quarta-feira, 1 de abril de 2026

Um dia a casa cai (Os Gaiatos): Episódio 4 - A Encomenda

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Comentário do autor: 
"A Encomenda" é baseada em fatos reais, e a quarta da série "Um dia a casa cai (Os Gaiatos)". As ideias dessa crônica e das outras da série são até boas, mas não tentem fazer igual, porque... Um dia a casa cai!

Anos noventa, aquele barzinho recebia amigos no fundo do quintal para um sambinha informal. Era só a “tchurma” e seus convidados, e a casa não interferia nessa brincadeira. Violões, sete cordas, cavaquinhos, tamborins, pandeiros, vozes masculinas, femininas, brincadeiras, biritas.

Aí um dia chegou um convidado que vamos chamar aqui de Maestro, contando então uns cinquenta. Veio com um teclado e uma moça muito bonita, morena clara, cabelos castanhos e cacheados, e com um vestidinho vermelho insinuante. De chamar atenção. Chegou, abancou-se numa ponta da grande mesa e começou a tocar. Lá pelas tantas o Maestro disse que iria na rodoviária buscar uma encomenda e logo voltaria, como de fato ocorreu. Voltou e continuou a tocar, morena agarradinha a ele.

Algum tempo depois de seu retorno, chegou no bar uma mulher baixota, meio gorda, cabelos castanhos por repintar partidos ao meio, trajando vestido simples, perguntando ao dono do bar se o Alfredo estava lá. Casado, Alfredo era o sete cordas titular da “thurma” e não perdia um sábado sequer, mas se acompanhava sempre da Katy, sua namorada, uma excelente voz por sinal. Sabendo disso, por uma questão de solidariedade masculina, o dono do bar hesitou em confirmar sua presença, mas, como a entrada no ambiente era livre, não tinha como negar. “Está, sim!”, respondeu com uma voz miúda e temerosa.

A mulher entrou para o quintal pelo acesso lateral e, imediatamente, a moça de vermelho saiu correndo por dentro do bar, atravessando cozinha e salão como um raio de luz. O dono estranhou aquilo, mas logo a mulher veio dar explicações junto com pedidos de desculpas. Ela passava a semana trabalhando numa cidade do interior, retornando no sábado, ou seja, a “encomenda” que ele foi buscar era ela, que trouxe consigo um bom peso de carne fresca comprada “no preço” para abastecer a família durante a semana. 

Na ânsia de voltar ao bar, o Maestro esqueceu a carne no porta malas do carro, motivo pelo qual ela se pôs a ligar para um e outro conhecido para saber o paradeiro do marido e salvar a carne, trazida com tanto zelo e carinho, sendo informada que o maridão estaria em companhia do 7 cordas Alfredo. Ao chegar ao bar indicado, deu de cara com a cena: o Maestro tocando e a morena aconchegada coladinha ao seu lado. A mulher não contou pipocas, pegou uma cadeira para dar nele, mas, ao levantá-la, tropeçou e caiu de costas, e uma tragédia ainda maior foi evitada.    

Pois é, e foi assim, por um punhado de carne... A casa caiu!


Pedro Altino Farias, em 01/04/26

 

2 comentários:

  1. Kkkkkkkkkkk por isso é que dizem que a pressa é inimiga da perfeição. Aqui a casa caiu,porque um dia a casa cai

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  2. Presenciei tal evento!

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