O casal não perdia um Carnaval da Saudade, tradicional festa realizada pelo Clube Náutico Atlético Cearense, em Fortaleza. O evento acontece sempre no sábado magro, e esse ano de 2026 teve a sua 58ª edição. Como o nome sugere, a programação musical do evento é composta de frevos, sambas, sambas-enredo e marchinhas “das antiga”, bem tradicionais, com aquelas letras gostosas que todo mundo sabe cantar. Fantasias e blocos de amigos são bem vindos.
Com o ambiente bem decorado, os foliões recebem logo na entrada um pequeno caderno com a relação completa das músicas a serem executadas pela banda por ordem de apresentação. Três músicas que o casal adora estão sempre na lista: A Filha da Chiquita Bacana, A Turma do Funil e Bloco da Solidão, esta última de autoria de Jair Amorim e do cearense Evaldo Gouveia. Sempre que elas são executadas, o casal deixa os papos e as biritas da mesa de amigos de lado e vai para a folia do salão.
Em determinado ano, com a festa correndo solta, ela chegou ao marido dizendo que precisava ir ao toalete. Especialmente para esses eventos é instalada uma bateria de banheiros químicos, separados por masculino e feminino, então ele disse “Vá lá!”, mas como ela estava sentindo cólicas abdominais, pediu que ele a acompanhasse, pois a questão era sólida e não líquida, e exigia um tempo maior de operação, e uma logística mais complexa, digamos assim.
Ele consultou o caderninho para ver se estava perto das “preferidas”. A Turma do Funil já havia sido executada e ainda faltavam umas tantas músicas para Bloco da Solidão e Chiquita Bacana, que estavam quase vizinhas. Ele concordou e a acompanhou até a área dos toaletes. Ela entrou num banheirinho e mais rápido do que ligeiro, saiu. “Já?”, perguntou ele estranhando a ligeireza do serviço. “Não saiu nada!”, respondeu ela. Sim, em situações assim é normal que o organismo se encabule e não cumpra suas funções.
Passado algum tempo as cólicas voltaram, e ela acionou novamente o maridão para acompanhá-la ao toalete. Caderninho consultado, faltavam duas músicas apenas para as preferidas. Então ele lhe disse: “Peraí... Aguente firme que não perco o Bloco da Solidão nem a pau!”. E foi o jeito ela segurar a barra...
Anos depois o marido teve a oportunidade de conhecer o grande Evaldo Gouveia, e em uma conversa descontraída contou-lhe esse episódio. Ele e todos que faziam parte daquela grande e farta mesa riram bastante daquela situação inusitada, e o autor de Bloco da Solidão se declarou honrado pela deferência em relação à sua música. Seguiu-se um brinde a Evaldo, ao Bloco da Solidão e à cagada que não aconteceu.
Pedro Altino Farias, em 25/04/26

Nenhum comentário:
Postar um comentário