terça-feira, 21 de maio de 2013

O Ceará em Quinze Dias - 1º Trecho: Fortaleza - Camocim


Saímos de Fortaleza dia 03/0313 às 8:40 da manhã com destino o objetivo de pernoitar em  Camocim, fazendo o seguinte percurso: Umirim, Amontada, Itapicoca, Itarema, Acaraú, Cruz, Jijoca e Granja.

Em Timbaúba, distrito próximo a Tururu, uma imagem inusitada: uma bela pracinha com local para a TV comunitária, mas... Cadê a TV? Perguntamos ao povo do lugar que, com um riso sem graça, deu de ombros. Coisas do Brasil.

BONITA PRACINHA, MAS... CADÊ A TV? 

Em seguida, numa rápida passada por Itapipoca registramos o Mercado Municipal e Igreja Matriz.


               
               MERCADO DE ITAPIPOCA
IGREJA MATRIZ

De volta à estrada, antes da entrada para Itarema paramos no Ponto da Paçoca, em Nascente, para uma merenda. Ótima paçoca, bolo mole, e tal. Uma bucólica igrejinha bem ao lado convidou-nos a uma rápida oração de agradecimento.   

GORETTE NO PONTO DA PAÇOCA

IGREJA DE NSA. SENHORA DA CONCEIÇÃO

Chegando a Itarema seguimos à leste rumo a Amofala e Torrões, distritos do município. Em Almofala uma parada obrigatória defronte à igreja que permaneceu soterrada pelas areias das dunas por anos a fio.

IGREJA DE ALMOFALA QUE ESTEVE SOTERRADA POR ANOS

Em Torrões, na foz do Aracatimirim, tem belas paisagens a se admirar.

LINDA PAISAGEM DE TORRÕES

Na volta, já quase sem esperanças de encontrar um bom local para comer, almoçamos num ótimo restaurante em Itarema.

ÓTIMO RESTAURANTE EM ITAREMA: UM ACHADO!!

Próxima escala, Acaraú. Ao chegarmos demos uma entrada na cidade para espirar seus ares.  Antigo distrito de Sobral, Acaraú, que na linguagem indígena quer dizer Rio das Garças, ascendeu á categoria de município contanto com o empenho do então jovem acarauense Padre Antônio Tomás.

Aliás, merece destaque o fato de termos visto uma placa indicando “Casa de Padre Antônio Tomás” no entorno de uma praça. Procuramos, rodamos e nada!  Mais uma volta e, para nosso espanto, a casa de Antônio Tomás era a menor e mais humilde dentre todas ali.

CASA DE PADRE ANTÔNIO TOMÁS

Na sequencia, passagens rápidas por Jijoca e Cruz, pois estava começando a ficar tarde e queríamos passar mais na clama em Granja.
  
Em Granja estivemos na ponte metálica sobre o Rio Coreaú mandada construir quando da visita de Princesa Isabel e seu marido, o Cond’Eu, à cidade, em 1889. Granja tem muitos filhos ilustres como Pessoa Anta, Azevedo Bolão, Padre Mororó e Olavo Oliveira, dentre outros.

PONTE METÁLICA SECULAR EM GRANJA

A cidade conserva certo casario e prédios públicos antigos, conferindo um ar de nostalgia às suas ruas e praças. Pena que alguns mal conservados.

ANTIGA CADEIA PÚBLICA: ABANDONO 

ANTIGA CADEIA PÚBLICA

BIBLIOTECA

Chegamos a Camocim ao fim da tarde, hospedando-nos no hotel Ilha do Amor, bem defronte à Beira Rio. Depois de nos instalarmos fomos dar um giro na cidade e avenida que fica à beira do rio, com seus píeres e barcos. À noite, cerveja e boa comida, desfrutando dessa paisagem.

BEIRA RIO BADALADÍSSIMA!!

No dia seguinte havíamos programado ir à Ilha do Amor, do outro lado do rio, e depois a Maceió, praia 18km ao norte de Camocim, mas, como era segunda feira, fomos advertidos que na ilha nada estava funcionando. De fato um olhar mais atento nada via que se mexesse do lado de lá.

ILHA DO AMOR SEM VIV'ALMA NA SEGUNDA
Abortamos o passeio na ilha e fomos direto a Maceió. A estrada é circundada de belas paisagens. Passamos por Lago Seco e Praia do Farol até chegarmos ao nosso destino. A famosa segunda feira também fechou as barracas de lá. Quase todas, pois fomos salvos pelo gongo encontrando alma caridosa que nos servisse boas e geladas cervejas.

A CAMINHO DE MACEIÓ, LAGO SECO

EFEITO COLATERAL DA "LEI SECA"

SALVOS PELO GONGO!
O maior problema foi a ar condicionado que deixou de funcionar. De volta, ainda procurei auxílio, mas não conseguiram vedar um vazamento de gás no sistema do ar e, a fim de não perder tempo, resolvi deixar como estava. Daí para frente sentimos na pele o “calor humano” do Ceará. Ou melhor, o calor no humano!

NA OFICINA ELETRIAR TENTADO ARRUMAR O AR DO KADETT
Na à noite, mais uma cervejinha à beira do rio, curtindo uma brisa suave e gostosa.



A estadia foi boa, e antes de partir ainda fizemos um tour pela cidade, indo ao Mercado Municipal em cuja praça há uma homenagem ao filho ilustre, Pinto Martins.

PREFEITURA: ANTIGA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA
RUÍNAS DO SPORTE CLUB

HOMENAGEM A PINTO MARTINS

MERCADO MUNICIPAL

E na hora da saída para Viçosa o Kadett apresentou um vazamento de combustível ao ter seu tanque cheio. uma chegadinha à uma oficina, e o problema foi rapidamente solucionado (era a mangueira do suspiro ressecada).

Semana que vem, dois dias em Viçosa.


Pedro altino Farias, em 21/05/2013 




terça-feira, 14 de maio de 2013

O Ceará em Quinze Dias - O Projeto




Em 2013 não abandonamos os grandes projetos de férias, porém, desta vez elegemos nosso Ceará como roteiro ao invés de irmos desbravar terras distantes. 


Partimos dia 03/03/13, retornando dia 18/03/13. O objetivo traçado foi percorrer o estado em seu perímetro, saindo de Fortaleza rumo ao litoral norte, subir a Serra da Ibiapaba, descer pelos Inhamuns, explorar o Cariri, visitar os açudes Orós e Castanhão, curtir o sol e o alto astral de Canoa Quebrada e retornar ao ponto de partida.

Em termos logísticos a viagem foi dividida em nove trechos, sempre levando em consideração distâncias e tempo para um city tour em algumas cidades. Dessa forma tivemos:

1º trecho: 02 dias.
Fortaleza - Camocim, com passagens em Itapipoca, Itarema, Acaraú Cruz e Granja.

2º trecho: 02 dias.
Camocim - Viçosa.

3º trecho: 01 dia.
Viçosa - Ipu, com passagens Tianguá, Ubajara, Inhuçu, São Benedito, e Guaraciaba do Norte.

4º trecho: 01 dia.
Ipu - Tauá, com passagem em Ipueiras.

5º trecho: 01 dia.
Tauá - Cariri (base em Juazeiro do Norte), com passagem em Assaré, Nova Olinda e Santana do Cariri.

6º trecho: 04 dias.
Passeios em Juazeiro do Norte, Caririaçu, Crato (incluindo Granjeiro e Lameiro), Barbalha e Caldas.

7º trecho: 01 dia.
Cariri - Nova Jaguaribara, com visitas a Icó, Lima Campos, Orós (cidade e açude) e açude do Castanhão.

8º trecho: 02 dias.
Nova Jaguaribara - Canoa Quebrada (Aracati), com passagem em Jaguaruana.

9º trecho: 01 dia
Canoa Quebrada - Fortaleza, com visita a Aracati.

A programação prevista foi 100% cumprida, sendo percorridos exatos 2.456 quilômetros a bordo do meu Kadett GL 1.8 1996. 

Na fase de planejamento consultei alguns amigos com o intuito de otimizar cada segundo. Assim, Régis Tavares forneceu um mapa atualizado das estradas do Ceará; e Messias “Rivelino”, Romeu Duarte, Robledo Duarte, Renato Bellaguarda, Júlio Augusto, Antônio Júnior e Eisenhower Braga foram alguns dos que fizeram sugestões e deram dicas de passeios, pousadas. Nossos agradecimentos a todos.

Depois montamos planilha de estimativa de gastos, distâncias entre cidades, tempo de permanência em cada lugar, locais a visitar, e tudo mais que pudéssemos prever.

Em Camocim, Viçosa do Ceará, Juazeiro do Norte e Canoa Quebrada fizemos reservas de hotéis e pousadas para prevenir surpresas e evitar a perda de tempo na escolha de locais para pernoite. Nas demais cidades escolhemos nossas acomodações ao chegarmos, mas não houve problemas.

Ao fim dos quinze dias, apesar de alguns problemas com o carro, cumprimos 100% de nosso roteiro, ainda nos dando ao direito de visitar Jaguaruana para comprar redes, e ficar um dia a mais do que o inicialmente previsto em Canoa. Os gastos efetivos também foram compatíveis com os planejados. Enfim, nesses quinze dias tomamos um verdadeiro banho de Ceará, cearenses e coisas da terrinha. Bem que estávamos precisando.

ANOTEM: 91.745 KM NA SAÍDA

GORETTE PÕE A ÚLTIMA MALA NO KADETT

IDENTIFICAÇÃO NA TRASEIRA: "FÉRIAS 2013: CURTINDO O CEARÁ"

JÚLIO AUGUSTO (D) E ERMÍNIO (E)  PRESTIGIANDO A SAÍDA A PARTIR DO FLÓRIDA BAR 

Postarei aqui a viagem por etapas, procurando fazer uma boa narrativa de cada trecho com o formato de um diário de bordo. Apertem os cintos que o Kadett está quase pronto para pegar a estrada. Espero que também apreciem a viagem e as paisagens do nosso Ceará. 


Pedro Altino Farias, em 14/05/2013

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Ser Menos



Talvez seja mal da idade, mas quero ser cada vez menos. O “menos” é saudável quando bem aproveitado. Acredito que pessoas, querendo ser sempre mais, entram numa roda-viva da qual se tornam escravas, e acabam por não saber se devem parar, como ou quando.

O evento Facebook mostra bem esse efeito. Antes de termos essa amplitude virtual à nossa disposição em tempo real, era difícil expor ideias e pensamentos para todos. Hoje, até mesmo coisas de gosto pessoal e atividades íntimas do dia a dia são publicados na net e ganham o mundo em segundos. Muitos querem mais. Aparecer mais, expor-se mais. Parecer mais inteligentes.

Um cara dito intelectual busca razões para embasar seus pensamentos nos filósofos antigos, ou nos iluministas, ou nos revolucionários que fizeram surgir os tempos modernos, ou mesmo numa música ou simples entrevista do Chico Buarque. Complicado, hein?

Por que não ser menos, então? Por que não ter como suficiente seu próprio pensamento e convicções baseadas em experiências e observações vivenciadas? É realmente preciso ter o “aval” de um grande pensador para consolidar sua ideia? Então melhor parar de pensar e ficar somente com que os “grandes” já pensaram e fim.

“Ah, mas o problema é que os outros não aceitam essa simplicidade. Por isso é que se precisa recorrer a alguém ‘maior’, seja lá quem for, para dar legitimidade ao que se diz.”, poderiam me explicar.

O fato é que hoje em dia é difícil alguém falar por si. A recorrência a um pensador anterior famoso faz-se quase que necessário para que alguém exprima o que sente ou pensa com segurança. Então, insisto, que não se pense mais, ora bolas!

Ser menos não é ser menor. Ser menos é uma boa ideia! Meu objetivo atual é esse: ser cada vez menos. Por paradoxal que possa parecer, o “pouco” abre nossa mente para o saber, simplifica a vida e multiplica os prazeres que dela podemos extrair. Simplesmente.

Pedro Altino Farias , em 26/11/2012

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Problema



Varou a madrugada pensando naquele problema. Problemão, aliás. Evitou deitar-se na hora habitual. Esticou mais um pouco a leitura, até porque o sono não chegara. Encostou o livro, virou de lado e... Nada! Só aquele problema repercutindo incessantemente em sua cabeça como se levasse seguidas marteladas no crânio.

Dormiu por pura exaustão. Um sono leve e assustado. A cada susto, o coração disparava, parecendo que entraria em colapso a qualquer momento. Minutos intermináveis até dormir novamente. O mesmo sono leve e assustado.

Acordou um trapo. Enfadado, cansado, com olheiras. E com o problema do mesmo tamanho que antes. Não conseguiu tomar café. Não cumprimentou o vizinho no elevador. Não se apressou no trânsito. Afinal, pressa para que? Queria somente que aquele dia passasse logo, os fatos se consumassem e pudesse, enfim, tirar aquele peso dos ombros.

Chegou a hora, o momento da verdade. O problema lhe foi exposto em toda a sua dimensão, com todos os nervos à mostra, todas as suas implicações e consequências. “Solução?”, perguntaram-lhe, dirigindo-lhe um olhar severo.

Avaliações diferentes resultam em conclusões diferentes. Às vezes somente na intensidade, mas diferentes. Soluções diferentes traduzem ângulos diferentes de ver uma situação.

O maior dos problemas é a morte, ou a forma que lidamos com ela. Se o convívio é “bom”, temos a solução de praticamente todos os outros problemas da vida. Todos infinitamente menores (se é que a morte é um problema). Pensando assim, conseguimos nos libertar de muitos males e aflições, mas é difícil, reconheçamos.

Expôs seu ponto de vista sobre a questão e a solução imaginada. Pensavam iguais! Surpresa e alívio! Concordância: sempre desejável, nem sempre possível.

Perdera a noite e, momentaneamente, a paz. Responsabilidade! Chegou até a desejar não estar mais no mundo dos vivos, mas logo em seguida percebeu ser esse um mau negócio, pelo menos por hora. Por fim, triunfou. Mas esse sucesso poderia ter sido menos dolorido. Para tanto, bastava-lhe um “fodam-se” no meio do caminho...

Pedro Altino Farias, em 15/01/2013
ATENÇÃO:
os textos deste blog estão protegidos pela lei nº 9.610 de 19/02/1998. Não copie, reproduza ou publique sem mencionar os devidos créditos. 

terça-feira, 2 de abril de 2013

A Casa da Praia



Sonhava com um cantinho só nosso e um pedaço de mar a perder de vista. Muitos sonham também. Para isso havia adquirido um terreno na praia há anos, mas as condições financeiras nunca haviam permitido a construção de qualquer benfeitoria que fosse. Mais um ano passado, mais uma vez adiado o sonho. Parecia a linha do horizonte, que se afasta de nós na mesma proporção em que nos aproximamos dela.

Havia dias em que minha mulher me flagrava na prancheta rabiscando o que seria a casa da praia. Um puxão de orelhas me trazia de volta a realidade das posses restritas e sonhos postergados. “Sonhar não custa nada”, argumentava eu. “Quem sabe um dia...”

O ramo da construção civil, no qual eu atuava, é cheio de altos e baixos para pequeno empreendedor, meu caso. Num desses altos, separei modesta quantia, e, num ato de pura irresponsabilidade, resolvi construir uma casinha no local. Tomei a decisão sozinho, pois, submetida ao colegiado doméstico, seria voto vencido ante as demandas prioritárias do cotidiano.

Orçamento e cronograma prontos, escalei pedreiro e servente e mãos à obra. Às terças e sábados corria até a praia, distante setenta quilômetros,  para acompanhar o serviço e suprir necessidades. Bronzeado, minha mulher, intrigada,  perguntava por onde eu andava. “Sou peão de obra e vivo no sol”, respondia desconversando. Mas a pulga continuava atrás de sua orelha.

Ao cabo de quatro semanas um pretexto mal inventado levou a família completa à praia: eu, minha mulher, filha e filho pequenos. Outra desculpa explicava a carrocinha cheia de tranqueiras que o carro rebocava. Ao chegarmos ao terreno, protesto geral: “Construíram um casa em nosso terreno!”; “Como é que ninguém viu isso?”; “E agora?”.

Em meio ao pânico que se estabeleceu, minha mulher viu Max, o pedreiro que trabalhava para mim, sair da casa, e sorriu aliviada, entendendo de imediato o que se passava. Foi assim que aconteceu, e graças a essa “irresponsabilidade” até hoje nos refugiamos no “Solar Além do Horizonte” para curtir o por do sol, bronzear o corpo todo, ouvir o silêncio, ver o amanhecer que é lindo...   


Pedro Altino Farias, em 03/04/2010

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terça-feira, 26 de março de 2013

Entre a Luz e a Espada




Sentia uma pressão aguda na pele à altura do peito. Pendesse mais um pouco à frente, por certo a lâmina fria e afiada daquela espada transpassaria seu coração, fazendo-o sangrar fatalmente. Imóvel, olhos arregalados, o suor escorria pela face, ora parecendo lágrimas, ora parecendo gotas suicidas a precipitarem-se da ponta de seu nariz rumo à morte.

E se retrocedesse? Uma enorme e pesada cruz o aguardava. Um peso de cem toneladas, avaliava, esmagá-lo-ia. Que fazer numa situação dessas, estando entre a cruz e a espada? Embora não houvesse tempo para tal, uma reflexão instantânea se fazia necessária.

Seguir adiante significaria morte certa, com uma lâmina de aço atravessando seu peito. Retroceder trazia a expectativa de ter de suportar um enorme peso, talvez maior que seu corpo aguentasse. “Talvez”, essa foi a chave para sua decisão.

Deu um passo atrás e a cruz, aparentemente impiedosa, pesou-lhe nos ombros. Num primeiro momento suas pernas tremularam, o coração bateu em disparada, o suor encharcou todo o seu copo. Fraquejou. Pensou que não resistiria, mas algum tempo depois...

Mesmo com a cruz ainda lhe pesando horrores, as batidas do coração acalmaram, e ele já podia enxergar adiante. Sabia que desde então sempre teria aquela cruz às suas costas, e entendeu que poderia suportá-la. Mais que isso, começou a compreender como torná-la mais leve e o que a fazia pesar mais.

O tempo foi passando. Somente assim, com a cruz às costas, observou que cada um de nós leva consigo sua própria cruz. Uns a suportam com alegria, disposição e resignação; outros, com pesar, tristeza e inconformismo. Concluiu que a maneira como cada um encara sua cruz é que determina seu peso.

O tempo passou mais um pouco. Lembrou-se daquele dia já distante em que ele olhou para frente e sentiu o frio de uma espada, olhou para trás e viu todo o peso de uma cruz. “Como me enganei!!”, pensou, “Não era uma CRUZ, era LUZ!”.


Pedro Altino Farias, em 25/03/2013

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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Reflexos



Via-me em ti.
Um dia percebi que havia desaparecido dos teus olhos.
Onde estaria?
Para aonde teria ido?
Voltei, ou nem cheguei a ir?
Não encontrei respostas.

Agora me vejo num espelho.
Diferente de antes, minha imagem repete meus movimentos e gestos.
Olhei mais uma vez e vi tua pessoa em mim, 
Mas... E eu?
Para aonde teria ido? Onde teria ficado?
Novamente não encontrei respostas.

Atordoado, olhei para o passado. Eu ainda estava lá.

 Pedro Altino Farias, em 31/01/2013

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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Bomba Relógio



Os riscos e irregularidades que podem culminar em tragédias como a de Santa Maria ocorrem todo dia, a todo momento, em todos os lugares. Nós mesmos facilitamos, transgredimos normas, desdenhamos orientações. Depois, "Oh!, que tragédia!!", lamentamos.

Deixando as obrigações não cumpridas do estado de lado (e são muitas), voltemos nossos olhares críticos a nós mesmos. Adoramos comprar um Iphone no preço (contrabandeado) e DVD’s piratas. Contratamos pedreiros para serviços que exigem a expertise de engenheiros. Aconselhamo-nos com balconistas de farmácias ao invés de procurarmos médicos. A lista é imensa...

Como resultado, mantemos ativas quadrilhas de contraventores, edifícios desmoronam, doentes gastam e não resolvem seus problemas... E até pioram, voluntariamente, seu estado de saúde.

Incêndios. A grande maioria ocorre de surpresa, mas não sem aviso prévio. Há várias causas, a maioria  previsível, evitável. Dentre todas, o curto circuito nas instalações elétricas prediais aliado ao contato com materiais inflamáveis, que propaga o fogo rapidamente, é a mais corriqueira. O curto circuito pode ocorrer pela simples fadiga do material, ou por circuitos sobrecarregados e materiais subdimensionados, e pergunto: cadê a figura do engenheiro eletricista?? Ah, não precisou, o “Seu Zé Bundasuja” disse que dava conta. Puxou um fio daqui, emendou noutro acolá e pronto. Foi embora e deixou uma bomba relógio silenciosa pronta para matar a qualquer momento.

Faço esse comentário ignorando a causa da tragédia de Santa Maria, que, parece, ocorreu por uma irresponsabilidade gritante dos integrantes da banda, tendo como co-autores os donos da boate, que receberam um número muito, muito superior de frequentadores ao que a casa comportava.

Faço esse comentário para chamar a atenção para a questão da RESPONSABILIDADE CIVIL de empresas, profissionais e cidadãos em geral, que muitos parecem menosprezar. O certo não é caro, o errado é que é um pouco "mais barato". Então, se vai a algum lugar, se vai contratar alguém, certifique-se ser um lugar seguro, certifique-se que contratará alguém competente, senão... Pode haver muito choro no final da história.


Pedro Altino Farias, em 30/01/2013

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Por Apenas R$ 10,70


Outro dia fui dar entrada num documento no CREA – Conselho Regional de Engenharia e  Agronomia, cuja sede fica no centro de Fortaleza. Parei o carro na Rua Castro e Silva, quase defronte ao prédio. O atendimento não demorou mais que três minutos, o que me deu cerca de uma hora sem nada a fazer. Então... Resolvi perambular, admirando nossa cidade.

ANTIGO SAN PEDRO HOTEL

Era meio dia, e comecei meu trajeto apreciando o próprio edifício do CREA, anterior e originalmente, San Pedro Hotel. Um luxo à época, com apartamentos com vista para nosso verde mar. Depois percorri a Rua Gal. Bezerril. Bucólica, ela conserva paisagens de outros tempos. Bares, lojas de ferragens, de chapéus, redes, artigos de couro e aviamentos se misturam numa miscelânea de cores e formas. 

TRAVESSA CRATO
A travessa Crato é um caso à parte. Ali o tempo parece passar mais lento, as pessoas  sorriam umas para as outras, a correria dá espaço à vida...


PRAÇA DOS LEÕES: TROCA-TROCA DE LIVROS 

Percorrendo a rua no sentido praia-sertão passei ao lado do Edifício General Tibúrcio, projeto de arquitetura de meu saudoso pai, arq. Armando Farias. Logo ali em frente, a Praça dos Leões, na qual estavam montados estandes padronizados para o comércio de livros didáticos usados em bom estado (troca-troca). Um serviço à comunidade.

INTERIOR DA IGREJA DO ROSÁRIO

Continuando no mesmo sentido, desci à esquerda continuando minha caminhada pela Rua do Rosário. Dei uma rápida olhada no interior da igreja do mesmo nome e no Palácio da Luz (Rua Rosário Nº1), onde funciona a Academia Cearense de Letras. Fundada em 1894, nossa academia precedeu à própria Academia Brasileira de Letras - ABL. Quantos sabem disso?

ENTRADA DO PALÁCIO DA LUZ
                                             
Continuando pela Rosário, passei em frente ao prédio do antigo Flórida Bar (Rua do Rosário, 38), onde hoje funciona uma loja de consórcios da Caixa... Saudades!! 


PRÉDIO ONDE FUNCIONOU O FLÓRIDA BAR

Depois me deparei com uma casa de consertos de máquinas de escrever e telex, imaginem. Na mesma rua, uma mercearia, com cereais expostos em surrões à calçada e um mundo de mantimentos lá dentro, entupindo todos os improváveis três metros de largura do comércio. E a casa estava lotada!


MÁQUINA DE ESCREVER, CALCULAR E TELEX: QUEM VAI QUERER?

COM APENAS TRÊS METROS DE FRENTE, MAS MUITO SORTIDA

Mais um pouco à frente, na esquina com a praça dos voluntários, dobrei à esquerda na Perboyre Silva observando suas lojas. Desci até a Sena Madureira, entrei na Melvin Jones (nunca mais havia andado por ali) com suas lojas de rações e equipamentos antigos. Cheguei até o Bar e Restaurante Ipueiras, onde bebi água gelada e bem vinda. 


RUA MELVIN JONES - BAR E RESTAURANTE IPUEIRAS

Olhando para o alto, roupas e toalhas penduradas nas janelas anunciando: “Aqui há vida!”.


AQUI HÁ VIDA!

Fiz o percurso de volta à Praça dos Voluntários, agora a admirando. Surpreendeu-me seu florido jardim, coisa difícil de encontrar em Fortaleza. 


PRAÇA DOS VOLUNTÁRIOS: CANTEIROS FLORIDOS

Continuei pela tortuosa Perboyre Silva, passando pelo edifício sede da gloriosa Associação Cearense de Imprensa - ACI, na esquina com Floriano Peixoto, erguido com muita luta pelo mesmo Perboyre que empresta o nome ao logradouro.


PRÉDIO SEDE DA ACI: LEGADO DE PERBOYRE

Obviamente fui merendar pastel de carne (a azeitona do pastel tem caroço) com caldo de cana na tradicional Leão do sul.



Ao sair da mercearia, a Praça do Ferreira, saudosista e contemporânea ao mesmo tempo, estava aos meus pés com sua coluna da hora e seus jardins. À minha esquerda, a Farmácia Oswaldo Cruz, com sua fachada, mobiliário e muitas lembranças doutros tempos. E pensar que ameaçaram fechá-la  há pouco tempo... Vizinho, a tradicional MILANO, loja de roupas masculinas.




EDIFÍCIOS LOBRÁS E CINE SÃO LUIZ

Ainda à esquerda, o Edifício Lobrás, também projeto de meu pai.  Na sequencia, o Edifício do Cine São Luiz e o do Excelsior Hotel.

EXCELSIOR HOTEL

No fundo, por trás da onipresente Coluna da Hora, avistei o edifício do Hotel Savanah, onde homens de negócios se hospedavam com requinte, e o prédio da Sul América. À direita, a Caixa Econômica.

SAVANAH E SUL AMÉRICA: MAIS DOIS EDIFÍCIOS
REVERENCIAM A PRAÇA DO FERREIRA

A TRADICIONAL CAIXA
                        
Continuando pela Floriano Peixoto, passei pelo Museu do Ceará e o Palácio do Comércio, que passou por recente restauro completo. 



MUSEU DO CEARÁ

Entrei no hall do edifício onde funcionou a Livraria Arlindo, da qual ainda conserva os antigos armários e prateleiras de madeira. A porta de acesso às escadas é do tipo pantográfica, e há um vazio no centro do hall até o último andar, com corredores ao seu redor. Além de tudo isso, um cheiro de nostalgia no ar.

HALL DE ENTRADA ONDE FUNCIONOU A LIVRARIA ARLINDO
FACHADA DO PALÁCIO DO COMÉRCIO 


Saindo, ainda passei pelo prédio dos Correios, já olhando os ponteiros do relógio, que pareciam avançar mais rapidamente que minutos atrás. Fim de percurso, fim de passeio.

PRÉDIO DOS CORREIOS

Depois que apanhei o carro num tenebroso edifício-garagem, passei em frente à Sé, ao Paço do Bispo, à Fortaleza da 10ª Região Militar, ao Passeio Público, Santa Casa, Emcetur e Estação Ferroviária, mas esse vai ser outro passeio...

... E tudo isso por apenas R$ 10,70 e uma hora de meu tempo vadio, com direito a estacionamento, caldo de cana e pastel.


Pedro Altino Farias, em 24/01/2013


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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Entre Dois Mundos


Aquele lugar ficava entre dois mundos. Quem chegava não entendia o porquê da irritação e angústia dos “antigos”, mas logo que se tornava um deles, sabia perfeitamente as causas e... Consequências.

Ali não era ruim, nem bom. Tudo era estável e previsível. Até demais. Ocorre que a essência do ser humano é desafiar, questionar, lutar. Apenas sobreviver, como acontecia ali, equivale a uma punição, uma sentença de morte lenta, gradual e impregnada de tédio.

O que deixava todos à beira da loucura era essa previsibilidade, a falta de perspectiva de mudança. Para melhor ou para pior, que fosse, mas que houvesse possibilidades de eventuais mudanças. O novo traz junto com ele o vigor, o brilho no olhar, o pulsar apressado do coração. O “mesmo” nada traz que valha a pena. Ele representa, de forma simultânea, passado, presente e futuro como uma linha reta e gelada no tempo.

Guerras e paixões acontecem por causa dessa inquietude do homem. Ideias brilhantes também, mas como fazer algo de novo naquele lugar? Como ir contra toda aquela grandiosa inércia?

Em determinado momento, ele passou a entender com exatidão toda a irritação interior, angústia e pesar dos “antigos” que habitavam aquele lugar, pois acabara de se tornar um deles. Após muitas reflexões, chegou a uma dramática conclusão: estava onde estava em consequência única e exclusiva de seus próprios atos e pensamentos. E pior, não havia possibilidade de arrependimento ou penitência, já que tudo ali estava definitivamente definido... Pelos menos até enquanto ele assim desejasse.


Pedro Altino Farias, em 20/06/2012


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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Embriaguez


Ei, rapaz!! Não leva meu copo ainda... 
Tenho mais uma saideira a tomar.
Sei que estou com a roupa amarrotada pelo dia de trabalho; 
e a fisionomia, pela vida...
Mas a saideira tenho que tomar.

Ei, rapaz, não te preocupes, vais receber os teus.
Não sou vagabundo,
Estou  precisando apenas de um pouco da paciência alheia...

Ei, rapaz!! Não conta aos outros da minha embriaguez.
Não me orgulho disso,
Mas se contares, problema teu!!

Pedro Altino Farias, em 01/11/2012


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