia.

Minha incursão foi limitada pelo pouco tempo que dispunha e pela falta de autorização oficial para ir mais adentro. Volto outro dia, quando os astros se alinharem novamente, para fazer o serviço completo. Espero que em breve... E que ela ainda esteja lá.



Altino Farias, em 11/09/2019  























domingo, 30 de dezembro de 2018

Um Presente Chamado Ano Novo - 2019



O ano novo é o futuro embrulhado como um presente.

Na forma, ele será igual ao que findará: terá 365 dias de alegrias ou nem tanto, distribuídos em 12 meses e 52 semanas iguais e consecutivas. É assim ano após ano, desde sempre. Um tédio? Não, absolutamente não!

O conteúdo do ano novo é misterioso, ninguém sabe, e nem deve querer saber, o que ele trará, mas, com certeza, cada instante vivido será um presente.

O presente “ano novo” deverá ser aberto aos poucos, lentamente... E as surpresas irão surgindo, uma trás da outra. Umas nos trarão alegrias, outras, tristezas; mas todas nos farão aprender mais um pouco sobre a vida. Para isso, no entanto, é preciso que estejamos sempre atentos, ligando passado e presente, para chegar a um futuro melhor para todos.

Está quase na hora de começarmos a desembrulharmos, juntos, nosso presente: o ANO NOVO. Façamos dele uma nova emoção a cada dia, uma nova lição, uma nova amizade, uma nova luz na vida de outras pessoas, uma nova história a cada momento, assim, ele será realmente um ANO TODO NOVO para nós.

Pedro Altino Farias, em 30/12/2018

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

E Viva a Democracia!


Reta final das eleições presidenciais, a coisa tá pegando fogo no Bar do Toim, com argumentos positivos, negativos e contraditórios de lado a lado. Chico Litro já se declarou totalmente a favor da liberdade de ingestão; Zé Siriguela anunciou que vai votar no candidato que prometer estender a safra de seriguela, cajá e caju; o Espinhela Caída é comunista de carteirinha, e defende subsídios na produção para ter birita barata pra todo mundo; Chico Matuto é direita e, igualmente ao amigo, quer cachaça com preços baixos pra todos, mas via redução de impostos. Polêmicas!

A grande preocupação, no entanto, é se o bar do Toim vai abrir ou não, pois a lei eleitoral não permite a venda de bebidas alcoólicas neste dia. Mas por que? Porque pode ser (pode ser) que uns “alguéns” bebam demais, e que, dentre estes, alguns botem boneco, e que, dentre estes, uns poucos causem problemas ao processo eleitoral a tal ponto que... É o Estado com sua mão forte tutelando o cidadão como muitos defendem.

Toim avisou que o bar vai fechar, sim, mas só para os outros, os amigos podem entrar pela porta lateral que a turma vai tá toda entocada lá dentro tomando umas. Alívio geral, problemas imediatos do Brasil resolvidos. E viva a democracia!


Pedro Altino Farias, em 04/10/2018

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Palavras? Cuidado!




Final dos anos 70, início da década de 80. Amigos do colégio, cada um seguiu sua vida universitária. Vez em quando ele dava uma passada na casa dela para conversarem, por os papos em dia. Certa vez ela comentou, muito feliz e entusiasmada, que estava namorando um rapaz de Brasília, que viera a Fortaleza para participar dos jogos universitários. Ora, em 1979 não havia internet e seu mundo sem fronteiras, e uma garota de uma cidade namorar um cara de outra distante era complicado. Pensou ele: “Deixa de ser besta, menina, num tá vendo que o cara tá lá em Brasília comendo todo mundo e você aqui, bancando a Amélia?”. Mas ela estava tão animada, que ele preferiu calar e deixar o alerta para outra oportunidade, que nunca aconteceu. 

Errantes numa tarde de sábado, dois amigos de faculdade foram a um bar para tomar umas. O estabelecimento se encontrava fechado, porém, o dono estava na varanda de sua casa, que ficava ao lado, bebendo com dois amigos dele, um dos quais armado com um combalido violão. Osmar, esse era o nome do dono do bar, chamou a dupla para beberem juntos. Violão truando, um dos universitários soltou a voz. Incontinenti, o violonista fez mudo o violão, olhou para o cantor amador e disparou: “Mas tu canta ruim, heim, bicho?”. 

Anos passaram. A garota do namorado distante casou com ele. O pai dela faleceu e a mãe casou com o pai dele, que já era viúvo. Todos vivem bem até hoje, e o amiguinho dela poderia ter estragado tudo isso com seu alerta simplista. Sorte dela! 

Enquanto isso, aquele universitário, cantor amador  de outrora, continua calado, cantando apenas para si mesmo, dentro de sua mente. 

Palavras: é bom ter cuidado com elas, pois podem causar grandes estragos! 


Pedro Altino Farias, em 30/08/18

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

SE FOR PRA MIM, DIGA QUE FUI PRU VIETNÃ!


Domingo é Dia dos Pais. Devo passar o dia em casa com minha filha e meu filho, desejando, também, a presença de genro e nora. Sem falar na Gorette, minha mulher, amiga, companheira e filha mais velha (acho que a recíproca é verdadeira e, da mesma forma, ela me considera seu filho mais velho... hehehe). Fafá, minha cunhada irmã, sempre presente. Mais tarde, à noitinha, vou estar com minha querida mãe. O dia promete loooongoooo...

A saudade de meu pai já conta quarenta e quatro anos. É muito tempo... E quase nada, considerando-se a eternidade. As lembranças são bem presentes, apesar do tempo e dos meus irrisórios treze anos quando ele se foi.

Papai adorava trabalhar em casa, mas sozinho, em seu gabinete, e aborrecia-se quando o procuravam nesses momentos para tratar de assuntos profissionais. Telefonema na hora do almoço, então, ih... Ficava muito bravo mesmo. Começo dos anos 70, a guerra fria troando nos quatro cantos do mundo, quando o telefone tocava na hora do almoço papai esperava que um de nós fosse atender. Esperava que se tirasse o fone do gancho quando bradava em alto e bom som: “SE FOR PRA MIM, DIGA QUE FUI PRU VIETNÃ!”.

O que aprendi com ele nesse breve período ficou em mim sedimentado. Logo aos vinte e quatro anos foi minha vez de começar a viver essa fantástica experiência que é ser pai, e que vai perdurar por toda a minha vida e, quem sabe, além dela. Nesses onze anos, entre treze e vinte e quatro, conheci um pouco do mundo pelas minhas próprias pernas para, junto com os ensinamentos de meu pai e minha mãe, completar minha formação moral e ética.

Hoje, aos cinquenta e sete e meio, filhos criados e felizes (que venham os netos!), quero mais é sossego. E se domingo ligarem pra mim... DIGAM QUE EU FUI PRU VIETNÃ!

Pedro Altino Farias, em 07/08/2018

sexta-feira, 30 de março de 2018

A Última Coca Cola



Olhava em volta, via somente o próprio umbigo. No máximo seu reflexo. Acreditava não haver mais alguém além dela. Nem uma água para aplacar a sede, nem uma sombra para aliviar o calor.

E lá estava ela, a dita "última Coca Cola do deserto". Comparável apenas ao "general da banda" e ao "rei da cocada preta". Tampinha intacta, geladíssima, única, necessária.

E se aproxima um forasteiro sedento, vagando por aquele deserto de dimensões universais. Avista a Coca Cola, a qual se mostrou indiferente, afinal, ela se achava coisa rara.

O forasteiro chega perto dela e... Passa em frente, rumo a uma fonte de águas límpidas e cristalinas, bem ali, atrás dela, da "ultima Coca Cola do deserto", onde palmeiras e arbustos formavam um verdejante oásis. 

Pois é... A fonte estava bem ali, e só aquela Coca Cola não viu... Coitada! 

Pedro Altino Farias, 20/04/17

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

A Mascarada



Cerveja, cachaça, uísque, lança perfume, paqueras e muita brincadeira. Pela manhã, praia; à tarde, corso na cidade e à noite, baile no clube. Assim era o carnaval no Aracati, Ceará, no início dos anos 80. Uma turma de amigos, todos jovens e solteiros, instalou-se numa casa na praia de Majorlândia e começou a folia.

Noite de domingo de carnaval, depois de já terem curtido todo o sábado e cumprido com louvor as duas primeiras etapas daquele dia, circulavam pelo clube com desenvoltura, instalando-se numa mesa à beira do salão. Uísque e cerveja e lança à mão, prontos para a caça. 

Eis que o mais pintoso da turma é avistado de braços com uma das meninas mais feias de toda a festa (desculpem o politicamente incorreto, mas foi assim que aconteceu). Primeiro a turma ficou em choque vendo o amigo dar rodadas e rodadas no salão abraçado àquela moça. Depois começaram a mangar mesmo. 

Todos estavam observando o flerte do pintoso, quando ele levou a moça para um canto e falou algo no ouvido dela que, incontinenti, deu-lhe um belo tapa na cara. Mas como? Tá com a mulher mais feia da festa e ainda leva um tapa na cara? Ficaram curiosos.

E lá vem o amigo pintoso de volta à base massageando o rosto e rindo. Todos querendo saber o porquê da agressão, primeiro ele tomou uma dose de tudo o que havia na mesa e deu uma cheirada no lança. Então, respirou fundo e contou o que acontecera.

Ao chama-la para conversar foram feitas as apresentações de praxe, então ele disse-lhe: “Pronto, agora que já nos conhecemos você já pode tirar máscara!”. E deu no que deu! 

Pedro Altino Farias, em 09/02/2108


quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Fraquinha...




A mulher entra no bar e decreta com voz firme, em alto e bom som:
- Juventino, vamos pra casa!
- Mas eu tô em casa, meu amor...
- Em casa? Haha... Nesse bar imundo, bebendo com todos esses homens?
- Aqui é onde me sinto em paz e esses homens que bebem comigo todos os dias são meus irmãos.
- Juventino, seus filhos estão em casa lhe esperando!
- O meus filhos são também seus filhos. Já são adolescentes e não estão nem ai pra mim...
- Juventino, e eu? Snif, snif... Sua esposa?
- Hummm... Fraquinha...! Por que é que você acha que venho pru bar todo dia?

Essa história poderia terminar aqui, mas não terminou.

Seis meses depois...

O bar ainda está em reparos. Depois da reabertura ser anunciada e adiada três vezes, parece que mês que vem reabre mesmo.

Juventino, com fraturas múltiplas, começa a fisioterapia de reabilitação na semana que vem. Se tudo correr bem, com mais uns três meses começa terapia para tratar a síndrome do pânico, adquirida na mesma ocasião das fraturas.

Os amigos de Juventino presentes no bar naquele dia, ou fizeram promessa para parar de beber, ou se converteram a uma religião que proíbe a bebida.

Novamente essa história poderia terminar aqui, mas...

A mulher de Juventino, sentido-se sozinha e com a vida vazia, sem o marido e com os filhos adolescentes cuidando de suas próprias vidas, começou a beber com as amigas. Hoje bebe diariamente e está se sentindo muito feliz. Só não está mais feliz porque começou a ver certa razão naquelas biritagens do marido e aí lhe bate um remorso...

Altino Farias, em 07/02/2018

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Feliz da Vida



Respondia pelo nome de Severino, mas podia ser João, José, Pedro, Sebastião ou outro qualquer. Cinquenta e tantos anos, escolaridade a desejar, trabalhava como porteiro num condomínio que já fora dos mais elegantes da cidade, mas que os anos providenciaram certa decadência.

Véspera de Natal todos ficam com um sentimento fraterno e solidário à flor da pele, e naquele ano não foi diferente. Severino, no seu posto, trabalharia até vinte e duas horas, quando seria substituído por um colega, João Paulo, nome que ganhou quando da vinda do Papa ao Brasil. Estava feliz porque chegaria em casa a tempo de ficar com a família, embora nada fosse ter de especial. Talvez conversassem descontraidamente e fizessem uma oração de agradecimento antes de deitarem.

No condomínio o dia foi movimentado, todos correndo nos últimos preparativos para a ceia da noite. Doutor Malheiros, que Severino poucas vezes viu em carne e osso, pois o homem só entrava e saia do prédio de carro por trás do fumê dos vidros, veio até a portaria e cumprimentou-o apertando-lhe a mão e desejando-lhe feliz Natal com uma voz pausada e firme. Bruna, com seus dezessete anos, a mais patricinha do pedaço, foi até ele e fez um selfie, que logo postou nas mídias sociais, tendo muitas curtidas dos amigos. Salete, a perua do 902, interfonou para Severino desejando um feliz Natal e pedindo que ele subisse quando tivesse uma folguinha para pegar umas roupas usadas, mas que “estavam novinhas”, para que examinasse o que lhe aproveitava. Dona Genoveva, a vovó do prédio, deu a Severino com um vistoso panetone. “Ganhei quatro desses e nem posso comer por conta da minha diabetes”, comentou em tom de lamento enquanto entregava o pão a Severino, que adorou o presente. Já noite, ao sair para a ceia em casa de parentes, o pequeno Jonas, de cinco apenas anos, incomodou-se ao ver Severino na guarita e perguntou, inocente: “Na sua casa não tem Natal não?”.

Severino largou o serviço pontualmente às 22 horas, passando o posto a João Paulo, a quem cumprimentou com apertado abraço e um carinho na cabeça. “Coitado, vai passar a noite de Natal trabalhando.”, pensou solidário. Não fosse a mulher e filhos esperando em casa, por certo trocaria o turno com o colega. 

Apressado, a caminho de casa, pensava nos acontecimentos do dia. Passou num mercadinho e comprou uma tubaína já gelada. Com as roupas usadas, o panetone e o refrigerante, a surpresa para os de casa estava garantida. Seguia feliz da vida, como não importasse as atitudes mesquinhas que observou naquelas pessoas no decorrer de seu expediente e durante todo o ano. De relance, jura que viu um rasgo de luz no céu e teve consigo a certeza de que era Papai Noel com seu trenó. A noite não foi tão longa quanto ele gostaria, mas teve um FELIZ NATAL.

Pedro Altino Farias, em 24/11/2017



sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Dezembro 2017


Saímos da última curva e entramos na pequena reta final de 2017. O tempo passa acelerado. O que está feito, está feito, em que lugar estamos não interessa mais, o importante é chegar, apenas. 

Embora com pé embaixo, agora nos atrevemos a dar uma olhada em volta e, principalmente, no retrovisor. O que ficou para trás nesse momento é destaque. Alguns bons companheiros e entes queridos não conseguiram estar ao nosso lado agora e, com certeza, assistem-nos da arquibancada, e torcem por nós... E nós por eles.

O Brasil, ah, o Brasil! Vem devagar, lá trás. O projeto atual é ruim. Muitos problemas desde a primeira curva do ano. Todos preocupados, muitas opiniões, nenhuma solução à vista. Talvez ano que vem tudo seja melhor, talvez. 

Parentes, amigos e amores nos aguardam na linha de chegada, e nós aguardamos, também, a chegada deles próprios, cada um com sua corrida. Champanhe!

Após breve parada para respirar fundo, pensar no que vivemos, uma nova aventura nos espera: 2018, mas essa é outra corrida.


Pedro Altino Farias, em 01/12/2017

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

RO - Resto de Ontem


A conversa estava boa, a birita também. Nessa hora chegou uma moça bonita e gostosa. Papo bom, alegre e sorridente, logo surgiram uns carinhos. Nem ele nem ela sabem como começou o lero. Talvez tenham juntado a fome com a vontade de comer, quem sabe. Lá pelas tantas resolveram ir para lugar incerto, fugindo dos olhares indiscretos e invejosos dos outros.

Entre quatro paredes, pelados, livres das amarras das convenções sociais e morais, amaram-se loucamente, nem sabem dizer por quantas horas ao som de “Eu te amo”, de Chico Buarque e outras pérolas. Aí a notícia carece de uma exatidão. 

Manhã clara, de banho tomado, recuperado do êxtase intenso, bateu a fome e a necessidade de dar notícias em casa. Tentou matar dois coelhos com uma só paulada. Ainda entre quatro paredes, enquanto a jovem desnuda jazia adormecida na cama, ligou para a mulher contando uma história sobre seu sumiço mais fantástica que a mais fantástica visão de Dali, atrevendo-se a pedir que lhe preparasse um delicioso caldinho de carne do jeito que “só ela sabia fazer” para quando ele chegasse. Como a mulher lhe bateu com o aparelho na cara, olhou para cama e se conformou em comer o “RO”, resto de ontem. 

Esta crônica bem que poderia terminar por aqui, mas, como foi dito antes, a notícia carece de exatidão. 

Recém saída do segundo casamento aos trinta anos nesses tempos modernosos, ela nem pensava em sexo naquela noite, muito menos em começar algo sério, mas... A abstinência vinha de uns poucos meses, o cara era atencioso e divertido, então, “por que não?”, perguntara-se. Ao adentrar as tais quatro paredes, no entanto, decepção, pois o dito cujo parecia estar mais carente que ela umas cinco mil vezes, encerrando sua performance bem antes que o mínimo desejável. Papo vai, papo vem, deram um tempo e foram de novo. E mais uma vez o lanche foi rápido. Para ela, pelo menos, foi uma merendinha insossa tipo chá com bolacha. Como era madrugada, resolveu tirar um bom ronco e pinotar da cama cedinho sem nem olhar para o “RO”, resto de ontem. 

Pedro Altino Farias, em 25/11/2017





quinta-feira, 23 de novembro de 2017

22 de Novembro - Dia da Bandeira


Uma miniatura de máquina de escrever, um pequeno globo, alguns lápis, livros de automóveis antigos, cachaças, um violão de brinquedo, um velho vinil e fitas cassete, Patativa, Padre Cícero, um crucifixo, uma mini sela feita pelo Espedito Seleiro. Objetos que falam um pouco de mim, das coisas que gosto. Ao fundo, abraçando meu pequeno universo, o Pavilhão Nacional. Esse cenário é real e faz parte do meu dia a dia o ano inteiro, todo ano.

Dia 19 de Novembro foi o Dia da Bandeira, pouco se falou disso. Amar a Pátria se tornou piegas, cafona, ridículo. O governo militar usou mal o sentimento patriota. Os governos seguintes se esmearam em desvirtuá-lo ainda mais... Ou simplesmente ignorá-lo. E o povo, em sua maioria, entrou nessa. Lamentável. 

Vivemos atualmente uma situação crítica em termos morais e éticos. O Estado Brasileiro acabou, sobrevivemos apenas como Nação, a sociedade levando tudo nas costas. Até quando?

Patriota que sou, aproveito essa ocasião para ratificar meu amor BRASIL e meu repúdio veemente a toda essa lama que se tornou o Estado brasileiro, com seus executivos e legislativos e judiciários. Em todos os níveis.


Altino Farias, em 22/11/17