quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Rolezinhos Pelos Bares da Vida

Era uma tarde de sábado, maio de 2009, quando uma ruidosa turma rodou por alguns bares da cidade num trenzinho, desses que levam crianças, levando a bordo uma banda de forró, que tocava entusiasmada sem parar, muita birita e animação sem fim. As camisas traziam o motivo da festa: “1/2 Maratona Etílica da Turma do Billy”.
TURMA DO BILLY: OS PRECUSSORES
Marcos Melo “Billy” foi o organizador do evento, que reuniu amigos dele nessa fantástica brincadeira. A repercussão foi grande, todo o povo dos bares deu conta do acontecimento. Um sucesso, tanto que nossa turma ficou querendo fazer algo similar e pediram-me, como editor do jornal virtual Pelos Bares da Vida e promotor dos nossos eventos, para organizar tudo. Eu, porém, não achei legal copiar uma idéia, repeti-la, simplesmente, e o tempo passou.

Em agosto de 2012 começou o julgamento do chamado “Mensalão” e novamente a idéia do “trenzinho do Billy” surgiu no formato de um protesto cidadão contra a corrupção, desfilando pelos bares que frequentamos ao som de marchinhas, frevos e sambas tradicionais de carnaval. Foram quase quatro horas de desfile pela cidade, com muita birita a bordo, animação e indignação com a corrupção instalada no país. A composição saiu do local que frequentávamos, na esquina da Rua Paula Ney com Vicente Leite, voltando ao mesmo ponto de partida ao final, depois de rodar por vários bairros de Fortaleza.

TURMA PRONTA PARA PARTIR





O tempo passou, mas a turma do PBV não esqueceu o trenzinho e seu irreverente desfile por nossas rua e avenidas. Em fins de 2013, jovens organizaram encontros pelas redes sociais, principalmente em shoppings da capital paulista e Grande São Paulo. Esses eventos ficaram conhecidos como “rolezinhos” e ganharam repercussão nacional. Então, na época do pre carnaval de 2014 me veio a ideia de comemorar a temporada pre momina com um novo desfile pela nossa capital no tal trenzinho e daí surgiu o “Rolezinho Pelos Bares da Vida”, um desfile por Fortaleza, saindo daquela mesma esquina, passando por mais de trinta bares tradicionais da cidade em quatro horas de roteiro com cinquenta foliões a bordo. Um sucesso!


 





 




No final de 2014 a turma já começou a perguntar: “E aí? Vai ter Rolezinho esse ano?”. Uma melhorada no roteiro, orçamento à mão e marquei a data do “Rolezinho Pelos Bares da Vida 2015”. Naquele ano, porém, reduzi a quantidade de participantes para quarenta visando mais conforto para todos. Para compensar, dois dias de desfile como forma de atender à grande demandade e percurso por mais de trinta e cinco bares tradicionais e dez bairros da cidade. A concentração, saída e retorno passou a ser na Embaixada da Cachaça, loja/bar que tenho com o sócio e amigo Attila Vasconcelos. O resultado? Sucesso!

Nesse ano havíamos lançado o nome de Laurinho Bezerra a Rei Momo, porém, ele teve que desistir de concorrer por motivos profissionais. Apoiamos, então, o nome de Fernando, o "Fininho". Ele participou do concurso, ficando em terceiro lugar. Com problemas de saúde em decorrência do diabetes, Fernando faleceu pouco tempo depois (na primeira foto).

  

 

 

  

 

 

 

Terminando 2015 a história se repetiu: “tu vais fazer o Rolezinho esse ano? Guarda meu lugar, viu?”, era o que ouvia de forma recorrente. Com o carnaval no começo de fevereiro, marquei os desfiles para os dois primeiros sábados de janeiro. O que estava marcado para o dia 9, que seria o primeiro grito de carnaval, teve de ser adiado para o dia 23 em virtude da forte chuva que caía naquela manhã. Daí em diante a torcida foi por Sol aos sábados. O roteiro sofreu mais algumas pequenas alterações para atingir um maior número de bares tradicionais em seu percurso, mais de quarente e cinco em cinco horas. No fim, tudo certo e mais um sucesso!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


O grande barato desse desfile, que de certa forma lembra os antigos corsos, é a interação com os donos dos bares, com o povo que passa pela rua e com os amigos que estão nos bares por onde passamos. Aproveitamos para saudar com carinho e alegria os donos dos bares, principalmente os mais idosos dos bares mais antigos. Eles merecem esse reconhecimento. O centro da cidade é um capítulo a parte. Ali a recepção é mais intensa, a energia flui franca e honestamente.

              

Aqui acolá, uma dificuldade para o trenzinho passar em algum trecho e uma pequena alteração no roteiro se fez necessária, fazendo-nos perder tempo, uma preocupação constante minha por conta do valor contratado com a empresa do veículo. Essa preocupação é maior nas paradas que fazemos durante o trajeto. A cada parada recomendo e aviso: “Apenas 10 minutos, senão não conseguiremos cumprir nosso objetivo!”. Apesar de serem quarenta participantes em estado de absoluto relaxamento e brincadeira, não tive problemas.


 

 

 

 

 

 

 

 

 



 

 

Sem patrocínio e sem intenções de ter um resultado financeiro, faço os “Rolezinhos” com gosto e satisfação. Eles já fazem parte do calendário de eventos anuais do Pelos Bares da Vida, que conta também com o “Sábado do Pirata”, o Halloween e o aniversário do jornal dentre outros.

Finalizando, meu agradecimento pessoal aos participantes de todos os desfiles que já realizamos e, mais uma vez ao amigo Marcos Melo Billy, o inspirador dos Rolezinhos do PBV.


Pedro Altino Farias, em 01/02/2016 


terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Bons Conselhos a R$ 5,00



No apagar de 2015 lancei um livreto, de  formato tipo cordel, com setenta conselhos retirados das edições semanais do Pelos Bares da Vida, jornal virtual que edito há quase oito anos. Embora alguns reflitam situações comuns da vida, todos são absolutamente autorais.

A ideia dessa publicação ganhou força com o incentivo e a criatividade do amigo Dejoces, que edita livretos nesse formato com crônicas de sua autoria. Suas dicas foram muito valiosas.


A intenção inicial era distribuir os livretos em família por ocasião da comemoração do réveillon. Ora, se iria imprimir vinte ou trinta, por que não cem? E cem foi o número final.

Gorette Almeida, Altino e Concita Farias

Anunciado o lançamento, que teve lugar na Mini Galeria Cultural Pelos Bares da Vida, na Embaixada da Cachaça, criei uma óbvia expectativa, pois, embora informal e simples, jamais havia vivido tal situação. O resultado? Para mim, um sucesso!

Muitos bons amigos presentes. Alguns, ausentes, ficaram na torcida e aguardando a hora de ter sua edição com dedicatória do autor. É bom receber esse carinho. 

Além das vivências do dia a dia, a observação de situações vividas por outras pessoas também ajudaram nesses bons conselhos. A educação de meu pai e mãe foram a base para formular alguns, assim como a convivência com esposa e filhos resultaram noutros.

No livro, sob certos ângulos sou o conselheiro, noutros, sou o aconselhado, como se uma terceira pessoa me puxasse as orelhas diante de uma situação que poderia ser melhor resolvida. Assim é a vida, ninguém sabe de tudo e, às vezes, mesmo sabendo fazer a coisa certa, escolhemos a pior maneira de fazê-la. 

No geral, há planos ambiciosos. Desde 2013 o Pelos Bares da Vida é marca registrada no INPI nas categorias publicações e entretenimento, e vamos fazer valer nossa marca este ano. Aguardem!


Pedro Altino Farias, em 06/01/2016

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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

A Vida Não é Vida Apenas Porque se Vive

A semana passada começou tranquilamente agitada, ou seja, o mesmo corre-corre das mesmas coisas. A segunda, terça e quarta feiras foram bem parecidas. Na quinta, porém, tudo começou a tomar ares diferentes.

Atualmente meu negócio é uma loja especializada em cachaças e produtos regionais. Ao final da tarde fazemos um gostoso happy hour com amigos. Às quintas e sextas a brincadeira vai até mais tarde. As responsabilidades são divididas com um sócio.

Pois bem, na quinta feira deixei meu negócio nas mãos do sócio e fui a uma solenidade da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo, da qual sou membro fundador, acompanhado de minha mulher, Gorette, e de minha mãe, a poetisa Concita Farias, também membro da Academia. O clima num evento desses é sempre de alto astral. A melhor parte foram os encontros com amigos e as conversas em compadrio. Essa academia é viva, verte amizade, cordialidade e ideias. Foi uma noite agradável.


Na sexta, um black out na cidade no início da noite deixou todos apreensivos. Mais tarde, tudo normalizado, comemoramos os trinta anos de minha filha, Ana Maria, que recebeu amigos e alguns familiares no meu próprio barzinho. O genro, bastante descontraído, denunciava que ali se sentia muito bem, como se em casa estivesse. Esse é o espírito da coisa. Trinta anos... Já?


Na sexta à tardinha recebemos uma equipe de TV que foi à nossa loja fazer uma matéria sobre cachaças e bares que será exibida em circuito nacional. O pessoal da TV muito legal e a gravação transcorreu em clima de naturalidade e grande curtição.


No sábado estava de folga. Aproveitei para circular em alguns bares até hora do almoço. Depois descansei um pouco e por volta das 16:30 horas estava de saída com meu filho, Altino José, para um encontro de carros antigos a bordo do Opala 1978 da família. Lá, amigos e papos sobre carros e tal. Novamente o alto astral presente e muitas ideias. É sempre bom encontrar essa turma.

 



À noite, pegamos a estrada para Pacajus, que fica a 60km de Fortaleza, para ir a uma festa dos amigos de adolescência de Gorette. Festa boa, música anos 70/80, uísque e novamente bons papos e alto astral. Chegamos em casa com o Sol nascendo. Foi uma noite muito legal.


No domingo pela manhã, uma passada no bar de sempre. À tarde preparei um prato para levar à casa de mamãe, onde a família comemoraria o aniversário da Aninha. Mais uma ocasião de encontros e boas conversas. E parece que a carne que levei contou com a aprovação de todos. Amém!





Depois de tudo isso, silêncio, uma música suave, uma vela, carinhos e sussurros...


O resumo desta semana mostra uma diversidade de relacionamentos e situações, tanto em relação a pessoas em si, quanto em relação ao que as une: literatura, pensamento político, amizade, amor familiar, paixão por carros antigos, amigos de bar. Universos distintos, todos em ebulição num mesmo caldeirão.


Gosto de permear entre uma coisa e outra. A mesmice me incomoda. O mesmo tom de cinza aborrece e enjoa. Assim, num momento penso na restauração do meu Fusquinha, noutro fico comovido com os trinta anos de minha filha, encontro tempo para estar com o povo dos bares, curto estar em família e a alegria de minha mulher voltando à adolescência, troco ideias com meu filho, exercito meu pensamento com o pessoal das letras... 

Vários furacões, muita lava e calor. Tudo muito incandescente e repleto de emoções, porque a vida não é vida apenas porque se vive!


Pedro Altino Farias, em 02/12-2015
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