segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Loucos Somos Nós



  

Seu tempo não é medido em dias, horas, minutos ou segundos. Sua imaginação não tem limites. Seu pensamento não tem lugar aqui neste mundo.

O cuidado no vestir, a postura ao sentar, suas argumentações imaginárias, suas leituras... Louco?? Loucos somos nós, que vivemos correndo atrás do tempo, assistindo, inertes, a violência se espalhar pelo mundo, querendo mais e sempre acabando por poder menos.

Acredito que o poeta andarilho talvez tenha percebido a insensatez da vida como ela é, e tenha resolvido fazer as coisas do jeito dele. Será?? Quem sabe... Difícil dizer, mas tenho certeza que todo domingo, quando ele aparece no Flórida Bar, mesmo sem tempo para pensarmos em nós mesmos, paramos um pouco ao vê-lo e nos indagamos: Louco?? Será mesmo, ele?? Ou nós??


Pedro Altino Farias


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Vidas e Mortes




Vi horizontes, sóis e luas.
Vivi vidas e... Chorei mortes.
Algumas eram mortes repletas de vida;
Outras, vidas com jeito de morte.
E sigo assim, entre horizontes, sóis e luas;
Vidas e mortes.
Sigo porque é minha sina, e tenho que seguir.
E cada vida que faz parte da minha me ilumina mais e mais,
Mas ao partirem, me enchem de morte.
Morro por cada uma dessas vidas;
Revivo a cada morte!!



Altino Farias
altino.frs@gamil.com

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

WAR



Entrei na África atravessando o Estreito de Gibraltar, saindo da Espanha para a Argélia. Foi uma batalha na qual mobilizei 300 exércitos contra os Vermelhos, com muitas baixas de lado a lado, mas, enfim, venci. Neste continente vou me deparar com os Azuis, onde são maioria. Eles são maioria na Europa também, embora estejam longe de dominar tanto um quanto outro continente.

Tenho sob meu domínio a totalidade da Oceania e América do Sul. Esta situação me garante tranqüilidade para formar e treinar novos exércitos, fortalecendo mais ainda essas posições e permitindo tentar avançar, expandindo minhas fronteiras. Para a América do Norte, passando pela Central, está difícil avançar, pois os Pretos parecem bastante determinados a manter seus territórios no continente. Agora com minha entrada na África, talvez seja uma boa tentar entrar na Nigéria partindo do Brasil, mas isso tenho que ver com calma, pois Azuis e Brancos, que também têm posições na África, parecem agir em simbiose e acredito que para atingir seus objetivos um acabe beneficiando o outro sem querer. E aí seriam dois contra um.

Os Verdes, com exércitos isolados aqui e acolá no resto do mundo, dominam boa parte da Ásia. Conquistaram muitos territórios no continente claramente perseguindo os Vermelhos, donde se conclui que ou têm objetivos semelhantes, dada a resistência daqueles, ou desejam realmente extingui-los. Tenho posições a Ásia também. Poucas, é verdade, mas procuro manter Vladivostok e a Sibéria. Não por estratégia, apenas porque acho que ocupar a Sibéria, terra inóspita e associada a exílios e trabalhos forçados na época do comunismo, é uma demonstração de força e fibra. No caso de Vladivostok é só pelo nome, que acho super legal de pronunciar, diferentemente da Mongólia, que praticamente entreguei aos Brancos, que, com exércitos espalhados meio que aleatoriamente por todo o mundo, até agora não se mostraram combativos o suficiente para grandes conquistas.

Talvez eu resolva atravessar o estreito de Bering com meus exércitos Amarelos e entrar na América do Norte pelo Alasca, de onde os Pretos parecem não estar esperando um ataque. Mas para esta investida vou precisar de uns 400 exércitos!!

É, talvez com as próximas movimentações desses exércitos se defina o destino de planeta, e se inicie uma nova ordem política, social e econômica no mundo, mas... Ih, agora vamos ter que parar o jogo um pouco porque a mamãe já preparou o lanche e tá chamando todo mundo pra merendar. Bora, negada!!



Altino Farias


quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Em Algum Dia do Passado

O dia amanheceu de sol, e uma música de “Os Incríveis” ressoava vindo de alguma radiola da vizinhança. Foi um dia comum, nada de espetacular. Despertei meio apressado, pois tinha que ir à “rua” resolver umas coisas de casa, mas logo no asseio matinal tive uma pequena chateação, pois a pasta de dentes que havia no banheiro era Signal, aquela de listras vermelhas, ao invés da habitual Kolynos, mas tudo bem, nada como um bom banho para começar bem o dia. E é sempre prazeroso abrir uma nova embalagem de sabonete Phebo, quando aquele delicioso e inconfundível aroma se espalha no ar. E foi o que aconteceu nessa manhã.

No café matinal, parti um bom pedaço do pão semolina, que estava novinho, o qual untei generosamente com manteiga Faisão. Tão simples quanto delicioso. Ao café misturei um pouco de leite Cila recém fervido, aliás, neste dia o leite não deu para todos em casa, pois uma das garrafas de vidro no qual ele vem envasado quebrou, e ficamos com apenas uma disponível.

Vesti rapidamente uma calça de tergal, combinada com uma camisa de “fio da Escócia” e caminhei rumo à esquina de minha casa, onde fica a parada do “13 de Maio”, linha de ônibus da Empresa São José de Ribamar. Paguei a passagem com “passe de estudante”, e fui organizando as tarefas que iria realizar durante o trajeto, apesar dos solavancos constantes devido ao calçamento de pedras toscas das ruas do bairro por onde o coletivo transitava.

Chato esse negócio de banco só abrir às nove da manhã, porque tinha que ir ao Banco Nacional (agência da Major Facundo) ver se havia chegado uma ordem de pagamento vinda de Recife, e o restante de minhas obrigações dependia de poder sacar esses “cruzeiros”. Mas eu estava otimista, pois a ordem havia sido enviada por telex, muito mais rápido que o meio convencional, e, se corresse, daria tempo de fazer tudo que estava programado.

Depois de uma certa espera no balcão de atendimento, enfim, veio a confirmação. Então me dirigi ao caixa com um cheque de minha mãe para efetuar o saque e já realizar uns pagamentos: Cotelce, Capemi e uma prestação da Domus. Tudo certo!!

E vamos às outras tarefas: passar na “Hora Certa” (Major Facundo c/ Guilherme Rocha) para deixar um relógio automático no conserto, passar no “Zás Traz” (Liberato Barroso) para apanhar uma bolsa da qual foram trocados uns ilhoses, ir na “Casa Rogério” (também na Liberato Barroso) comprar botões. fecho ecler e agulha para máquina de costura, tudo conforme amostras que minha mãe mandou. Depois fui cortar o cabelo no “Lord”. Claro que uma passadinha na Mesbla e Lobrás eram obrigatórias, assim como merendar um caldo de cana com pastel na “Leão do Sul”. Quando era menino e ia à “rua” com a mamãe, ela sempre passava na “Libonense” para lanchar e comprar alguma coisa gostosa para levar para casa, mas eu sempre preferi a “Leão do Sul”.

Terminadas as tarefas lá fui eu ao “Parque das Crianças” pegar o ônibus de volta, mas eis que um “13 de Maio” saiu quando eu ia chegando ao ponto. Como já estava meio tarde, e eu ainda iria à aula, resolvi pegar um “Pio XII”, mesmo descendo numa parada mais longe de casa um pouco. Enquanto conferia o troco das despesas no ônibus, ouvia o programa do Zé Lisboa, na Rádio Assunção, que repetia à exaustão o bordão “Relógio que atrasa não adianta, é roskof !!”, sempre que anunciava a hora certa.

Cheguei em casa, prestei contas com a mamãe, tomei um banho apressado e almocei. O almoço foi posta de cavala frita. A cavala estava fresquinha, pois foi comprada naquela mesma manhã, na porta de casa, como de hábito, a um senhor que vende pescado fresco pelas ruas do bairro.

Nem bem engoli o almoço, já peguei meus livros e fui para a parada do “Circular”. Durante o trajeto, com o estômago cheio, o calor e o sacolejado do ônibus, batia uma sonolência medonha, mas que logo passava quando minha parada de descida se aproximava, na Antônio Sales com Barão de Studart, próxima ao Romcy. De lá ia, a pé, até o Christus, onde, neste dia, assisti a aulas de matemática (Carlão), física (Zé Marques), literatura (Costinha) e Inglês (Valéria), fazendo o mesmo percurso de volta ao fim da tarde... Só que com o “Circular” lotadaço.

Depois do jantar, descansado, liguei para a namoradinha nova. Ela estava bem humorada e espirituosa, e disse que havia puxado a extensão do telefone da sala para o quarto, e estava deitada em sua cama com as pernas para cima, apoiadas num almofadão. Fiquei do lado de cá me deliciando, imaginando a cena enquanto conversávamos, e o papo foi se estendendo até que minha irmã veio reclamar da conversa demorada, pois estava precisando ligar também. Em nome da boa convivência no lar, me despedi e desliguei com um beijinho, liberando a linha telefônica.

Para terminar o dia me debrucei frente à TV para assistir à novela “Os Ossos do Barão”, que tem um interessante enredo sobre o sucesso de emigrantes italianos e a decadência das famílias paulistanas descendentes dos barões do café. Depois disso, dei comida ao Duque, meu vira-lata de estimação, fiz-lhe uns afagos e me recolhi. Não sem antes pedir “a benção, mamãe!!”. No meio da noite ainda tive que me levantar e fechar as venezianas da janela, pois corria um vento cortante e frio naquela noite de fins de julho...


Altino Farias

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Pensamento Atualíssimo!!

Para refletir a respeito:

"É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade. Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não pode dar para alguém aquilo que tira de outro alguém.

Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.

É impossível multiplicar riqueza dividindo-a."

Adrian Rogers, 1931

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Antigomobilismo: Uma Paixão Que Virou Moda





A paixão por caros clássicos é tão antiga quanto a existência do automóvel. No Brasil, até a bem pouco tempo, esse hobby era restrito a um pequeno número de admiradores, atividade que foi aos poucos ganhando espaço pela melhor condição de aquisição e venda de um antigo, e maior oferta de serviços e peças de reposição no mercado, o que facilita e barateia a manutenção sobremaneira.

Os colecionadores de raridades encabeçam a lista de aficionados, e, noutros tempos, uma pessoa de classe média que possuísse um antigo de qualidade era vista como louca, tanto pelo valor do bem, quanto pelo custo da manutenção e a pouca liquidez na hora da venda.

Atualmente o que vemos é um mercado florescente de antigos em todo o país, com preços referenciais estabelecidos, lojas de peças específicas, importadores e prestadores de serviços especializados, e uma infinidade de sites sobre o assunto, que informam dados técnicos, históricos, curiosidades, dispõe de cópias de manuais, fotos e o que mais se pensar.

Tornou-se comum que homens na faixa dos quarenta-cinquenta anos, apaixonados por carros e já estabilizados na vida (ou nem tanto), procurem resgatar lembranças da infância e adolescência adquirindo um veículo do modelo que lhes marcou essas épocas da vida. Anteriormente, na maioria das vezes, isso não passava de um sonho dados os altos custos para manter essa paixão.

Em nossa capital, Fortaleza, temos há muito o Museu do Automóvel, que congrega colecionadores e abriga seus veículos maravilhosos em suas alas. Estes colecionadores, além dos carros expostos no museu, mantêm o restante de seus acervos em garagens particulares. Outros pontos de convergência de antigomobilistas surgiram a algum tempo em forma de clubes. Clube do Opala, Clube da Puma, Clube do Fusca são alguns exemplos. Esses clubes organizam encontros regulares, passeios e troca de informações, sendo iniciativas mais populares e abrangentes que o museu.

Observem que tanto as atividades do museu, quanto as dos clubes, são restritivas, pois admitem a participação de apenas certos segmentos de antigomobilistas. Foi então que surgiram Neandro e César, dois entusiastas do assunto, promovendo o FLASHBAKERS, encontro mensal de caRros antigos que ocorre no primeiro sábado de cada mês. O evento, que é realizado há cinco anos, é aberto à participação de antigomobilistas apaixonados por todos os tipos de carros: antigões, importados, nacionais, hot's, militares, camionetes, enfim, até quem não tem um, mas tem essa paixão dentro de si, comparece ao evento e se sente bem com o alto astral da turma que participa. A meu ver o FLASHBACKERS é um divisor de águas no Ceará em termos de popularização dessa paixão, estimulando os apreciadores a tirar seus xodós de suas garagens e curtir uma agradável tarde de sábado em companhia de seus pares e simpatizantes... Todos loucos por carros antigos.


Altino Farias, antigomobilista graças a Deus

altino.farias@yahoo.com.br

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Internético




Hoje em dia, além do eternamente etílico, sou também um ser altamente internético, pois muito me utilizo da informática para meus trabalhos jornalísticos e besteirísticos. As enciclopédias e wikpédias, disponíveis na rede, me permitem ser mais enfático nas palavras e eclético nos assuntos, evitando que seja aleatório, enquanto que a maioria dos e-mails que recebo me tornam menos eclesiástico, por assim dizer.

Dicionários variados, e em todos os idiomas, dirimem dúvidas quanto aos vocábulos apropriados para cada situação, tornando mais fluente a dialética e, conseqüentemente, menos errática.

É emblemática a influência que sofro da fonética, fazendo com que os textos soem mais poéticos, ou, pelo menos, mais simpáticos. Frígidos, burocráticos, hepáticos ou anêmicos é que não podem ser, e, se forem, nem passam numa análise crítica depois de revisão enérgica.

Nessa hora, o fato de ser etílico me ajuda bastante a ser um pouco mais filosófico, se é que me entendem, pois cachaça, sentimentos e idéias, tudo junto, tem efeito em mim como um ácido lisérgico...

E para não ser mais prolixo, até porque o espaço aqui é exíguo, vou encerrando por aqui, já pensando num próximo colóquio.

Altino Farias

Cuba Envelheceu...


Fidel Castro envelheceu. É hoje um ancião. Cruel, é verdade, mas um ancião. E com ele Cuba toda envelheceu também. Suas belas praias com seus pescadores que retornam ao fim da tarde envelheceram. Seus bares e cafés envelheceram. Seus prédios, ruas e avenidas envelheceram. Seus automóveis e máquinas envelheceram. Os sorrisos e o “cuba libre” envelheceram. Todo um sistema envelheceu e se esclerosou. Triste destino para uma ilha tão simpática, plantada em lugar privilegiadíssimo do planeta, na qual habita um povo honesto, simples e alegre.

À idade cronológica de Fidel deve-se acrescentar outros tantos anos que foram roubados dos cubanos. Cinquenta anos de muitos, quarenta e tantos de outros muitos, trinta e muitos de mais outros... Até chegarmos aos recém nascidos de hoje. Assim considerando, Fidel é um ancião milenar! Mais ou menos, todos perderam. Todos foram roubados. Todos foram penalizados com o que se tem de mais precioso além da saúde: a liberdade e o tempo, que é inexorável.

Passaram-se cinquenta anos desde a revolução. São muitos anos. A lembrança real de outros tempos reside apenas na mente de quem tem uns cinquenta e cinco anos em diante. O restante da população só sabe de Cuba pré-revolução de ouvir contar. Pensem nisso. É uma nação inteira quase sem memória. É muito tempo... Uma geração inteira destituída da liberdade, do direito de ter de boas lembranças, convivências, conquistas, viagens, fracassos, amores, aventuras, oportunidades, idas e vindas. Para os cubanos só há um imenso vazio habitando esses cinquenta anos, os quais são alardeados com orgulho por Fidel e, agora, Raul, como um grande feito.

Em uma de suas canções, Chico Buarque fala de uma certa Carolina, uma moça de olhos tristes e fundos. A certa altura da poesia ele diz que “O mundo passou na janela e só Carolina não viu”. Pois é, o mundo desfilou frente aos nossos olhos a revolução sexual, a explosão pop, a queda do Muro de Berlim, o fim da Guerra Fria, atentados ao Papa, o fim do apartheid na África do Sul, a união da Europa (sem guerras), o sucesso dos japoneses e dos Tigres Asiáticos, a consciência ecológica... Meus Deus, foram tantos fatos, tantos acontecimentos que mudaram as feições do mundo nestes cinquenta anos... E só Cuba não viu... É triste.

Talvez a maior punição imposta pelos Estados Unidos a Fidel tenha sido deixá-lo envelhecer como está acontecendo hoje. Deixá-lo exposto ao mundo assim: velho, demente, cruel... Ridículo. Muito melhor que fazê-lo morto e mártir. Pobres cubanos, obrigados a assistir a esse espetáculo macabro enquanto frequentam filas para comprar exemplares do jornal oficial do Partido... Que lhes servirão como papel higiênico. Mais uma vez citando Chico, “peço a Deus por essa gente, é gente humilde, que vontade de chorar”.


Altino Farias, abril 2010
altino.farias@yahoo.com.br