terça-feira, 27 de dezembro de 2011

"Biritosofando"


Ypiocamente falando, cervejando pelas praias do nosso querido Ceará, encontramos aqui e acolá aldeias de pescadores com ares ainda coloniais. De uma forma camparitiva, essas aldeias parecem um tanto caipirinhas, mas a verdade é que esse povo é dono de grande sabedoria.


No povoado de São João da Barra, por exemplo, encontramos Germana, professora primária muito querida pela criançada e filha do pescador Claudionor, um dos mais antigos do lugar, um verdadeiro “Gin dos Mares”. A teacher tem os olhos de uma cor enigmática, uma mistura de verde menta com anis. Confesso que absinto atraído por olhos assim, mas...



Uisquisito é notar que a nova geração parece não se importar com tradições e coisas assim. Aíce quis que os novos tivessem na pesca artesanal sua principal atividade, mas como? Com internet, celular e outras modernidades dentro de casa?

No bar, uma foto em black&white, como se dizia antigamente, mostra a visita de um empresário inglês tempos atrás. Ele prometeu mundos e fundos ao povo do lugar. Progresso! Mas até hoje Johnnie, como era conhecido, nunca mais voltou. Deve ter continuado caminhando por aí afora, espalhando suas lorotas.

E será que ano que vem vai ser bom para a pesca no local? Mais uma vez a tradição domina. Segundo os mais experientes, se em noite de garoa os sapos pararem de coaxar, é sinal de que o ano vai ser farto. Lá é assim: se o sapupara, tudo bem!

Rebati com nosso Claudionor essa crença. Disse a ele: você vem daí com sua crença, e eu vodicá com a ciência. Acabamos por tomar um trago de boa paciência, afinal, o mar estava tão espumante, e o sol tão brilhante, pra que encrencar? Mas findei com um frisante: “Você fica com sua crença e eu com minha ciência!”. Então ele respondeu apenas: "Hum rum". Enfim, a camaradagem foi a tônica da prosa.

Ao me despedir de todos, Claudionor quis saber:

- Para onde vai agora, meu amigo?


- Ah, vou a um lugarzinho maravilhoso conhecido por “Vale Verde”. Quando voltar vinho lhe contar como foi tudo, respondi, fechando minha visita à aldeia com chave de ouro... E uma mordiscada no bom tira-gosto posto no balcão.

Pedro Altino Farias
altino.frs@gmail.com

Ps.
- Claudionor, Germana e Vale Verde são marcas de cahcaça de Minas;
- Ypióca, Chave de Ouro, Colonial e Sapupara são marcas de cachaça do Ceará.









quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Bom Seria...


Bom seria...

Se os homens olhassem para o céu e compreendessem toda a força da criação.


Bom seria...

Se os homens tivessem nos rios, mares e florestas seu equilíbrio e seu futuro.


Bom seria...

Se os homens enxergassem em seu próximo o próprio Jesus.


Bom seria...

Se os homens guardassem sempre em seus corações o espírito do Natal.


Dentre esses homens estamos nós. Façamos nossa parte e o mundo será outro.


Feliz Natal!!


Pedro Altino Farias
altino.frs@gmail.com

domingo, 18 de dezembro de 2011

Instante Urbano



Galinhas ciscam no terreiro...

Um avião sobrevoa a cidade a uma altura inimaginável,

Tornando mudo o som de suas turbinas.

No relógio, as horas passam mais rápido que os minutos.

Uma sirene! Será ambulância, bombeiro ou polícia?

A notícia na televisão dá conta de mais uma roubalheira nos gabinetes oficiais.

No rádio, muita pregação e pouca ação.

Espero uma ligação que não vem. Alta ansiedade.

Um grupo conversa animadamente numa esquina da vida. Gargalhadas.

Outro avião. Este passou rasgando estridentemente 
os ruídos da cidade.

Recebo uma ligação, mas não é a esperada.

A vida escorre, angustiada, por entre os ponteiros do relógio.

Uma folha seca cai no asfalto estéril. Ninguém percebe 
a morte que ali está.

Dez minutos demoram mais que duas horas.

A ligação não vem...

E as galinhas continuam ciscando no terreiro.


Pedro Altino Farias, em 18/12/2011

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Dancing Day


Luzes, cores e formas num arranjo psicodélico.
Sons destoantes, distantes, próximos.
Corpos em revolução, odores, suores.
Vibração, euforia, gritos de guerra.


Uísque, vodka, doses de campari.
O ontem... Ah! Viagem de volta ao que se quer, ao que se gosta.
O dia seguinte... Dia o que?
O hoje... Dancing day!
Mais sons, mais luzes, a euforia continua!


Passaram-se horas... Está tarde (ou cedo?).
Não há mais revolução e as luzes parecem cansadas também.
Já se pode falar, ouvir, olhar.
Os suores, antes indomáveis, estão agora colados ao corpo,
Que está colado a outro.
Serenamente, ternamente, apaixonadamente.
Sussurros.
Sem que se perceba o dia seguinte já chegou...
Mas ainda é ontem.



Pedro Altino Farias, em 08/12/201

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Encontro no "Buraco"

A turma do “Buraco do Reitor”, boteco do bairro do Benfica, em Fortaleza, reúne-se todo ano para bebemorar o ano que finda e a amizade que une seus freqüentadores.



Com cinqüenta e um anos de existência, o bar foi fundado e comandado inicialmente por Manoel, que passou a responsabilidade da administração a Andrade, seu irmão, há anos.







O primeiro encontro oficial se deu há 31 anos, e foi batizado de EBEM – Encontro dos Bebedores do Manoel. Depois, com Andrade à frente, surgiu o EBAN – Encontro dos Amigos do Andrade, que está na sua 22ª edição. Assim, sábado, 03/11, o pessoal comemorou simultaneamente o 31º EBEM e o 22º EBAN, com a participação de cerca de cinqüenta freqüentadores, inclusive eu.




Muita comida, bebida, música e brincadeira marcou o evento, que teve também a escolha do “Ferradura” (quem come mais) e do “Boneco” (quem apronta mais), sendo eleitos Mazim e Belém respectivamente.



Descrever com mais detalhes o que rolou nessa tarde fica difícil, pois sabemos que cada confraria tem suas particularidades, mas posso garantir que quem participa dessa turma não volta triste para casa.




Pedro Altino Farias


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Meu nome


Pedro Altino Farias é meu nome completo. O “Pedro” veio do avô materno de minha mãe. “Altino”, herdei do pai dela. Quando garoto, em casa e na escola sempre fui “Pedro”. No entanto, ao mudar de colégio aos treze anos, os novos colegas elegeram o “Altino” como nome de guerra. Por consequência cresci assim, dividido entre o “Pedro” e o “Altino”, contando ainda com eventuais e raros “Pedro Altino”.


Com meus ciclos de amizade se multiplicando a partir da adolescência, o “Altino” prevaleceu sobre o “Pedro” até nossos dias, fazendo, inclusive, que eu sempre assine como “Altino Farias”. Mas tenho sentido falta do “Pedro” ultimamente...





Na empresa troquei meu crachá recentemente. Excluí o “Farias” e adicionei o esquecido “Pedro”. Foi um começo. Em pouco tempo, pessoas que não conheço começaram a me chamar pelo primeiro nome. Achei estranho no início, mas estou me acostumando. “Pedro”, além da referência bíblica, é sonoro, curto e simples, assim como o pescador que celebrizou o nome. Altino é mais clássico, solene, mas também soa bem.


Então, o “Pedro” está oficialmente reabilitado, e agora passo a assinar Pedro Altino Farias, embora todos tenham a liberdade de continuarem a me tratar da forma que preferirem. Abraço a todos... Tanto do Pedro, quanto do Altino.



Pedro Altino Farias
altino.frs@gmail.com


terça-feira, 29 de novembro de 2011

A Sombrinha Amarela


O dia amanheceu nublado, frio. Uma chuva fraca e intermitente teimava em atrapalhar o dia de quem tinha compromissos a dar conta, e ele saiu da cama querendo ficar mais um pouco. Tarefas inadiáveis o esperavam. “Um desperdício botar os pés na rua numa manhã dessas”, disse a si mesmo.

Ela, com mil pensamentos ocupando a mente, nem pensou duas vezes. Embora sua manhã fosse a mesma, acordou muito cedo, arrumou umas coisas em casa e saiu. Sombrinha amarela à mão, ignorava se chovia ou não, queria apenas se desvencilhar o mais depressa possível dos afazeres do dia, e voltar para o calor, a segurança e a quietude do lar.


Coincidência! Os caminhos de ambos se cruzaram em meio à multidão. Chovia mais intensamente, e seus rostos estavam molhados pelos respingos levados pelo vento. Seus sorrisos eram a alegria do inesperado encontro.

Um não sabia do outro há anos, e emoções fortes dominaram esse breve momento, que foi efêmero apenas em relação ao tempo de sua duração, pois somente eles poderiam saber da importância daquele instante. Ou talvez nem eles soubessem...

Depois ela se foi, embrenhando-se no meio de mil guarda chuvas pretos e prédios cinzentos com sua sombrinha amarela. Parecia apressada, ou pelos compromissos que ainda tinha a cumprir, ou para afastar-se rapidamente daquelas lembranças. Enquanto isso, ele a observava olhando por cima dos guarda chuvas, vendo aquela sombrinha amarela se agitando e distanciando, até que a multidão fosse maior que sentimento dos dois.

Arrependimento. Ele já havia experimentado esse sentimento antes, repetido agora. “Por que deixá-la ir assim?”, pensou para, num instante, concluir: “Mas o que poderia fazer?”.

Fez! Saiu andando com velocidade em direção à sombrinha amarela, agora longe e difícil de mirar. Correu. O que faria quando a alcançasse? O que diria? Não tinha a menor ideia. Talvez nem precisasse dizer nada, mas o fato é que a sombrinha amarela se perdeu debaixo de uma chuva agora forte e intensa, entre mil guarda chuvas. Vê-la de novo? Quem sabe num dia qualquer, numa outra manhã fria e chuvosa... 


Pedro Atino Farias, em 29/11/2011

domingo, 20 de novembro de 2011

Loucos Somos Nós II


Vagueia pelo centro da cidade. Sua imaginação o transforma em um ser único, diferente, expressivo, fantástico. Para compor o que imagina ser, fantasia-se luxuosamente com o que encontra pela rua.

Enquanto nós nos submetemos ao tempo, nosso personagem o tem a seu inteiro dispor. Portanto, seu tempo é muito mais valioso que o nosso.

O ritmo de sua dança nos faz imaginar a música que soa no interior de seu ser. Bela música, por sinal. Aliás, a dança, associada à indumentária e à paisagem ao redor, faz com que a cena pareça mais um antigo ritual que uma dança qualquer. Um ritual alegre, de celebração de agradecimento pelo bom que se tem.

Mais uma vez eu pergunto: louco? Loucos somos nós, eternamente preocupados com o dia que de amanhã, como o time de futebol que anda mal das pernas, com o trabalho que lhe rouba oportunidades de viver melhor (mesmo sendo ele seu meio de sustentação), com roupas, carros, viagens... Quanta loucura!

Quem sabe um dia aprendo um pouco a viver com este senhor, e o mundo se revele para mim mais simples, mais justo, hospitaleiro, humano... E eu entre no ritmo dessa música imaginária, fazendo do tempo algo sem importância, e da vida, uma festa sem fim...

Altino Farias
altino.frs@gmail.com

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Nosso Grande Problema



A pedofilia é dos crimes mais repulsivos. Crianças indefesas sofrem horrores, na maioria das vezes molestadas por pessoas conhecidas, ficando profundamente marcadas para o resto de suas vidas. Quando essa violência parte de religiosos, o caso ganha dimensões diabólicas. Como uma criança pode ir contra alguém que se esconde atrás de uma batina com toda a força e credibilidade que esta indumentária confere?

Com relação a acontecimentos desta natureza, tem-se dito que pessoas com desvios de comportamento procuram a igreja como meio de estar próximos de quem desejam molestar. Faz sentido. O que não faz sentido é que, uma vez descobertos tais indivíduos, nenhuma providência se tome, permitindo que eles continuem a fazer vítimas por onde andam. Se tomasse as providências cabíveis de imediato, a igreja seria tão vítima quanto as crianças molestadas, mas, omitindo-se, torna-se, no mínimo, conivente com o criminoso.

Em nosso Brasil brasileiro tornou-se lugar comum político roubar e ter comportamentos absolutamente incompatíveis com as funções que exercem. Então faço um paralelo com o caso mencionado anteriormente: seriam ladrões que resolveram entrar na política para ficarem mais próximos da “galinha dos ovos de ouro”?

Do sofisticado esquema do “mensalão” à reles propinazinha de tostões, passando pelo tráfico de influência, utilização de informações privilegiadas em proveito de um grupo, superfaturamentos, ou impunidade criminal pura e simples, tudo estaria dentro do razoável se nossas instituições aplicassem as devidas punições de modo exemplar, no estrito cumprimento da lei. Agindo dessa forma elas demonstrariam que também são vítimas de malfeitores, e contariam com amplo apoio da sociedade para agir corrigindo erros. Mas, ao contrário, nosso Congresso, tribunais (todos), assembléias legislativas e câmaras de vereadores preferem tapar o sol com a peneira e dizer que está tudo em ordem, que se o “fulano de tal” agiu errado, de agora em diante ele vai se comportar bem. Ora bolas!

Coroando essa história de final infeliz (por enquanto), aparece-nos um vereador de Belo Horizonte, que está em seu quarto mandato, desfilando de cuecas em seu gabinete oficial e fazendo filminhos clandestinos de quem o visita. Imaginem quanta safadeza já deve ter acontecido nesse gabinete: suborno, propina, negociatas, coação, favorecimentos, chantagem, orgia sexual... E tudo filmado!

E nossas instituições? Onde estão para defender o interesse público, o bem estar social e fazer justiça?

EIS NOSSO GRANDE PROBLEMA: ELAS TAMBÉM ESTÃO DE CUECAS!!



Altino Farias
altino.frs@gmail.com

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Mania de Limpeza




Tinha mania de limpeza. Tudo dele era muito bem limpo. Qualquer indício de impureza o exasperava. Mas não era em relação a tudo, somente a comidas e bebidas.

Limitava-se a frequentar bares e restaurantes conhecidos. Uísque somente em copo baixo e largo, assim como para cerveja e chope, copo americano e caneca, respectivamente. “Como é que eles lavam o fundo de um copo fininho assim?”, perguntava com ar de nojo, referindo-se aos copos altos e longos do uísque, e às tulipas, no caso de cerveja e chope.

Certa época a família de sua esposa passou por turbulências. O patriarca havia falecido, e não houve consenso imediato em relação à partilha dos bens entre herdeiros. Um cunhado foi o pivô da desavença, por conta disso passaram algum tempo afastados.

Depois de muito vai e vem, enfim, vieram as pazes. Todos sorriam felizes e precipitaram uma reaproximação da família, como numa ânsia de ver efetivamente sacramentada a trégua. Para tanto, combinaram um almoço que reuniria todos numa só mesa. Recomeçaram os problemas.

Um queria num dia; outro, noutro. Almoço ou jantar? Outro impasse. Neste ou naquele restaurante? Ih...! O tal cunhado era osso duro de roer, e sempre queria que sua vontade prevalecesse. Mas nosso protagonista estava firme, e não cedia centímetro sequer. Um novo abismo começou a surgir aos pés da família, ficando uns de um lado, outros, doutro. Até questões já resolvidas começaram a ser revistas.

Diante de caos iminente, a esposa, ciente de seu papel pacificador, conversou com o irmão e com o marido. Um cedeu numa coisa, outro noutra. O marido escolheu dia e hora; o cunhado, o restaurante. Então ficou assim: uma feijoada no almoço de sábado em tal restaurante. O marido relutou, pois o local onde se situava a casa indicada levantava certa suspeita em termos de qualidade, mas acabou cedendo.

E chegou o grande dia. Todos lá, felizes (talvez nem tanto), tomando umas cervejas, conversando e relembrando as coisas boas do falecido. Enquanto isso as crianças brincavam num parquinho. Hora do almoço, pedido feito. Logo que o garçom repousou a feijoada na mesa, nosso maníaco por limpeza observou que restaram alguns pelos num pedaço de couro do suíno. Neste momento seu estômago revirou, a vista escureceu, a saliva jorrava em sua boca... Repugnância, náuseas! Mas ele não podia se dar por vencido diante do oponente, então reuniu suas últimas forças, resgatou uma ironia ácida do fundo das entranhas, e bradou ao garçom que já se afastava da mesa: “Garçom! Mais uma cerveja gelada e dois barbeadores descartáveis, por favor!



Altino Farias
altino.frs@gmail.com

domingo, 16 de outubro de 2011

Luiziane: Asfalto, Poste e... Votos



Luiziane Lins, prefeita de Fortaleza pelo PT, ficou conhecida da população da cidade pela incompetência administrativa. Sua atuação tem variado num amplo espectro, desde a omissão pura e simples ao malfeito. Com isso a cidade perdeu tempo, beleza, funcionalidade, turistas e riqueza. Enquanto isso Luiziane viajava e era vista com frequência em festas e badalações, sempre com um grande sorriso nos lábios, declarando que a Fortaleza dela estava bela.


Obras e atos controversos, no entanto, não faltaram nesses seus dois mandatos. O sempre adiado Hospital da Mulher, o polêmico (e também interminável) Jardim Japonês, e as duvidosas festas de réveillon são alguns exemplos.


Com a proximidade das eleições vem a quase obrigação de prefeitos fazerem seus sucessores. A prefeita anunciou recentemente que elegeria até um poste para sucedê-la, numa total falta de respeito ao cidadão fortalezense e a si mesma, pois uma afirmativa dessa natureza deveria ser o suficiente para a população desqualificá-la definitivamente para exercer qualquer função pública ou indicar alguém para tal.


Agora, a um ano das eleições municipais, ela resolveu “trabalhar”, realizando recapeamento asfáltico em importantes vias da cidade. Obra vistosa, enche o cidadão de satisfação, pois rodar pelas avenidas livre de buracos e quebradeiras mil é um grato prazer... E rende votos.


As obras de Luiziane podem até ser legais, mas por que realizá-las somente agora? Claramente ela está visando o próximo pleito, sendo imoral, incompatível com o bem administrar do gestor público, protelar obras e melhorias na cidade com o intuito de tirar proveito eleitoral do que é uma obrigação primária do prefeito.


Moralmente Luizinane comete duas faltas. A primeira, pela campanha antecipada que anda fazendo; a segunda, pela utilização de verbas e obras públicas para se promover. Como eu disse, esses atos são faltas morais, mas a grande maioria dos nossos políticos nem sabe o que é isso...





Altino Farias
altino.frs@gmail.com

terça-feira, 4 de outubro de 2011

"Isso" e "Aquilo"



Sob telhas de alumínio vejo o tempo passar, os dias correrem. Um após outro. Os ruídos e os odores deste ambiente me remetem à querida Barra Nova, praia singela e de uma beleza virginal. Esta referência à praia não se dá pela semelhança entre os dois lugares, mas exatamente pelo seu oposto. Às vezes me pergunto por que tudo “isso”, quando o que desejo na verdade é “aquilo”. Responsabilidades, eis a resposta.


Mesmo com tudo, hoje sou cem vezes mais irresponsável (ou menos responsável) que a vinte, trinta anos. Quando se chega aos cinqüenta, as coisas vão mudando de feição. O obrigatório torna-se opcional; o chato, nem tanto; o tempo, curto para certas coisas e longo em demasia para outras; o reprovável... Censurar pra que? Não há espaço para minúcias.

Vivo nessa luta do tempo contra o censo. Um dia... Quem sabe... Pego meu violão e saio por aí, bar em bar, de uma praia a outra, sumindo com o sol para ficar com a lua...

Pedro Altino Farias
altino.frs@gmail.com







domingo, 25 de setembro de 2011

Banheiros Vistos por Dentro




Aqui, no nosso bom e sofrido Ceará, estamos vivenciando o “Escândalo dos Banheiros”, caso em que verbas públicas para a construção de kits sanitários foram desviadas de seus propósitos, resultando na não execução das obras a que foram destinadas. Os principais envolvidos no caso são um ex-deputado e Presidente (atualmente afastado) do TCE, e seu filho deputado.



O caso está sendo investigado com "todo rigor”, e três servidores de escalões inferiores foram indiciados na esfera da administração pública. Na outra ponta, a privada, estão “presidentes de associações municipais”. “Bois de piranha”, claro. Sabe-se lá quanto de extra estão levando no bolso para encarar a situação no mais absoluto silêncio.



A coisa segue a linha “imoral, porém, legal”. Homens públicos, lidando com verbas públicas, pai e filho fizeram tudo de forma a não se exporem, ficando na retaguarda e na engorda dos seus caixas dois; enquanto “presidentes de associações”, todos, de uma forma ou outra vinculados aos chefões, são indicados como responsáveis pela falcatrua. Não sou criminalista, mas acredito que, a se confirmarem os fatos pela justiça, formação de quadrilha cairá bem ao nobre presidente e ao jovem deputado, além da tipificação da fraude em si.



Deixando de lado os aspectos legais e morais, vamos aos sociais. Há anos construí kits sanitários num município próximo a Fortaleza. Salvo engano foram 147 unidades. A obra foi executada por construtora regularmente estabelecida, da qual eu era o engenheiro responsável, e beneficiou igual número de famílias carentes.



O contrato foi de difícil execução devido à pulverização das unidades a serem construídas, espalhadas por bairros e distritos distantes. Fizemos um planejamento estratégico onde estabelecemos pequenos centros de distribuição de materiais, visto ser quase impossível fazê-la ponto a ponto. Encostado material num desses pontos durante o dia, à noite, por vezes, a própria população beneficiada subtraía parte dele. Em outras palavras, roubava-nos. Mas a empreitada estava contratada e tínhamos que executar, então procuramos as soluções mais adequadas para tocarmos a obra.



O serviço foi concluído no prazo e TODOS os 147 banheiros entregues, processo este acompanhado por assistente social, fiscalização do órgão federal competente e prefeitura local. Se não deu prejuízo, quase empatou, isto devido aos problemas de logística já mencionados.



Quero aqui relatar o que vi durante este período. Famílias morando em lugares isolados, crianças raquíticas, casas de taipa e chão batido, moscas em profusão, panelas vazias, cachorros pulguentos transitando para lá e para cá. Gente sem instrução, sem formação, abandonados à própria sorte. Moças bonitas e... Desdentadas. Garotos alheios ao mundo profissional que lhes aguarda, mulheres e homens envelhecidos precocemente e sem expectativas de dias menos sofridos. Os beneficiados pelos kits sanitários até então faziam suas necessidades no mato, literalmente. Triste. Apesar de tudo isso, por onde andávamos sempre nos ofereciam um cafezinho com um sorriso encabulado... Quando tinham café (o sorriso nunca faltou).



Essa quadrilha roubou dinheiro público da sociedade, isso é fato. Roubaram de forma indireta, disfarçada. Mas desse povo sofrido e carente de tudo, roubaram diretamente, tirando-lhe o benefício concedido pelo Estado de ter um simples banheiro em casa e melhores condições higiênicas. Um pequeno sonho de melhoria, impossível de ser alcançado por meios próprios. Do Estado, por sua vez, roubaram uma parcela significativa de um programa sério de saúde pública, comprometendo seus resultados a médio e longo prazos. Falta gravíssima, dadas as circunstâncias de subsistência da população beneficiada.



Agora pergunto: o que merecem os autores de um crime como esse?









Altino Farias


terça-feira, 20 de setembro de 2011

Eu e Meu Taíba Vip




Este ano participei do 3º Encontro Anual do Planeta Fusca. Decidi ir com meu Buggy Taíba como forma de homenagear esse velho e bom companheiro.




Simples como veio ao mundo, apenas fixei um cartaz em seu pára brisa com dizeres que traduzem nossa amizade, e que reproduzo aqui.







10 ANOS DE COMPANHEIRISMO




170.000KM RODADOS COM VALENTIA




ORIGINALIDADE A TODA PROVA




MIL PORRES




MOMENTOS INESQUECÍVEIS




PAISAGENS DESLUMBRANTES




PASSEIOS DE JERI A TIBAU PELA PRAIA




UM AMIGO INSEPARÁVEL




********







GALERIA DE FOTOS






LAGOINHA (2005)









TRAVESSIA DO JAGUARIBE (2007)






ATOLADO NO TRECHO MOITA/PATOS RUMO A JERI (2008)





FOZ DO RIO CHORÓ - BARRA NOVA (2009)










OPERAÇÃO DE RESTAURO TOTAL (12/2008)





MEUS OUTROS COMPANHEIROS:





OPALA COUPÊ DE LUXO 4 CIL. 1978



PUMA GTS 1980



FUSCA 1300L 78



KADETT GL 1.8 1996


ANTIGOMOBILISMO:
PAIXÃO A TODA VELOCIDADE!!

PEDRO ALTINO FARIAS

quinta-feira, 15 de setembro de 2011




Festa no Interior



Quando todos pensavam que a festa era no interior, descobriu-se que o grande rolo estava se dando mesmo era na Capital Federal. Novais, titular do Turismo, foi inocentado do fato de ter realizado uma orgia num motel de São Luiz (MA) com verbas públicas. Mas inocentado de tão grave falta, por que? Ora, primeiro ele ainda não era ministro, “apenas” deputado federal. Segundo, ele devolveu o dinheiro ao erário e se desculpou, entenderam?


Notem a similaridade com o caso de Jaqueline Roriz. Ela foi flagrada recebendo propina, mas foi inocentada porque o fato se deu antes de assumir uma cadeira na Câmara. Essa semelhança revela o modus operandi que a classe política adotou para tratar os seus. Imaginem se o mesmo critério fosse adotado para toda a população brasileira, visto que todos devem ser iguais perante a lei. Um sem número de “eu não sabia”, “mas isso foi antes de eu ser promovido”, “é tudo intriga dos meus desafetos”, e tal. Isso aqui viraria programa da Globo, uma zorra total!



Além da orgia do Maranhão, Novais pagou sua governanta particular por SETE longos anos com verba pública, e sua mulher usufruiu de motorista particular, também pago pela “viúva”, além das negociatas de praxe no ministério. E na hora de sair o homem ainda esperneou, pode? Pergunto: como é que um fuleragem desse foi nomeado Ministro de Estado? Será que a Presidente não foi devidamente alertada pela agência de informação? Ou será que ela sabia de tudo e fez vista grossa por questões “políticas”? E nós, devemos ficar à mercê dessas conveniências (ou conivências) políticas?




Altino Farias
altino.frs@gmail.com

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Eu Não Sabia de Nada...






A presidência da república precisa contar com um serviço de informação eficiente e leal. O propósito de tal agência é manter o chefe do executivo devidamente informado sobre movimentações políticas, econômicas e sociais, auxiliando o Presidente na boa governança. No Brasil temos a ABIN – Agência Brasileira de Inteligência, que sucedeu o extinto SNI- Serviço Nacional de Informação, que teve sua existência durante o regime dos generais.




É legítimo e necessário que o Presidente mantenha o setor de informação e inteligência sob seu comando, sempre observando os limites impostos por lei.




Causa-me estranheza que simples repórteres, munidos apenas de bons contatos, câmera e microfone, consigam trazer à tona casos os mais escabrosos, onde figuram como protagonistas grandes personalidades da nossa República, e a ABIN, com todas as prerrogativas que uma agência como ela tem, não chegue a um centésimo do resultado obtido pela imprensa livre.




Nossos repórteres, por mais competentes, obstinados, perspicazes e atuantes que sejam, ficam bem longe das condições especiais que a ABIN desfruta para obter informações. Escuta telefônica e quebra de sigilos bancários autorizados pela justiça, dentre outras, são verdadeiras armas no ofício de investigar. E tudo dentro da lei.




Pois bem, nosso ex-presidente Lula, a cada novo escândalo – e não foram poucos – vinha a público declarar que de nada sabia. Agora a história se repete com sua pupila, Dilma, que se mostrou surpresa com a revelação feita pela imprensa de que José Dirceu, sob as sombras, comanda um verdadeiro governo paralelo a partir de um quarto de hotel. Oh!




Será verdade o que Lula e Dilma alegam? Será que nada sabiam de fatos tão relevantes como o mensalão e o balcão de negócios instalado na Casa Civil? Se eles não sabiam de fato, há três possibilidades: ou a ABIN pisou na bola e não tomou conhecimento desses casos, ou se omitiu, ou foi conivente com os infratores e corruptos. Qual das três a pior? Em se tratando de ABIN, todas, pois, de uma forma ou outra, houve falha grave.




Movimentos dessa magnitude deveriam, obrigatoriamente, ser detectados pela inteligência que assessora a presidência. Dirceu, depois de cassado, deveria ter sido monitorado diuturnamente, mesmo sendo um homem do partido que está no poder, pois aqui se fala em segurança nacional e não de futricas entre companheiros. O povo brasileiro quer que a legalidade prevaleça, não importando se Fulano ou Sicrano é ou não da “base aliada”.




Mas há ainda a possibilidade de nossos ilustres presidentes terem se omitido, ou mesmo faltado com a verdade, permitindo, com pleno conhecimento, que bacanais rolassem nos gabinetes oficiais de Brasília. Mais grave ainda que uma pisada de bola da Agência.




Não há vislumbre de que verdade desnude esses casos. Então continuamos assim, com uma agência de inteligência que leva dribles consecutivos da imprensa livre; presidentes que tomam conhecimento de fatos graves como um cidadão comum, ou seja, pelos jornais; e nós, brasileiros, a ver o mesmo filme mais uma vez, cujo título é “Eu não sabia de nada...”.




Altino Farias
altino.frs@gmail.com

domingo, 11 de setembro de 2011

Passei uns tempos sem falar em política nem atualidades. Nesse período preenchi o espaço deste blog apenas com crônicas despretensiosas de minha lavra, mas, como o mundo continua girando e os fatos se sucedem, senti aquele impulso de voltar a tecer comentários pessoais sobre nosso momento, e fazer valer o título do blog: Opinião em Perspectiva. Portanto, de ora em diante crônicas se alternarão com artigos de opinião, tornando o “Opinião” mais interativo e dinâmico. Acesse, leia, comente.





Sombras



Dilma foi eleita em pleito democrático, porém, conforme já havia comentado aqui mesmo, embora a votação em si tenha transcorrido em clima de normalidade, toda sua campanha eleitoral foi viciada e recheada de irregularidades. A maioria cometida pelo ex-presidente Lula, que usou e abusou da máquina federal para fazer de Dilma uma candidata viável. Ou seja, a campanha foi totalmente desigual, anti-democrática.

Eleita e empossada, ela iniciou seu mandato com ministros herdados diretamente do governo Lula, outros indicados por ele, mais alguns pela “base aliada”, e uns poucos por ela mesma. E começou a governar, dando sinais de ter vida própria.


Iniciou revendo o orçamento, orientado ações de ministros, lançando programas pomposos. Rechaçou a tentativa de controle da imprensa e reposicionou o Brasil no cenário mundial em termos de política internacional. Palmas!



Neste meio tempo, a imprensa, na sua incansável busca por casos e fatos, seguiu indícios de irregularidades no Ministério dos Transportes. Coisa antiga. O que veio à tona derrubou o ministro e mais outros tantos. Depois foi a vez da Agricultura. Jobim, da Defesa, saiu do governo falando mal dos colegas, mas pelo menos não se viu roubo em sua pasta. Também pudera. A caserna está com os soldos defasados e as Forças Armadas mais desarmadas que nunca. Roubar o que? A bengala de um cego?





Na seqüência tivemos o escândalo no Turismo. Parece brincadeira, mas tudo isso se deu em nada mais, nada menos que sete, oito meses de governo, que por sinal, ainda não conseguiu engatar a primeira marcha e dar uma boa arrancada.

Mais recentemente revelou-se através da imprensa (sempre ela), que o cassado José Dirceu comanda pessoalmente muitos dos colaboradores diretos de Dilma. Atentemos bem para a gravidade da situação. Pelo que se viu, Dirceu, que está com os direitos políticos cassados pelo que já aprontou, articula com ministros, presidentes de estatais, líderes parlamentares, todos homens investidos numa função pública, quer por voto direto, quer por nomeação do executivo. Homens que deveriam defender os interesses da sociedade estão conspirando contra o Brasil, procurando de todos as formas garantir vantagens para si próprios, encobertos pelas sombras sob as quais Dirceu se locomove tão bem.




Que acendam as luzes, os refletores. Que o Brasil todo se ilumine. Que consiga sair dessa imensa e eterna sombra, e se deixe brilhar como uma Nação justa social, política e criminalmente falando. Aos Corruptos, punição exemplar! E, uma vez vencidos, devemos cuidar para que jamais sejam nocivos ao País novamente.





Altino Farias
altino.frs@gmail.com

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Eu Quero!


Eu quero beber num botequim...

Que tenha um balcão nem grande nem pequeno, mas simples e acolhedor, onde a gente possa beber junto e rir das coisas da vida por horas a fio.

Eu quero beber num botequim...

Que tenha tamboretes toscos para sentarmos, mas tão aconchegantes que a gente nem sinta o tempo passar.

Eu quero beber num botequim...

Onde o dono do bar beba conosco, participe de nossas brincadeiras e que, de vez em quando, se embriague também.

Eu quero beber num botequim...

Em que a falta de tira-gosto não faça falta, porque cada um traz um pouco de casa, dividindo com os outros sua alegria de estar ali.

Eu quero beber num botequim...

Onde eu tenha a certeza de que o próximo a chegar é um amigo, e o próximo também, e próximo e o próximo.

Eu quero beber num botequim...

Onde se discorde de política, futebol e religião o tempo todo; mas que, no fim das contas, política se transforme em amizade, futebol em cachaça e religião em solidariedade.

Raimundo dos Queijos, Chaguinha, Esquina, Bigode, Pedim...
Balcão, tamborete, cachaça e bebim...
Bebo também no Buraco do Reitor,
Em todos, amizade, verdadeiramente, quer dizer amor.



Altino Farias, em 06/07/2011
altino.frs@gmail.com

terça-feira, 9 de agosto de 2011

"A Vida Não se Resume em Festivais" - Um Manifesto Pela Amizade



Vaiado num festival de MPB dos anos 60, Geraldo Vandré cunhou uma frase que ficaria famosa: “A vida não se resume em festivais”.

Um festival requer preparação, disciplina, parcerias, perfeição; e culmina com uns se sobressaindo sobre outros, até que, no final, um único grande vencedor é ovacionado pelo público ou pela crítica. Ou pelos dois, num caso mais raro. Mas será mesmo que aquele é o melhor?

Na vida, detalhes bobos talvez façam a diferença, enquanto grandes acontecimentos podem não ter importância alguma. Saborear uma fruta suculenta, admirar o canto dos pássaros, uma cortesia de um desconhecido na rua, um objeto de estimação que traz lembranças boas, um dia em família, um jantar especial, um olhar sugestivo, um por do sol, um abraço... Pequenas coisas. Banais até. Mas que podem ser tão espetaculares quanto um grande festival.

Por que falar em festivais se o assunto é futebol? É que o futebol é um grande festival. Empolga multidões, leva a paixões, cega. Um campeonato nada mais é que um festival de times que se preparam com afinco para, na arena, provar quem é o melhor, o mais perfeito. Ou menos imperfeito. Enquanto a bola rola, torcedores se digladiam nas arquibancadas, colegas se insultam nas escolas, amigos discutem infrutiferamente nos bares. Torcidas brigam entre si, brincadeiras são tidas como agressão, amizades se abalam. A paixão pelo grande festival do futebol tem feito muitas vítimas mundo afora.

A certo momento nos damos conta que “A vida não se resume em festivais”. Será que essa percepção veio tarde demais para um mau feito? Acredito que não, que nunca é muito tarde, tudo tem seu tempo. Neste tempo os homens entenderão que enquanto os festivais acontecem, a vida segue linda, colorida, maravilhosa e cheia de amor, basta que tirem os olhos do palco para enxergarem que existe um mundo possível à sua volta... E muitos amigos.

Acreditem, “A vida não se resume em festivais”. A vida deve ser doce e simples, apesar das dificuldades que enfrentamos no dia a dia. Amargura? Rancor? Nem pensar! Festivais são bonitos de se ver, mas seus bastidores... Humm, nem tanto. Portanto, tiremos nossos olhos do palco vez em quando, lembrando sempre da frase de Vandré. Depois é só seguir caminhando e cantando...

Altino Farias
altino.frs@gmail.com


domingo, 31 de julho de 2011

O Eletricista


Gosto de carros. Gosto, não, sou apaixonado por eles, especialmente os nacionais dos anos 60/70. Dessa época todos me atraem. Dos atuais, uns poucos, pois a maioria segue “tendências” que os tornam sem personalidade.

A meio tempo entre o “antes” e o “agora”, tive o Opala Diplomata como sonho de consumo. Acabei adquirindo um usado, ano 1987, quatro portas, verde metálico. O carro era completo e sem defeitos aparentes, porém, vez por outra sua bateria descarregava totalmente, ao ponto de fazê-lo parar por falta de corrente elétrica. O problema se tornou verdadeiro mistério, visto que ninguém conseguiu descobrir sua origem.

Embora fosse um sábado de carnaval, eu havia agendado alguns compromissos profissionais com um colega. No roteiro duas cidades, ambas a cerca de 70 quilômetros da Capital. Na primeira fomos a um distrito, num percurso de 15 quilômetros para ida, e tanto igual para volta à sede do município.

Durante a volta, bem a meio caminho, numa estradinha carroçável, com o sol das 12:30 horas a maltratar nossos miolos, a luz alerta da bateria acendeu no painel. Gelei! Continuei em frente, agora pisando mais forte no acelerador, tentando, pelo menos, chegar à cidade, onde poderia obter ajuda. Tentativa frustrada, pois o “possante” morreu no meio do nada.

Ainda restava um pouco de carga na bateria, e pedi auxílio a uns caboclos que passavam. Eles ajudaram a empurrar o carro, que pegou no tranco, apagando-se de novo bem na entrada da cidade. “Agora estou tranqüilo”, pensei, com relação a um socorro elétrico. Perguntamos a um e outro, porém, como era sábado de carnaval, nenhum profissional foi encontrado na ativa, todos estavam na gandaia momina.

Enfim, apareceu um não sei de onde. Assustado e vendo as coisas complicarem, perguntei logo se havia possibilidade do Diplomata ser guardado na oficina dele, caso uma solução imediata não fosse possível. “Dá não, doutor. Minha oficina é pequena, é de bicicleta!”, respondeu o curioso que fazia as vezes de eletricista de automóveis. Perdi a fé no homem, e a esperança de sair dali dirigindo meu carro, mas como ele se mostrava muito prestativo, dei-lhe mais um tempo, afinal era carnaval e minha programação já havia ido mesmo para a lata do lixo.

Sem mais esperar por notícia boa, o “eletricista” emerge a cabeça de dentro do compartimento do motor com um fio solto na mão, dizendo: “Tá aqui o defeito!!”. E pegou um canivete, descascou a ponta do fio, soltou uma porca no alternador retirando um terminal partido, enroscou o fio lá, e apertou a porca. Depois disse animado: “Agora vamos fazer uma chupeta!”, acenando para que um amigo dele encostasse outro carro no meu, com o fim de fornecer a carga necessária para o motor de partida virar.

Sucesso! O motor pegou de primeira, com o alternador gerando a energia necessária para recarga da bateria. Conseguimos ainda cumprir parte do programado, terminando a tarde com uma cerveja gelada à beira das estrada e boas gargalhadas, lembrando a incrível história do mecânico de bicicleta do interior que resolveu o mistério que nenhum eletricista de grife da capital havia conseguido.

Altino Farias
altino.frs@gmail.com