domingo, 25 de fevereiro de 2024

Crônica da Madrugada

 

A madrugada me persegue. Ouço os seus passos, vejo sua sombra, mas ela, sorrateiramente, esconde-se de mim.

Bebo um gole de cachaça. Finjo brincar de boemia, e ela vem se chegando, encabulada, por trás dos espaços já vazios.

Agora o dissimulado sou eu. Faço de conta que não a vejo. Ela me joga um charme, mas fico indiferente. A cachaça e os pensamentos me bastam nesse momento.

Sim, é tarde (ou cedo?). Estou no território dela, porém, contrariando a lógica, o senhor aqui sou eu. Mais uma dose, que desce suave, e uma enxurrada de pensamentos. O tempo passa devagar dose após dose. O meu tempo. Cansado, enfim, entrego os pontos, voluntariamente, e recolho-me.

Assim deveriam ser os porres e as paixões. Não deveriam ser inibidos, restritos, interrompidos, cortados, proibidos, e sim, esgotados por si próprios, como o carvão que, feito em cinzas, extingue o fogo, com o vento se encarregando de levar aquelas lembranças para bem longe... Ou para dentro do coração.

Altino Farias, em 24/02/2024

domingo, 21 de janeiro de 2024

Cerveja Lavada


Esse fato ocorreu há muitos anos, antes do “politicamente correto” dominar no mundo, portanto, desculpem qualquer coisa. Naquela época, imaginem, era proibido proibir, mas vamos ao caso.

Sou engenheiro civil e nesse tempo tocava uma pequena construtora com construções próprias, prestando, também, serviços para terceiros. Do “bloco do eu sozinho”, passava o dia rodando de uma obra para outra suprindo-as dos materiais necessários, supervisionando os serviços e atendendo a clientes, além da parte burocrática. A rotina era bem corrida e as atividades bem diversificadas. E fazia tudo isso a bordo de um buggy, que puxava um reboque para levar até quinhentos quilos de materiais sempre que necessário.

Pois bem, certo dia, final de tarde, o calor era grande e eu estava coberto de poeira de cimento. Após cumprir todos os meus compromissos, estava com uma sede daquelas, sonhando uma cerveja bem gelada para preencher o vazio de todas as minhas desidratadas células. Então, para resolver esse problema, parei numa churrascaria anexa a um posto de combustíveis localizado na BR-116, na zona urbana de Fortaleza. Sim, eu dirigia e ia tomar uma cerveja, mas lembrem-se que isso foi há muitos anos, antes da lei seca e seus bafômetros.

Cheguei ao balcão com uma sede de mil desertos e fui logo perguntando ao atendente: Você tem uma cerveja Antárctica* em lata bem gelada? Respostas positiva, o balconista perguntou se eu queria que lavasse a lata. Sim, naquela época não era procedimento comum lavar as latas de cervejas e refrigerantes antes de pô-las no freezer. À pergunta respondi: Não precisa, isso é coisa de via..., ops! De quem não tem o que fazer! Nesse momento notei que outro atendente acabara de enxugar uma lata de cerveja e estava entregando-a a outro cliente que estava ao bem meu lado, que me olhou meio de banda e com ar de censura ao ouvir meu comentário. Foi chato.

Altino Farias, em 14/01/2024
*Naquela época cerveja em lata só havia Skol e Antárctica

domingo, 14 de janeiro de 2024

Rodízio de Bundas

 


O comércio era do tipo “bar & mercearia”, muito comum em bairros das grandes cidades e mais comum ainda em municípios do interior até a uns anos atrás. Na cidade grande hoje restam poucos desses estabelecimentos, que eram bastante sortidos. Neles vendia-se corda, pregos, alfinetes, botões, remédios, cereais, fumo, bombons, pão, enlatados e por aí vai. E ainda aceitavam fiado dos fregueses com débitos anotados na “caderneta”. A caninha e a cerveja para os amigos e papudins da redondeza não faltavam. O balcão dessas casas era ocupado em grande parte por mil e uma bugigangas, restando, via de regra, pouco espaço livre. Pois bem, foi num boteco desses que correu o caso que agora vou narrar para vocês.

Certa tarde de sábado, no Bar do Seu Mundim, os amigos de sempre celebravam a vida com cerveja quase gelada, talagadas de aguardente barata e muita conversa fiada. Como os bancos para sentar eram poucos, alguns ficavam de pé, então um dos presentes fez uma proposta: Turma, já tô cansado de ficar em pé, por que a gente não faz um rodízio de bundas? Depois de um tempo os que estão sentados ficam de pé, e os que estavam de pé, sentam um pouco para descansar os cambitos”.  Proposta aceita na hora pela assembleia, deu-se de imediato o primeiro “rodízio de bundas”.

Logo depois do “rodízio” chegaram dois forasteiros e todos olharam para eles desconfiados. Os intrusos se espremeram num cantinho do balcão, afastaram uns pacotes de bolachas abrindo uma pequena clareira, e pediram duas doses de cachaça, prontamente servidas pelo Mundim em copos que acabara de retirar da bacia na qual os lavara com água aparada, e parada. E a rotina do bar continuou, com a conversa fiada correndo solta entre os diaristas, e os dois forasteiros bebendo suas cachaças e conversando baixinho entre si.

Foi aí que um dos habitués disse: “Bora! Agora quero me sentar, já faz um tempão que tô em pé e vocês aí, bem sentadinhos”. Conforme o combinado, os que estavam sentados levantaram-se, cedendo seus tamboretes aos que estavam cansados de estarem de pé. Nessa troca de posições, um deles acabou confundindo os copos e pegou o copo errado. Quando já aí tomando um gole, o verdadeiro dono do copo exclamou em alto e bom som: “Ei, peraí! Rodízio de bundas tudo bem, mas de copos, aí já é putaria!”. Nesse momento um dos forasteiros olhou para o outro e disse: “Cumpade, vamu s’imbora daqui que esse bar num é pra nós, não!”

Altino Farias, em 14/01/2024

Imagem postada no site
https://www.conhecaminas.com/2021/03/16-vendas-botecos-e-mercearias-antigas.html

Eu, Prisioneiro


Nesse momento me encontro no estômago da Mobydick. Aqui é escuro, frio, quieto, estranho. Lutei, resisti muito para não chegar até aqui. Criei situações, inventei estórias, fiz amizades, planejei mil estratégias diferentes de tudo que já se viu. De nada adiantou. Fui engolido pela famosa e temida Mobydick.

Daqui posso ouvir o barulho das ondas e correntes marinhas e ver um pouco do mundo exterior através dos olhos dela, mas nada posso fazer, estou preso, imóvel, impotente. Temo não pela minha vida, mas pelos sentimentos dos que estão lá fora e gostam de mim, afinal, isso não são modos de se sair dessa existência. Aliás, a pior hipótese para mim é continuar existindo assim, nas entranhas dessa baleia.

Mas tenho um plano para sair dessa situação. Não, não posso contar a vocês porque ela pode me ouvir, e então minha ideia iria por terra, ou melhor, por mar. Mas o plano é bom! Sei que nada que planejei funcionou até agora, mas quem sabe dou sorte dessa vez e me livro dessa insólita prisão.

Agora tenho que ir. Vou trabalhar no meu plano. Vai dar certo! Qualquer dia chego numa praia distante. Sei que não irão acreditar na minha fantástica história, então vou inventar outra, bem simples. Um quase afogamento, ou o naufrágio de um pequeno barco, ou que me perdi no mar praticando kitesurf, para mim não importa, o que importa é ver o Sol e a Lua, sentir a brisa no rosto e ver o sorriso no rosto das pessoas amadas. E nunca mais ser prisioneiro novamente onde quer que seja.

Altino Farias, em 14/01/24  



 



quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Meu 2024 ainda não começou


Para mim 2024 ainda não começou. Explico. Passei todo o mês de dezembro extremamente cansado, preocupado e estressado com mil problemas e imprevistos. E me sentindo mal, cheio, empachado. A coisa aperto mesmo foi depois do Natal, com sintomas de dores na boca do estômago e nas costas, lado direito, e noites em claro.

Atribui as dores no estômago a distúrbios digestivos, e a das costas e mal jeito na dormida. À base de antiácidos e analgésicos fui levando e cumprindo os últimos compromissos operacionais e legais do ano até o dia 28, ao qual seguiu mais uma noite em claro.

Na sexta, 29/12, procurei um atendimento de emergência e veio o diagnóstico bombástico: eu estava com um cálculo renal obstruindo o ureter, tubo que liga o rim à bexiga. Essa era a causa de todo o mal estar que estava sentindo há dias. Foi operado no mesmo dia às 19 horas.

Tive alta hospitalar dia 30 e a graça de passar o réveillon em casa com a família, lamentando apenas não passar com minha mãezinha, dona Concita, que esse ano vai a 94 anos, e irmãos como é tradição na família desde os tempos do meu saudoso pai, mas a maravilha da internet hoje permitem as chamadas de vídeo, que quebram o maior galho nessa situação.

Enfim, meia noite, e na minha taça para o brinde, água! Brindei feliz por estar me recuperando, pelo bem estar de todos da família e amigos. Pelo nosso Brasil e pela paz no mundo.

Água. A gênese da vida dos primeiros seres se deu na água. Animais e vegetais são compostos de água. A água nos mantém vivos. Água é o solvente universal. Na virada do ano, que para mim ainda não começou, tomei água e um decisão: de ora em diante brindarei a chegada de mais um ano com água, simbolizando a simplicidade e a purificação. Cachaça a gente bebe antes e depois.

Meu 2024 começa semana que vem, pois devo me submeter a um procedimento médico para a retirada de um cateter colocado para facilitar a drenagem dos resíduos do cálculo renal. Estou ansioso para ver e sentir 2024!

       

Altino Farias, em 11/01/2024

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Da janela do meu carro - A força do progresso


O que era seiva, agora é dor,

O que era verde, é sem cor,

Destruição sem pudor,

A vida, retorcida, sem amor,

Padece, abandonada, esperando um trator. 

Eu vi da janela do meu carro e fotografei para vocês.

Pedro Altino Farias, em 30/10/2023

sábado, 28 de outubro de 2023

Inexistência

É madrugada. Minha dor descansa, o silêncio decanta as contrariedades do dia que se foi, e logo será esquecido. O coração pulsa devagar, a cachaça vai chegando no meu sangue aos poucos. 

Agora o silêncio envolve também meu pensamento. Penso em nada, logo, deixo de existir por alguns instantes. 

Mais um gole de cachaça, que desce marcando caminho: boca, garganta, esôfago, estômago. Mais um instante sem pensamentos. Minha inexistência toma forma. Sou ninguém, sou nada. Um vácuo em plena vida. 

Outro gole. Agora só o sabor me interessa. Só a utopia dos sonhos me interessa... E uma vontade incontrolável de novamente inexistir. 

Pedro Altino Farias, em 28/10/2023

domingo, 22 de outubro de 2023

No tempo do "É Proibido Proibir"

O mundo tá doido. Ainda bem que vivemos o tempo do "é proibido proibir" e do "faça amor, não faça guerra". Nossa geração não envelheceu, mas os jovens de hoje estão cheios de neuroses... Uma pena. 

É tudo tão fácil, mas o "sistema" joga os incautos num mar de absurdos impensáveis até pouco tempo atrás, que hoje se transformaram em regras de conduta social. Sei não... 

Para aguentar tanta insanidade, vivo metido numa brecha no tempo, com minha calça jeans suja e desbotada, o som e os costumes dos 60/70/80, minhas costeletas fora de moda, meus cabelos brancos e meus sonhos, que continuam vivos. 

Pedro Altino Farias, em 21/10/23

O Sol da Manhã

O Sol da manhã é mágico. Ao contrário do Sol do meio dia para a tarde, que nos dá certa indolência, o da manhã desperta nossos instintos e desejos. Infelizmente a rotina nos impede de deixá-los aflorar como deveriam, o que tornaria a missão de enfrentar mais um dia muito mais leve. 

 Pedro Altino Farias, em 22/10/23

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

RARA


A voz é meiga, o olhar é doce;
Compreende como ninguém, e está sempre pronta à caridade;
O trabalho não lhe assusta, a dificuldade a fortalece;
A simplicidade é a chave da sua elegância, e seu brilho é natural;
Mãe zelosa, irmã companheira;
Esposa cúmplice e amiga, amante fervorosa.
Rara!

Pedro Altino Farias, em 16/02/2023

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

Antigamente - A entrega do gás de cozinha

 


Antigamente, o gás de cozinha em Fortaleza era entregue porta a porta pela “entrega sistemática” da então Ceará Gás Butano, empresa que detinha o monopólio na venda de gás butano no estado.

A companhia distribuía às residências e comércios um calendário com as datas de entrega de cada bairro/região. O serviço não falhava, e todos podiam se programar para receber o entregador de gás. No "caminhão do gás", um sino badalado em alto e bom som anunciava sua aproximação, dando tempo para que se providenciasse o dinheiro para o pagamento.

Caso se perdesse o dia da entrega, era necessário fazer um pedido avulso, pagando uma taxa de valor razoável pelo serviço de entrega extraordinário.

Outra opção era ir até o depósito no Mercado dos Pinhões, ou no terminal da companhia no Mucuripe, para trocar o botijão vazio por um cheio. Para fazer esse manejo sem prejuízos, nem correr o risco de falta, o normal era que os usuários tivessem dois botijões.   

Como se pode ver, deixar de comprar no caminhão da “entrega sistemática” era um mau negócio.

Hoje em dia há vários distribuidores de gás de cozinha, e outros tantos revendedores, de modo que com um simples telefonema recebe-se um botijão em casa em questão de minutos, sem estresse. Pena que os botijões residenciais de treze quilos não evoluíram. São trabalhosos de trocar, sujos e apresentam vazamentos na rosca de engate com bem mais frequência que o desejável, exatamente como acontecia antigamente.

Pedro Altino Farias, em 23/06/2014

 


terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Antigamente


Era comum casas urbanas de terreno estreito e comprido, porta e janela na fachada. O telhado de telha de barro, a cumeeira alta afastava o calor, e meias paredes dividindo seus interiores também facilitavam a circulação do ar.

O banheiro, invariavelmente lá trás, e exigia longa caminhada, daí a utilização de penicos para necessidades noturnas e urgentes.

Uma sala na frente para as visitas, outra depois dos quartos para as refeições. Mas na copa era que a vida vibrava a todo momento, do amanhecer até que todos fossem dominados pelo sono.

O melhor dessas antigas moradias era e vai e vem, o entra e sai de pessoas. Irmãos, normalmente numerosos, tios, primos, compadres, avós, empregados.

O leiteiro, o padeiro, o verdureiro, todos à porta e prontos para uma boa prosa a cada passagem. Sem pressa, nem ambição de ser mais, ou ter mais.

Cadeiras na calçada ao final da tarde, carroças preguiçosas e automóveis idem trafegavam na rua calma, notícias de alguém distante contada de boca em boca, e aquela moça mal falada desfilando provocativamente. “Cadê o padre que não vê isso, meu Deus?”, exclamavam horrorizadas as “mulheres direitas”. Será que não via mesmo?

Bem, melhor ir parando por aqui, senão pode ser que algum leitor fique com vontade de viajar para antigamente... E não queira mais voltar.

Pedro Altino Farias, em 14?07/2014




sábado, 31 de dezembro de 2022

Nossos Conselhos para 2023

Chegou a hora da saideira de 2022! Enquanto bebe, faça uma reflexão sobre o ano que finda. No início de 2023, tomar uma decisão sobre como serão seus próximos 365 dias é necessário. Mas, seguida à ela, uma providência energética é presença para o sucesso.

                   

Se ainda não tem um bem me quer, percorra 1000 montes para achá-lo. Se já tem, percorra outros 1000 para mantê-lo, por bem quereres são joias raras, e seguraram muito cuidado e carinho.

Encontre um tempo para apreciar não só a lua cheia , a meia lua também merece toda a nossa atenção, e sua porção escura pode guardar deliciosos mistérios.

Por fim, desejo que essa próxima temporada seja magnífica para você e sua família, com muita saúde, paz e proteção... E não esqueça de dar uma atenção especial à primavera , que vem todo ano nos visitar lá pelo final de setembro, com uma mensagem de renovação da vida, das cores, das flores e dos amores.

Feliz 2023 para você e todos nós!

Altino & Gorette  

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

LEMBRANÇAS DA COPA DE 70 - PRA FRENTE, BRASIL!



Ah, 1970! Primeira copa a ser transmitida ao vivo, com direito a replay dos gols e jogadas fantásticas ou duvidosas. A seleção Canarinha era perfeita! Ainda não havia chegado por aqui a internacionalização do futebol, então, nosso estilo era único, e nossos craques tinham sua vida no Brasil, jogavam em times brasileiros, e seus projetos de futuro eram em solo pátrio. Eles jogavam com amor e garra, sem patrocínios milionários, nem exposição exacerbada nas mídias da época, sem chuteiras coloridas. O time era um só, um conjunto de peças que se moviam com precisão para chegar ao resultado pretendido: a vitória!

A sede da copa foi o México, latino e efervescente como nós, e o mascote era Juanito, um simpático garotinho amante de futebol, como tantos Joãozinhos que havia naquela época por esse imenso Brasil nos campos de subúrbio e interior do país.


Quando o Brasil conquistou sua vitória final sobre a Itália, o país explodiu em festa. Uma festa ingênua, de brasileiros, cujo único objetivo era comemorar sermos os melhores do mundo pela terceira vez.

Noventa milhões em ação
Pra frente Brasil, no meu coração
Todos juntos, vamos pra frente Brasil
Salve a seleção!!!
De repente é aquela corrente pra frente,
Parece que todo o Brasil deu a mão!
Todos ligados na mesma emoção,
Tudo é um só coração!

Entusiasmado, papai colocou todo mundo dentro da Rural e fomos dar uma volta na Beira Mar. Em cada janela do carro havia uma bandeirinha verde e amarelo. Todas feitas em casa pela dona Concita, minha mãezinha (hoje com 92 anos), em sua máquina de costura Vigorelli. Nessa época a Beirar era mão dupla, e estava lotada, totalmente engarrafada, numa grande festa verde e amarelo. Bons tempos, boas lembranças.

De 1970 a 2022 passaram-se cinquenta e dois longos anos. Eu, de nove a sessenta e um! O coração ainda está bom, apesar das tantas emoções vividas no decorrer desse tempo, incluindo o 7 x 0.  Daqui a pouco mais de duas horas o Brasil vai fazer sua estreia na Copa 2022, sediada no Catar. Claro, vamos torcer mais uma vez pela Canarina, afinal, somos brasileiros, e não desistimos nunca! Os tempos são outros, eu sei. Um poeta já disse que “tudo muda o tempo todo no mundo”, então, resta-nos acompanhar essas mudanças para não ficarmos presos no tempo passado.  Mas não pensem que é fácil assistir e se entusiasmar com esse espetáculo midiático multimilionário que se tornou a Copa do Mundo. Quem viu 1970 que o diga.

Altino Frias, em 24/11/2022


 

terça-feira, 27 de setembro de 2022

Toda Nua


No lado escuro da Lua,
Vi uma mulher toda nua.
Nua por dentro, nua por fora,
Ela me sorriu em inesperada hora.

Ai veio o Chico Litro, sorrateiro,
E acordou-me, invadindo meu terreiro.
A mulher prontamente se vestiu,
E no meu sonho, parece que nunca existiu.

Esculhambei Chico Litro pela sacanagem,
Mas o coitado nada entendeu dessa bobagem.
Enfim, pedi minha conta e pendurei,
No Bar do Toim, onde Chico Litro é rei!

Pedro Altino Farias, em 13/09/2022