terça-feira, 17 de outubro de 2017

Invisíve II - O Manto da Invisibilidade



Já havia tomado todas durante a tarde toda. A caminho de casa deu na veneta de passar num bar, um bar conhecido, frequentado por muitos amigos. Ao chegar, preferiu beber uns uísques no balcão. Passa um, passa outro, abraços, papos rápidos, mais uma dose e mais uma. 

Pouco depois uma loura acomodou-se numa mesa próxima ao balcão e pediu uma bebida qualquer. Sozinha, parecia que também já havia tomado algumas e interessada apenas em curtir sua dose e seus pensamentos. 

Num primeiro momento, mais pela oportunidade que pela boniteza, nosso amigo começou a puxar conversa com a loura, que correspondia desenvolta. Embora estivesse num bar onde todos se conheciam, junto ao balcão e no trajeto rumo aos banheiros, pensou:  “Rapaz, aqui nesse cantinho ninguém me vê. Eu vou é aproveitar”, e continuou com o papo, seguido de carinhos, agarrados e beijinhos. O manto da invisibilidade caíra sobre ele naquele exato momento. 

Quase meia noite, a moça chamou o rapaz para a responsabilidade: “Vamu, sair daqui? Vamu pra outro lugar onde a gente possa ficar à vontade? Tá a fim?”. Um “clic” repentino dentro do juízo do sujeito desativou o manto da invisibilidade e ele sentiu-se horrivelmente e desesperadamente vulnerável. “Uma péssima sensação”, resumira ele depois. Pediu a conta, despediu-se da moça com elegância, argumentando que chegara sua hora e foi-se.

No dia seguinte, antes das dez da manhã, três amigos já haviam ligado perguntando quem era a loura. “Mas como me viram se eu estava tão entocado e ainda mais com o manto da inviabilidade sobre mim?”, perguntava-se intrigado. Sabe-se lá, talvez não se façam mais mantos da inviabilidade como antigamente...

Pedro Altino Farias, em 17/10/2017

sábado, 14 de outubro de 2017

Invisível (I)



- Ei, garçom, meu uísque!

Passara a tarde do sábado biritando com amigos num botequim. Uísque foi a pedida do dia, já que a cerveja imperou na noite de sexta. “Não gosto de repetir cardápio”, justificou. Bons papos, atendimento perfeito (dentro do possível), tira gosto nem tanto, finda a etapa vespertina, já começo da noite, marcou encontro com a esposa numa churrascaria para morder uma boa picanha. Com uísque, claro!

Qual criminoso de altíssima peliculosidade, pediu a conta junto com a saideira, que foi bebendo ao volante. Regulou o consumo de forma a chegar ao destino junto com o último gole. Com a esposa já à espera, sentou e disparou seu pedido: uma dose de uísque em copo alto e com muito gelo. E urgente!

Intermináveis quatro minutos passados, ele vê o garçom passando ao largo e gritou lembrando seu pedido como já foi dito aqui. O garçom acenou que esperasse mais um minuto e sumiu. A essa altura o suor lhe escorria pela testa, a mãos ansiavam por um copo, parecia-lhe que o mundo ao seu redor congelara até que a dose estivesse à mesa. A mulher falava, porém o áudio não chegava aos seus ouvidos. Estava temporariamente surdo. 

Numa terceira tentativa, “Meu filho, esqueceu de mim?”, ainda procurando ser simpático e amável sem resultado prático. Daí por diante, com a esposa sempre lhe pedindo calma, começou a achar que estava invisível aos olhos do garçom e do mundo. Picanha e coca cola à mesa, e nada do uísque. O tal garçom simplesmente o ignorava. Agora não era mais suspeita, tinha a certeza que tornara-se invisível, decididamente.

Já sem esperanças de levar uma vida normal dali em diante, reuniu suas últimas forças e gritou a plenos pulmões ao garçom que mais uma vez passava ao largo, pensando que, se não poderia ser visto, que pelo menos fosse escutado, e disparou em desespero:

- GARÇOM, ESQUEÇA O UÍSQUE EM COPO ALTO COM MUITO GELO E TRAGA-ME UMA DOSE DUPLA SEM GELO E UMA SERINGA DESCARTÁVEL! 

O garçom tomou um susto com o grito mas, enfim, se tocou do mau atendimento que estava prestando, dirigiu-se à mesa e, num sorrisinho meio culpa, meio cúmplice, respondeu com um tapinha nas costas do cliente :

- Meu patrão, não se preocupe que não vai faltar mais nada pru senhor hoje!

E foi assim que aconteceu.

Pedro Altino Farias, em 14/10/2017

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Conselho Bom pra Cachorro





Em tempos que já se vão, antes da Lei Seca e do politicamente correto, bebia-se na liberdade dos bons papos acompanhados de bons porres. Homéricos porres, às vezes. Pois bem, nesse belo e dourado tempo, dois amigos se encontravam rotineiramente nas noites de sexta e tardes de sábado para tomar umas tantas, sem horários, nem estresse, e num certo sábado...


Chegaram ao bar do Zezim Gordo por volta das dez da manhã, quando as duas portas de enrolar ainda estavam semicerradas. Logo que Zezim abriu a primeira por completo, a dupla adentrou o bar e, incontinente, fez seu primeiro pedido:

- Uma gelada aí, Zezim!
- Peraí, deixa eu terminar de abrir esse carái!, resmungou.

Portas abertas, mesas e cadeiras organizadas, cerveja servida e sorvida pela dupla como se oxigênio fosse, veio logo a segunda. Nem bem deram o quarto gole, chegou um terceiro amigo, o qual também pediu uma geladíssima para lavar a garganta. O homem estava todo social: camisa, calça e sapatos. Extremamente amarrotado, é verdade, mas todo no social. “Esse tá virado”, disseram os da mesa em pensamento, provavelmente de forma simultânea, quando o homem, começou a contar o que se passara com ele naquela noite.

- Rapaz, ontem depois do expediente subi o Morro de Santa Terezinha (nessa época se podia curtir a bela vista da cidade de cima do morro). Nem ia demorar, mas apareceu um cara com um violão e perdi a noção da hora. Quando dei por mim era três da manhã! Aí eu pensei: Tô fudido! Liguei para minha mulher para avisar que estava tudo bem. Ela me chamou de cachorro e bateu o telefone na minha cara. O jeito foi curtir o violão até o Sol nascer. Depois fui fazer a base com um caldo no Pote. Agora vou tomar uma cerveja e chegar em casa latindo. Se ela cismar, cachorro que sou, dou-lhe uma mordida!

Finda a fala do socialmente incorreto, um dos ouvintes emendou:
- Tenho sugestão melhor: já que és um cachorro, levante uma perna e mije nos pés dela.
- Rapaz, como não pensei nisso antes? Gordo, mais uma cerveja aí...!


Pedro Altino Farias, em 11/10/2017 








quinta-feira, 5 de outubro de 2017

O Marujo




Moreno claro, corpanzil avantajado, gordo tipo socado. Olhos apertados, parecia sem pescoço por conta de uma manta de gordura que o envolvia. Cabelos pretos, escorridos e ralos, desciam até o meio da testa. Se o visual impressionava, seu sorriso fácil e franco cuidava de dissipar qualquer erro de avaliação.


Calorento e bonachão, costumava descansar nos começos de tarde numa espreguiçadeira gentilmente posta na calçada do bar pelo proprietário do mesmo, onde ele tirava uns cochilos alheio ao calor, ao barulho e às brincadeiras da turma que frequentava a casa.

Toda tarde, quase pontualmente às três horas, passava em frente ao bar uma garota que trabalhava num restaurante sef service que funcionava na esquina. Com seus viçosos dezoito aninhos, distribuía simpatia e simplicidade no trajeto do trabalho à parada do coletivo. Alguns marmanjos a viam com malícia, outros com um desejo ingênuo e contido. E eis a grande dúvida da turma: seria ele ingênua de fato ou insinuante e oferecida?

Nosso amigo bonachão era o mais agraciado pelos sorrisos e olhares dúbios da encantadora moça. Isso porque era o único a ali estar todos os dias que Deus deu. Muitas vezes só ele e ela, como se cúmplices fossem. Com o tempo a ideia de que a garota estava a fim dele foi se consolidando. Ao comentar suas suspeitas com a turma, encorajaram-lhe a partir para cima dela e resolver a parada> “Tá na cara que ela tá na tua!”, disseram-lhe. Ah, essa turma! 

Certa tarde, uma sombra boa, uma brisa fresca, e lá vem ela. Sem mais ninguém como testemunha, nosso garanhão deu o bote fatal. Ela esgueirou-se, reagiu, dissimulou e se saiu da mesma forma que sempre agira: sedutora, ingênua... Sempre dúbia, deixando nosso amigo a ver navios.

Tarde seguinte, bar lotado, turma reunida na calçada. Quase três horas e lá vem ela mais uma vez. Sorriso discreto, roupinha simples, na mesma simpatia enigmática de sempre. Ao cruzar caminho com o garanhão, que descansava no sossego de sua espreguiçadeira, recolhido à sua insignificância, ela o cumprimentou: “Olá, marujo.”. “Marujo? Marujo por que?”, quis saber ele, surpreso com o inesperado apelido. “Porque entrou na onda!”, respondeu ela sem alterar o passo nem se importar com as gargalhadas da turma. 

Pedro Altino Farias, em 05/10/2017




segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Cuspindo Bala!


Meados dos anos 80. Naquela manhã de domingo corria uma brisa fresca e o Sol brilhava num céu límpido, enquanto músicas populares soavam de em novíssimo 3 em 1 Philips na sala. De repente, estampidos de tiros vindos da cozinha!

Vizinhos assustados indagavam-se: assalto? Tragédia familiar? Acidente? Na dúvida, chamaram a polícia que, como sempre, tardou a chegar.

Para entender o que ocorreu, temos que contar a história desde o início. Embora gostasse de uma boa briga quando adolescente, não era dado a armas. Casado e com filhos pequenos, acalmara-se. Guardava a sete chaves o três oitão que herdara do pai, falecido há anos e anos, juntamente com alguma munição. De bobeira num domingo, resolveu fazer uma manutenção na arma.

Som ligado, tira gosto pronto, uma cachacinha para acalmar a garganta, apanhou o revólver e as balas no "esconderijo". Arma limpa e lubrificada, chegou a vez da  munição. Segundo a dica de um amigo, era bom de vez em quando "esquentar" a balas para que elas não perdessem a eficácia, então, foi até a cozinha e arrumou-as de pé, fundo de espoleta na chapa da frigideira. Fogo alto acesso, pôs-se junto ao fogão como quem frita um inocente ovo. Pouco tempo depois as balas começaram a detonar numa sequência de tiros frenética, digna de um filme de bang bang dos bons.

Esposa em pânico, filhos chorando, ele agachado junto ao fogão esperando o fim do inusitado tiroteio. Quando a calma enfim voltou a reinar, podia-se ouvir Gonzagão no 3 em 1 e vizinhos em pequena balbúrdia, sem entenderem o que acontecera. A polícia? Ah, passou em frente uma hora depois, nada viu e seguiu adiante incontinente. E ele nunca mais tirou o três oitão do esconderijo novamente...


Padro Altino Farias, em 25/09/2017



terça-feira, 29 de agosto de 2017

Entardecer - I




Mais um fim de tarde. As quase silhuetas dos edifícios, o vai e vem frenético dos automóveis, as buzinas nervosas, ora entristecem, ora entediam, ora brutalizam. 

Fechei os olhos num átimo de segundo e quase vi lindas colinas ladeando um vale verdejante onde corre um rio de águas cristalinas, com animais pastando e brincando à solta. Foi o máximo que consegui naquele momento.

Pedro Altino Farias, em 23/08/17

Desde



Desde 1961 eu existo;
Desde 1974 fiquei sem pai;
Desde sempre fui muito tímido;
Desde 1980 eu trabalho para me manter;
Desde muito novo gosto de música como uma forma universal de comunicação;
Desde 1984 estou casado;
Desde 1985 sou pai;
Desde pequeno gosto de carros antigos;
Desde 1974 bebo umas e outras;
Desde uns tempos comecei a escrever crônicas e outros textos;
Desde 2008 edito o Pelos Bares da Vida;
Desde 2014 me dedico de corpo e alma à Embaixada;
Desde que a vida me impôs um ritmo frenético, e isso faz tempo, sinto saudades de minha mãe;
Desde muito jovem gosto de bares;
Desde que me tornei gente acho o Brasil um país injusto;
Desde que percebi essa injustiça considero a grande maioria dos políticos autênticos pilantras;
Desde cedo, hoje, dei um duro danado;
Desde que todos que estiveram comigo tenham tido bons momentos valeu a pena;
Desde que cheguei em casa tomo umas doses com boa música;
Desde que eu não capote no sofá, tudo bem...

Pedro Altino Farias, em 26/08/2017

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Episódios de Chico Litro - resumo III


- Olhaqui, Chico Litro, eu trouxe um porquim pra gente provar.
- E é só pra provar, é? Arre égua!

*****

- Tu viu, Chico Litro, dizem que o Aécio é um grande "cheirador"...
- Apois esse tal de "Laécio" pode vim me cheirar agorinha se quiser... Tomei bãim onti. Tô aqui só o mí!

*****

Diante dos últimos acontecimentos, com Brasília em chamas, Chico Litro faz pronunciamento no Bar doToim:
- Não quero saber de Brasília. Todo isso me dá nojo! Prefiro ir a pé, pois sei que chego, do que depender d'um carro véi peganu fogo.

*****

- Chega, mininu, avisa lá à Santinha que o Chico Litro tá capotado aqui no bar.
- CARECE NÃO, TOIM, JÁ TÔ BONZIM!
- E tu num tava melado, homi?
- É, mas só em ouvir falar em Santinha eu fico bonzim...

*****

"Pessoas que não comem torresmo não são confiáveis".Chico Litro
(Colaboração Messias Bimbo Siqueira)

*****

- Chico Litro, se tú ganhá na loteria,tú vai fazer o quê?
-Contrato um cara pra sair comigo!
-Pra que Chico Litro?
-Pra tomar a primeira por mim! Oh bixo ruim é a primeira!
(Colaboração Assis Assisnildes)

*****

Chico Litro chegando em casa:
- Bebo de novo? De que é essa porra dessa garrafa aí debaixo do teu braço, hein, seu fí d'uma égua?
- É de vrido, Santinha... Hehehe...
- Splaschhh!
(Colaboração Assis Assisnildes)

*****

- Lai vem o Chico Litro do bar do Toim indo pra casa c'uma garrafa debaixo do braço.
- É, ele sempre levando trabalho pra casa...

*****

- Êita, tô cum soluço danado!
- Tu bebeu foi demais, Chico Litro! Tapa o nariz e prende a respiração que passa, homi.
- Égua! Tá cum raiva d'eu, Santinha? Assim eu faço é morrer.... Desse jeito o soluço possa mermo...



*****

- Chico Litro, quando foi teu primeiro porre?
- Ihhh... O primeiro eu num lembro, não, mas o último foi onti...

*****

- Rapaz, onti o cara tava aqui conversando e falou duma tal de "síndrome do pânico". Aí hoje de manhã, eu pensando, acho que tenho essa doença aí ó...
- Pur que, Chico Litro?
- Quando eu venho aqui pru bar do Toim, todo dia eu fico cum medo do bar tá fechado, aí depois qui tô tomando as minhas fico cum medo da Santinha aparecer de supetão, aí depois fico cum medo do Toim tê cortado meu fiado... Eu tô é doente mermo, viu?

*****

- Que cara de alegria é essa, homi?
- Hoje é sexta feira, Chico Litro!
- E daí?
- Dia de tomar umas e outras...!
- Marrapaz... E tem dia pra isso, é? Taí qui eu num sabia duma marmota dessa...

*****

Enquanto isso, no bar do Toim...
- Chico Litro, tu num disse pra Santinha qui ia na venda comprar verdura?
- Disse, pur que?
- Purque ela acabou de dobrar a esquina do seu Manel e tá vindo pra cá...
- Êita, se lasquei!

*****

- Chico Litro, meu fí tá cum quantos anos mermo?
- 45, minha tia!
- Vixe, mas meu fí tá é acabado...!

*****

- Chico Litro, com quantas doses de cana tu fica alto?
- Rapaz... Vou te dizer... Eu tenho é bebido, viu, mas continuo da merma altura de sempre...

*****

- Rapaz, vô acabá cum esse negócio de bebê de segunda a segunda... A Santinha tá reclamando que só a porra!
- E tu vai deixá de bebê é, Chico Litro?
- Não, vô bebê agora só a partir de quinta...
- Mas de quinta a quinta, Chico Litro, é a merma coisa, né não?
- É mermo, né? Nem tinha pensado nisso....

*****

- O Chico LItro num tinha deixado de fumar?
- Tinha, por que?
- Tava fumando que nem uma caipora ônti lá no bar do Toim... Era um cigarro atrás do outro...
- Mas ele deixou, sim... Só fuma quando bebe... Mas bebe, bebe, bebe e como bebe aquele mininu!!

*****

- Mais uma dose, Chico Litro?
- Ô pergunta besta! Claro!

*****

- Chico Litro se meteu na maior confusão onti, tá sabendo?
- Tô não ó... E aí?
- Rapaz, diz que ele foi no IML fazer o "exame de corpo de litro".
(Colaboração Rogerio Gonçalves Gonçalves)

*****

- Chico Litro, há quanto tempo! Conte as novidades!
- Deixei de bebê depois d'amanhã faz dois dias... Vamu comemorá?

*****

- Chico Litro, tu tem medo de avião ingual o Belquior?
- E eu lá tenho medo de porra de avião? Eu sou é macho, rapaz! Como é que tem medo se a coisa mais difícil do mundo é um bicho desse cair na minha cabeça, num tá vendo, não? E se vier caindo, eu corro... Perna serve pra isso mermo, sabianão?
- E se tu tiver melado, como é que corre?
- Sai pra lá, coisa ruim! Tu só pensa em desgraça fí duma égua!

*****

- Olhaí, Chico Litro, o pituzão (crustáceo) que eu ganhei do Osvaldim pra nóis tomar umas...
- Ihh...
- Que foi, homi, gosta de pitú não?
- Gosto, sim... Mas prum bichão desse, tô aqui pensando é no tamãim da dose...
(colaboração Roberto Costa Melo)

*****

- Ei Chico Litro, vamu lá na feira dos passarim comigo pra mim comprar um periquito...
- Vô lá nada, rapaz! Me chame prum negócio de futuro que eu vou... Que tal a gente ir lá no bar do Toim tomar umas?

*****

- Tá fazendo o que, Chico Litro?
- Uma poesia!
- Poesia, ai meu Deus, que coisa mais linda! Hahahahá! Diz aí que porra de poesia é essa que tu fez...
- É assim, ó...
"Quando eu era pequeno;
Mamãe disse que eu ia crescer;
E eu fui cresceno, cresceno;
Até que um dia comecei a beber!"
- Rapaz, ficou massa, ó!

*****

- Chico Litro, aquele feladaputa ali tá cismando com a gente... Vamu lá dá umas porrada nele agora mermo, vamu!?
- Peraí, macho véi... Agora que tô tomando a segunda lapada...

*****

- Ei, Chico Litro, tá tudo mundo pegando chicogunha...Tu num tá com medo de pegá também, não?
- Eu, não! Se um baitinga dum mosquito desse vier me morder, eu quero é cegar se ele num cai é duro na hora, bebim...!

*****

- Chico Litro, tu tem vontade de morar nos Estadusunido?
- De lá dá pra vim aqui pru bar do Toim a pé?
- Humm... Acho que num dá, não...
- Ah, então num queria, não, ó...



*****





NOTA DO AUTOR

Temos postado episódios de Chico Litro, personagem pitoresco e folclórico criado por mim,que aproveitei o apelido de um antigo colega de trabalho (mecânico).
Algumas poucas passagens são diálogos verídicos, ou tidos como tal, sendo a esmagadora maioria pura criação, portanto, qualquer semelhança como fatos reais é mera coincidência.
Vale ressaltar que a cachaça de alambique é hoje um produto nobre, cujo setor conta com pesados investimentos em tecnologia e qualidade, fazendo chegar ao consumidor cachaças bem elaborados, de qualidade superior e reconhecimento internacional.
Obviamente existem os rótulos de baixa qualidade, alguns até sem o devido registro nos órgãos competentes, produtos estes de baixo custo e de consumo mais popular. O comportamento de Chico Litro, de uma forma geral, é reprovável, embora enseje sorrisos discretos.

Altino Farias, em 23/05/2017




quarta-feira, 3 de maio de 2017

Episódios de Chico Litro - resumo II



- Chico Litro, tão dizendo que parece que a safra de caju vai ser boa...
- Vixe, doido!

*****

"A vontade de fazer xixi é o melhor despertador que existe! ". (Chico Litro)


 *****

Parodiando Che:
Hei de perder a sobriedade, mas o copo, jamais! (Chico Litro)
*****

- Ei, Toim, bota uma dose de zinebra aí pra mim!
- Zinebra, Chico Litro? Que novidade é essa, homi?
- Rapaz, a Santinha tá lá em casa cum cão nos couro, se eu chegar cum bafode birita tô é lascado, e zinebra num deixa bafo, entendeu? Vê se aprende, ô abestado!
- Tu é muito é frouxo!

*****

Rapaz, eu já ia até s'imbora, mas com essa chuva...
(Chico Litro ao sair do bar)

*****

- Chico Litro, qual a música qui tu gosta mais?
- Ah, é aquela qui diz assim... "É beber, cair e levantar". Rapaz, toda vez que escuto ela me emociono...

*****

- Rapaz, tão querendo mexer nos direitos do trabalhador... Qué qui tu acha disso, Chico Litro?
- Rapaz, graças a Deus nunca precisei desses tal desses direito...


*****

- Ei, Chico Litro, é tu que é tu?
- Homi, peraí, pergunta de novo... Mas vá devagar, viu?

*****

- Chico Litro, que ôi rôxo é esse, homi? Foi a Santinha?
- Rapaz, fresque não, ó!

*****

- Tá mais magro... Tá fazendo regime, Chico Litro?
- Rapaz, tava muito buchudo. Parei com a cerveja e tô só na cana agora.
- Tá mais magro mermo... Já perdeu quanto de peso?
- Rapaz, ligerim já emagreci mais de um LITRO!

*****

- Ô enjôo, ô ressaca maldita, ô sede da porra!
- Qué um copo d'água, Chico Litro?
- Rapaz, Toim... Me dê uma cerveja gelada mermo...

*****

- Chico Litro, tu tá sabendo da greve qui vai tê sexta feira?
- Tô, mas num tô nem aí...
- Mas Chico, vai fechar tudo, arriscado tê confusão na rua, e tu nem aí?
- O bar do Toim vai fechar também?
- Não.
- Então...


*****

- Chico Litro, afinal, tu é Ceará, Fortaleza ou Ferrim?
- Rapaz, eu só do time é da cachaça!

*****

- Hoje eu vô tomá só uma por causa do teste do bafômetro...
- Tu num tem nem carro, Chico Litro, pra quê se preocupá cum bafômetro, abestado?
- É que a Santinha disse pra mim bebê pouco hoje e avisou que quando eu chegá em casa ela vai ver se eu tô cum bafo de birita... 

A Santinha é osso!!
*****

- Chico Litro, tu viu que engarrafamento medonho?
- Engarrafamento? Quero ver! Onde é que é? A gente pode ir lá tomar umas?
- Tô falando é de engarrafamento de carro na avenida, abestado!
- Ah, é...? E eu lá quero saber de porra de carro, seu fi duma égua..

*****

- Chico Litro, tu parece aquele jogador... Clodoaldo.
- Jogo bem, né? Ainda bem que tu reconhece...
- Joga bem porra nenhuma! Tu BEBE é bem, ingual a ele!

*****

- Chico Litro, tu já viu assombração?
- Assombração, vi não, mas teve uns dia que tava sem bebê purque tava ruim do estômago e vi uns bicho esquisito subindo as parede, saindo de debaixo da cama... Rapaz, deu uns tremor, uma suadeira... Fiquei foi cum medo...


*****

- Chico Litro, como é que tu gosta mais de cachaça, cum limão ou cum refrigerante?
- No bucho!

*****

- Vamu ver quem é que conta a maior mentira, Chico Litro?
- Ah, tô a fim de brincar não... Tô sem beber hoje...
- Arriégua, ganhou de novo, né macho véi?

*****

Chico Litro:
- Ei, quando tu falar com o Toim, tu fala bem altão que ele é mei surdo, viu?
Visitante:
- Tá certo, Chico Litro, valeu!
- EI SEU TOIM, BOTA UMA CANA PRA MIM, VÁ LÁ!
Toim:
- VAI BERRAR NO PÉ DOSOVIDO DA TUA MÃE, SEU FÍ DE DUMA QUENGA!
Chico Litro:
- Hehehehe...

*****


NOTA DO AUTOR

Temos postado episódios de Chico Litro, personagem pitoresco e folclórico criado por mim,que aproveitei o apelido de um antigo colega de trabalho (mecânico).
Algumas poucas passagens são diálogos verídicos, ou tidos como tal, sendo a esmagadora maioria pura criação, portanto, qualquer semelhança como fatos reais é mera coincidência.
Vale ressaltar que a cachaça de alambique é hoje um produto nobre, cujo setor conta com pesados investimentos em tecnologia e qualidade, fazendo chegar ao consumidor cachaças bem elaborados, de qualidade superior e reconhecimento internacional.
Obviamente existem os rótulos de baixa qualidade, alguns até sem o devido registro nos órgãos competentes, produtos estes de baixo custo e de consumo mais popular. O comportamento de Chico Litro, de uma forma geral, é reprovável, embora enseje sorrisos discretos.


Altino Farias, em 14/04/2017



sexta-feira, 14 de abril de 2017

Episódios de Chico Litro - resumo I



- Rapaz, hoje tô meio assim, sem vontade de comer nada...
- E de beber, cê tá com vontade?
- VIXE!!

*****

- Ei, Chico Litro, tu qué um copo de leite morno antes de dormir?
- Praquié que serve isso?
- Ôxi, homi! Faz bem pra saúde!
- Carace não, minha bichinha, tô doente não, viu?

*****

- Meu fí, eu dou o que você quiser pra você parar de beber.
- O que eu quiser, mamãe?
- Meu fí, pra você se livrar dessa cachaça eu dou o que você quiser...
- Posso pedir, mamãe?
- Pode!
- Pois eu quero um violão! (Chico Litro quando adolescente)

*****

- Hoje é domingo, homi... Vê se faz alguma coisa que preste em casa.
- Tá bom, tá bom. Vai torrando um carazinho aí que vou ali na bodega pegar uma cachaça no fiado.

*****

- Rapaz, tô lendo um livro, ó...
- Tu, Chico? Lendo livro? Só sendo mermo... hahahaha... Que porra de livro é esse, macho véi?
- 10 dicas pra num tê ressaca.

*****

- Macho, tu viu como o Zezinho saiu melado do bar ontem?
- Ontem? Do bar? Que bar?
- Vixe,doido... Melado tava era tu!

*****

- Chico Litro, purquê tu num foi trabalhar ontem?
- O pineu da bicicreta furou em iencheu de pranta...

*****

- Chico Litro, a crise tá braba mermo... Purquié que tu num faz uma promessa pra arrumar um emprego?
- ARRIÉGUAMACHOVÉI, PENSEI QUE TU ERA MEU AMIGO!!

*****

- Chico Litro, vou lhe dar R$ 100,00. Deste valor, vou reservar R$ 5,00 para você comprar de pão. O resto pode gastar com cachaça.
- E pra quê que eu quero essa ruma de pão?

*****

- Chega Dona Santinha, Seu Chico caiu na calçada!
- Caiu não, esse fí d'uma égua fez foi capotar! Quando ele ficar bom ele se alevanta sozinho...
- Mas Dona Santinha, Seu Chico Litro caiu e quebrou a garrafa!
- Valha me Deusu! Chega, esse mininu, corre lá que o negócio é serio!!

*****

- Ei, Chico Litro, tu vai pru jogo amanhã?
- Vô não!
- Purque, homi?
- Por causa da Mulher.
- Ela não deixa, é?
- Deixar ela deixa, mas é que ela tá querendo ir também...

*****

- Chico Litro, bó jogar porrinha apostado?
- Bora!
- Quem perder tem que virar um copo de cachaça na risca, topa?
- Topo!
- Vamu, lá, diz aí Chico, quantos palitos...
- Humm, chovê... 354.945!

*****

- Vai tomar umas hoje, Chico Litro?
- Vô, mas hoje eu vô beber só cachaça purque onti eu bebi demais...!

*****

"Beber muito demais da conta é antes de tudo um ato de fé, fé de que a ressaca vai ser de matar!" (Chico Litro)

*****

- Chico,vamu lá no bar da Penha, tá todo mundo lá...
- O Zé da Viola tá lá?
- Tá.
- Vixe!!

*****

- Cê viu aí esse negócio da delação premiada, Chico Litro?
- Vi não, mas se um prêmio desse fosse comigo eu comprava todinho de cachaça...!

*****

- Rapaz, tô pensando em largar a Santinha pra ficá cum a Mundinha...
- Mas pur quê, Chico Litro? Tu num gosta mais da Santinha não?
- Gostá eu gosto... Mas é que o pai da Mundinha é dono de um bar...

*****

- Que cara é essa, Chico Litro?
- É que cortaram a conta do meu celular...
- Que celular, homi? E tu lá tem porra de celular, vagabundo?
- Foi o Toim do bar... Cortou meu fiado e num vô pudê levar um celular pru estádio.... snif, snif...

*****

- Bom dia! Vejo que o senhor está com uma receita em mãos para uns óculos... Vamos escolher um modelo bem bacana... Como é mesmo o seu nome?
- Chico Litro!
- Ah, seu Chico... e esses óculos são para longe ou para perto?
- É PRA LONGE, MINHA FILHA! EU MORO LÁ NO ARATURI, VIZINHO AO BAR DO TOINHO!

*****

- Chega Dona Santinha, Seu Chico caiu na calçada!
- Caiu não, esse fí d'uma égua fez foi capotar! Quando ele ficar bom ele se alevanta sozinho...
- Mas Dona Santinha, Seu Chico Litro caiu e quebrou a garrafa!
- Valha me Deusu! Chega, esse mininu, corre lá que o negócio é serio!!

*****

- CHICO LITRO, SEGURA SAPORRA AÍ, CARÁI! GUENTA MACHO!
- Num dá não...! As pernas tão tremendo... Num tomei nada ainda hoje...

*****

- Chico Litro, tu vai ali na bodega pra mim? Tô precisando de dois coco seco pra rapá.
- Eu não. Tô tão cansado...
- Se eu te der um trocado pra você tomar uma tu vai?
- Ave Maria, essa mulher faz de tudo pra me tirar do fundo rede... Tá bom, eu vou... Eu vou...

*****

- Chico Litro, hoje eu fiz um cumê especial pra tu que aprendi cum minha patroa, fricassé de frango...
- Isso serve pra comê cum cachaça?

*****

- Ei, purquié que te chamam de Chico Litro?
- Purque eu acho esse negócio de meiota a maior páia, ó!

*****

- Tu morre de beber, Chico Litro! Vai te aquietar... Arruma um trabalho, homi! Te ajeita!
- Tu tá é cum inveja d'eu...

*****

- Chico Litro, vai em casa, toma um banho e veste uma roupa limpa pra gente ir no velório do cumpade Sebastião. Depois a gente volta pra cá pra tomar mais umas.
- E eu tenho mermo que tomar banho?

*****

- Pronde tú vai uma hora dessa, Chico Litro?
- Vou pru bar tomar umas...
- De novo?
- Com uma crise dessa, mulher, tu qué qu’eu faça o quê?

*****

- Andou bebendo de novo, homi?
- Não, andei bebendo não!
- Ah, não é? E por que que cê tá melado desse jeito, heim, seu fí duma quenga?
- Eu bebi, mas foi sentado... Eu tava era sentado... Bebi sentado traçando um sarrabúi lá no bar do Toinho... Foi senta...
- SPLAASHHH!!

*****

- Ô calor lascado!
- Tu qué uma limonada, homi?
- Limonada...? Tem uma cachacinha, não?

*****

- Vixe! Pronde tu vai, bãim tomado, barba feita, roupa limpa?
- Vou pru bar prosear com a negrada...
- AH, NÃO!!
- "Anão" pra mim é um homizinho desse tamainho... hahahaha...!
- SPLAAAASSSH!!

*****

- Ei, fí de rapariga, tu levou minha cajá!
- Cajá? Mas tava só o caroço...
- Inda dava pra tomar umas duas ou três roendo o caroço, seu baitinga...

*****

- Tem vergonha, homi! Tanta marmota que fez na vida, devia tá era pedindo perdão pelos seus pecados em vez de todo dia chegar em casa de manhã bêbado...
- E já é de manhã?
- Safado! Devia fazer como eu e se preparar para a vida no céu!
- Mulhé, e se num tiver céu, heim?

*****

- Tu vai beber tudo isso?
- Vou!
- Sozinho?
- É.
- E eu?
- Ah, sei não... Se vira, cara!

*****

- Tu vai?
- Sei não... Acho que num vô não, ó... É negócio de batizado, minha mulher falou que num vai ter birita, não...!

*****


NOTA DO AUTOR

Temos postado episódios de Chico Litro, personagem pitoresco e folclórico criado por mim,que aproveitei o apelido de um antigo colega de trabalho (mecânico).

Algumas poucas passagens são diálogos verídicos, ou tidos como tal, sendo a esmagadora maioria pura criação, portanto, qualquer semelhança como fatos reais é mera coincidência.

Vale ressaltar que a cachaça de alambique é hoje um produto nobre, cujo setor conta com pesados investimentos em tecnologia e qualidade, fazendo chegar ao consumidor cachaças bem elaborados, de qualidade superior e reconhecimento internacional.

Obviamente existem os rótulos de baixa qualidade, alguns até sem o devido registro nos órgãos competentes, produtos estes de baixo custo e de consumo mais popular. O comportamento de Chico Litro, de uma forma geral, é reprovável, embora enseje sorrisos discretos.

Altino Farias, em 14/04/2017

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Ainda são os Mesmos



12 de dezembro de 1981, eram colegas de trabalho e a paquera já vinha rolando quando houve o convite dele para irem juntos a uma reuniãozinha, como se falava à época, da sua turma da faculdade na casa de um colega. Ela topou!

Chegando lá, cenário legal: mesas e cadeiras em volta da piscina, uma salinha de som com ar condicionado, meia luz, almofadas pelo chão, um pequeno sofá e música boa. Perto da meia noite, o primeiro beijo ao som de Barry White. 

Daí a dois anos, casamento. Ele com vinte e dois, ela, vinte e um. Pouco mais de um ano e a primogênita veio ao mundo. Um ano e meio depois, o caçula. E a vida seguiu. 

Tanto ele quanto ela perderam o pai aos treze. Barra pesada. A educação e exemplo que até então tiveram seus pais estavam consolidados para sempre. Suas respectivas mães completaram a educação ao mesmo tempo em que tinham nesses filhos um valioso apoio. E Assim foi.

Primeiros tempos de casados, paixão e descobertas. Com a chegada dos filhos, ternura e preocupações com educação e saúde. Ao longo do tempo a correria do dia a dia da sobrevivência cuidou do necessário embrutecimento de seus corações. Agora, ambos com mais de cinquenta, muitas histórias, cicatrizes, derrotas e conquistas, chegou o tempo da delicadeza. Às vezes o mundo conspira contra, mas quem é o mundo diante de tanta força? 

Durante todo esse tempo viajaram por muitos lugares, todos maravilhosos, pois a maravilha não está em uma paisagem de cinema escolhida a dedo, e sim naquelas nas quais conseguimos emoldurar a felicidade, tanto que, às vezes, viajaram para muito longe sem que se deslocassem um centímetro sequer. E apreciaram essas paisagens, conheceram pessoas, beberam água e comeram pão. E caminharam. Muito! 

Todas as intempéries da vida não conseguiram modificá-los na essência de ser, fazendo-os, ao contrário, mais firmes e fortes em sua união, convicções morais e fé. Trinta e cinco anos depois eles ainda são os mesmos, e vivem como os seus pais. E com muita paixão!


Pedro Altino Farias, em 12/12/2016


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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

No Mundo da Lua


Ah, o mundo da Lua... 

Lá não há o que temer. Como não existe oceano, também não tem lulas; e tucanos, nem pensar! Como os selenitas são um povo bem mais desenvolvido que nós, terráqueos, nada de polícia por lá. Nem federal, nem estadual e nem tampouco municipal. Ninguém privado de sua liberdade, imaginem!

Impostos? Hahahahaha! Já passaram por esta há milênios...!

Ocorre que esta semana houve verdadeira invasão de seus domínios. Pelo menos de privacidade. Anunciada com a maior Lua de não sei quantos anos, a humanidade se pôs a observá-la daqui pra lá. E o que viram? Ah, ficou por conta da poesia e imaginário de cada um. Ou da vontade de postar uma boa foto no Facebook. 

Se um fiapo de luz, ou amarela, redonda e bela, a magia é a mesma, o que muda é o observador, a Lua de cada um. Se você não vive no mundo da Lua, de nada adianta observá-la.

Se sintonizado com a Lua, seus habitantes captam sua energia e a devolvem mais forte, mais presente, mais vibrante, acredite. 

Assim, em dias de nuvens, procure-a, dê-lhe um “boa noite” logo que consiga entrevê-la. Admire a nova, esse é o momento em que ela mais precisa de você. Crescente, acredite em sua promessa de ser grande. Cheia, momento de reflexão. Minguante, agradeça-lhe por todo o sentimento que fez brotar em você. E assim deveriam ser todos os dias.

Ah, infeliz de quem não vive no mundo da Lua...

Pedro Altino Farias, em 14/11/2106

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Não Precisa Ser Super


Nova, um fiapo de vida;
Crescente, uma promessa;
Cheia, tão óbvia quanto bela;
Minguante, missão cumprida.

Ao despontar, um sorriso;
Encoberta, um mistério;
Ao se por, uma lágrima.
Lua: sempre deslumbrante, sempre poema.

Pedro Altino Farias, em 14/11/16


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domingo, 23 de outubro de 2016

Bar do Seu Aírton - somente bares sem alma morrem



É um enorme prazer para a Embaixada da Cachaça receber os amigos, antigos frequentadores do Bar do Seu Aírton, que adotaram a casa como "nova sede" do bar. 

Tire o conforto de um bar e ele se mantém vivo.
Tire a boa comida de um bar e ele continua vivo.
Tire a cerveja gelada de um bar permanece vivo.
Cerrem-lhe as portas de um bar e, ainda ssim, ele continua vivo.

Somente bares sem alma morrem. O Bar do Seu Aírton fechou, mas continua vivo, e vcs são a prova disso.

Eu e o Pelos Bares da Vida compartilhamos essa alegria e amizade.


Pedro Altino Farias, em 23/10/2016

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terça-feira, 9 de agosto de 2016

A Caça aos (seus) Pokémons

 


E aí, caçaram muitos Pokémons esta semana? Conseguiram subir de nível?

Fazendo um paralelo da vida real com a virtual, poderíamos dizer que os Pokémons são nossos fantasmas, sonhos, medos e esperanças. Ao derrotar um medo, o fantasma de um fracasso, fortalecemo-nos. Ao conquistar um sonho, também.

À alienação que a caça ao Pokémon gera, podemos associar nossa própria desorientação diante dos desafios e dificuldades dessa vida, tão difícil de ser vivida às vezes.

Muitas vezes os Pokémons estão em lugares de difícil acesso ou mesmo perigosos. Subir de nível está ligado diretamente a uma melhoria, um aperfeiçoamento. Ao caçar seus Pokémons, você os enfrenta e com isso, melhora, aprende, evolui, fortalece-se espiritualmente. 

Há pessoas que não veem Pokémons à sua volta. Acham que são demais e que nenhum Pokémon lhes espreita à esquina até que se deparam com um deles sem estarem devidamente preparados e ficam sem ação, sem saber o que fazer. Assim fica mais difícil subir de nível, ou o nível...

Vou eu aqui com meus Pokémons, uns fraquinhos, outros mais fornidos, mas saber que eles existem e que podemos lidar com eles de boa me conforta e estimula a seguir em frente na linha da vida, e quem não tem Pokémons no seu caminho que atire a primeira pedra! 

Vixe!! Agora eu viajei, ó...!


Pedro Altino Farias, em 08/08/2016


domingo, 24 de julho de 2016

O Estranho que Emitia Ruídos


Parecia inofensivo ao balcão do bar. Tomava alguma coisa de forma pausada, metódica e ritmada. Roupas escuras e ar circunspecto completavam sua aparência observada por outro bebedor balconista, que ansiava por um bom papo, por isso prestara atenção naquele estranho.

Antes que se aproximasse dele, porém, o estranho sacou um pequeno aparelho do bolso do casaco. Não se tratava de um celular, nem rádio ou gravador, mas, com a boca próxima a ele, parecia comunicar-se com alguém. Curioso, nosso bebedor aproximou-se discretamente do estranho, constatando que ele pronunciava ruídos ao invés de palavras, fosse de que idioma fosse. Ruídos ininteligíveis!

Intrigou-se com aquilo. Tomou mais um trago. Agora o estranho calara-se. Outra dose, a conta e foi embora, tentado esquecer o que presenciara. Tarde demais!

Sentiu-se perseguido a partir de então. Vigiado. Recebeu mensagens de áudio pelo celular. Ruídos, apenas. Semelhantes aos que ouvira sair da boca do estranho. Intrigado, levou o aparelho a um amigo especialista em sons. Ondas sonoras analisadas cuidadosamente por computador, somente ruídos sem forma ou sentido.

Abordado na rua por outro estranho, foi conduzido a um pequeno apartamento no centro da cidade. Inexplicavelmente ele deixou-se ser levado sem questionamentos. Dissidências existem em todo lugar, em todas as situações, então, na condição do mais absoluto sigilo, o estranho, deixando a linguagem de ruídos de lado, contou-lhe segredos dos seus pares, que culminariam com o domínio do planeta Terra e sua total transformação, com a qual não mais seria possível a sobrevivência humana. Quem eram estes seres? Ah, isto não lhe foi revelado.

A ideia consistia, inicialmente, na destruição de todas as fontes de geração de energia através de dispositivos desconhecidos dos humanos, mas que foram explicados ao nosso inocente bebedor de balcão, bem como o plano completo do dissidente para evitar que tal catástrofe dizimasse a raça humana da Terra. Sentiu o peso de toda a humanidade em seus ombros. Teria de agir sozinho e em segredo para obter êxito, era a condição. “Por que eu? Só queria tomar mais duas ou três doses e um bom papo... tá certo, tá certo... umas seis ou oito, que fossem, mas só isso...”. Agora ele tinha a obrigação de salvar o planeta. E sozinho!

Os dias que se seguiram foram de apreensão. Cada tarefa ditada pelo estranho dissidente, um prazo a cumprir. “Será que realmente ele é ‘do bem’, conforme disse? Ou está me usando como ferramenta para fuder tudo?”, questionava-se. Sem alternativas, uma passada no bar para duas ou três doses todo dia tornou-se absolutamente necessária tamanha a tensão que passara a viver. 

O dia “D” chegara. Tarefas esdrúxulas a cumprir, prazos exíguos. Esforço redobrado, um esforço por toda a humanidade. Trabalhos encerrados conforme o exigido pelo estranho que emitia ruídos, tudo continuou exatamente como d’antes. Dera certo, enfim! Chegou em casa exausto. Um gole de bebida forte e jogou-se na cama. Dormiu o sono dos justos. Ele acabara de salvar o mundo, mas ninguém sabia, e jamais saberia! Nem mesmo o pessoal do bar...


Pedro Altino Farias, em 24/07/2016
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Orelhas Brancas


Tinha de viajar a lugar distante e desconhecido por conta do trabalho. E assim o fez. Antes, porém, os preparativos de praxe: antecipação do pagamento de contas, reorganização da agenda, recomendações domésticas.

Chegando ao destino, estranhou tudo. A estética contrariava a lógica, com construções angulosamente obtusas, recortadas, aparentemente antifuncionais. Veículos também seguiam a mesma tendência, com formas inusitadas, feias, desarmônicas. O desenho das ruas e tráfego de pessoas e automóveis, um caos.

Ao chegar ao hotel recebeu a recomendação de que deveria adquirir certo produto para ser adicionado à água do banho. Acondicionado num balde de dezoito litros, era uma espécie de geléia, que ele questionou ser mesmo necessário.

- Para que serve isso? Não é muito? Vou ficar pouco tempo..., perguntou à pessoa que o recepcionara.

- Suas orelhas já estão brancas, já reparou?, respondeu o habitante do lugar. 

- Orelhas brancas? Mas o que é isso? O que acontece aqui?, inqueriu constatando que suas orelhas, de fato, estavam embranquecidas.

- É por causa do cigarro, respondeu seu interlocutor.

- Cigarro? Mas eu nem fumo...

- E nem precisa, toda a fumaça de cigarro do mundo vem para cá e aqui se acumula, não sabia? Por isso usamos essa geleia para limpeza do corpo, senão...

- Meu Deus, aonde eu vim parar!

Horrorizado, tomou o primeiro banho esfregando freneticamente a pele com a geleia do balde. Estava confuso, quase desesperado. Tudo à sua volta parecia estar em completa desarmonia estética, estrutural, funcional e mais o que fosse.

O negócio que fora resolver não dera certo e a volta deveria ser abreviada. Alívio! Mas não havia voos para sair dali antes de cinco dias. Desespero! E as orelhas embranquecendo, embranquecendo...

Confuso, tentou, em vão, contato com os seus para avisar o que ocorria. Não obteve êxito. Conexões telefônicas e internéticas em pane. Aos poucos começou a sentir o corpo indolente, depois, inerte... E nunca mais se soube dele. 


Pedro Altino Farias, em 24/07/2016

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terça-feira, 12 de julho de 2016

Xi... Nim!

Não faz tanto tempo assim, nossas ruas e avenidas eram arborizadas com flamboyants, acácias, ipês, algarobas, paus brasil, benjamins, jambos, castanholas e outras mais.

 


Cada uma com sua característica, estas árvores acolhem pássaros e insetos, proporcionam boa sombra, embelezam. De uns tempos para cá, porém, só se vê mudas de nim nas ruas. Um praga!


Oriundo da Índia, de copa leve e fechada, cresce rapidamente e dá uma boa e gostosa sombra, tão bem vinda por estas bandas. Mas o nim se encera por aí, nem frutos, nem flores, nem beleza. Com a massificação da arborização da cidade com nins, a paisagem vai se repetindo monotonamente. Por isso, quando vejo uma nova muda numa calçada exclamo comigo mesmo em silêncio: “Xi... Nim...!”.


Pedro Altino Farias, em 02/07/2016

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domingo, 24 de abril de 2016

Bem que ele poderia...



Bem que ele poderia ainda estar por aqui com suas brincadeiras, tiradas geniais e ideias fantásticas.

Será que ele enfim encontraria o tempo, já que sempre viveu anos e anos à frente dele, ou teria continuado caminhando de forma que estaria muito além dos dias de hoje?

No início dos anos 70 falava na importância do lazer, quando lazer era sinônimo de fazer nada; em criar um parque urbano que compreenderia uma área das dunas do Mucuripe até o Cocó, quando a especulação imobiliária falava (falava?) mais alto que um bom plano para a cidade. Dizia que quando se aposentasse compraria um carro de luxo para ser motorista de táxi para turistas, quando Fortaleza era apenas um ponto embaçado no mapa. "A vocação do Ceará é o turismo", vaticinava ele. Assuntos impensáveis à época.

Com um pé no universo, outro no “universo Brasil” (sim, o Brasil é um universo), celebrava com entusiasmo de um colegial Chaplin e Oscarito, Beethoven e Vila Lobos, Tolstói e Lobato. 

Tinha a certeza da grandeza da família, da importância fundamental da educação e da ética como essência para uma vida social e profissional saudável.

Visionário, dentro de sua área profissional criou novos conceitos e participou ativa e pioneiramente da formação de entidades de interesse de sua classe quando eram, ele e os outros, apenas oito em todo o Ceará.

É... Bem que ele poderia ainda estar por aqui. Se não mais atuante como naqueles dias devido à ação de seu próprio tempo, pelo menos observando o mundo e passando seu pensamento adiante. Por certo serviria a alguém, quem quer que fosse esse alguém.

Poderia estar, mas se foi cedo, aos quarente sete. Como estava muito à frente, mesmo em tempo exíguo deixou legado denso, sólido, que o próprio tempo levará outros tantos para apagar.

José Armando Farias, arquiteto, 23-04-1927 / 16-07-1974


Pedro Altino Farias, em 23/04/2016



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segunda-feira, 21 de março de 2016

A Sorte




Zombou da ciência

Viveu a morte

Sorriu da sapiência

Correu da sorte



Roeu a paciência

Moeu a sorte

Caiu na sonolência

Morreu sem norte


Pedro Altino Farias, em 21/03/2016

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